Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

1 estrela

Em 2014 escrevi isto acerca do filme do Woody Allen, "Magia ao Luar":
"O Woody Allen, que já tem a bonita idade de 79 anos, infelizmente, não é como o vinho do Porto. Consequentemente, por que motivo é que o senhor continua a insistir em filmar (ainda por cima, com uma periocidade anual), quando já não é detentor de qualquer magia, quer seja ao luar, ao nascer do sol, ou a qualquer outra hora do dia?
Ele que se dedique, em exclusivo, ao clarinete e à sua enteada (upsss esposa) Soon-Yi, deixando-nos ficar com as memórias do seu glorioso passado cinematográfico (aquele mais longínquo, da sua quase pré-história). E não me venham com a lenga-lenga de que um mau filme dele é melhor que a generalidade das peliculas que chegam às salas de cinema. No entanto, o que me irrita ainda mais é que todos os anos digo cobras e lagartos acerca dos seus novos projectos, mas no ano seguinte lá acabo por ir vê-lo, como que em cumprimento de uma qualquer maldita promessa, ou quiçá, apenas naténue esperança de que o que foi volte a sê-lo".

Usei as mesmas palavras, letrinha por letrinha, em 2015, aquando do lançamento do "Homem Irracional". E como não há duas sem três (e estou sem vontade de gastar neurónios com este filmezinho anémico), aqui estou novamente a repeti-las para opinar em relação ao "Café Society", uma espécie de romance de época com pretensões cómicas, cuja acção decorre nos anos 30 do século XX (que consegue a proeza de ser ainda piorzinho que os dois antecessores).
Não pensem que estou a ser pérfido, pois efectivamente, o seu argumento (sem climaxs) é básico/levezinho e desinteressante (quase destituido de quaisquer vestigios da ironia, cinismo e neuroticismo que costumavam ser a imagem de marca do realizador, e com as temáticas estafadas de sempre - sim, continuam a existir inúmeras piadas sobre judeus), muito fragmentado (sendo preguiçosamente "colado" através do recurso a uma, desnecessária, voz off) e até os personagens são postiços (pouco crediveis e mal explorados).
Salva-se o glamour do ambiente de época, que conseguiu transmitir com algum sucesso, embora tenha exagerado nas tonalidades das cores (não poucas vezes, senti-me enfiado no seio do instagram).

Publicada a 25-10-2016 por JOSÉ MIGUEL COSTA