Críticas dos leitores
Últimas
Orwell: 2+2=5
Assustador
Maria João
O filme incomoda pela clareza com que expõe aquilo que estamos a ver construir e solidificar nos dias que correm. Ficamos só a olhar, ou começamos a mexer-nos? Organizamos-nos?
Duelo ao Pôr-do-Sol
Duelo ao pôr do Sol
José Hélio Paulo de Sousa
Quero assistir e lembrar os velhos tempos.
As Duas Faces do Espelho
As Duas Faces do Espelho
Maria José Gomes
Filme extraordinariamente realizado, dirigido e protagonizado por Barbra Streisend com Jeff Bridges de 1996. Magnífico filme, extraordinariamente envolvente.
O Mago do Kremlin
3 estrelas
José Miguel Costa
O novo filme do realizador francês Olivier Assayas (“O Mago do Kremlin”) é um thriller político com uma forte componente psicológica (filmado em cinemascope) que, misturando factos reais e ficção, mergulha na Rússia do início dos anos 1990 (em caótica redefinição político-social, após o recente colapso da URSS) para mostrar-nos os bastidores do poder que levaram à metódica (e meteórica) ascensão de um desconhecido (e pouco carismático) ex-espião do KGB à condição de Czar omnipresente (Vladimir Putin – interpretado por um contido Jude Law).
Mais do que concentrar-se em enumerar eventos históricos, Assayas expõe os estratégicos mecanismos invisíveis que sustentam o poder, nomeadamente ao nível da construção das histórias/narrativas populistas a veicular pelos meios de comunicação social às massas sedentas por um líder autoritário que restitua à pátria a glória perdida.
Baranov, conselheiro político de Putin (personagem fictício construído à imagem de um assessor real do “homem de ferro”) é-nos apresentado como mentor deste “modelo” de manipulação política da população através do controle das suas perceções da realidade (“alternativa”). Por consequência, o enredo da obra basicamente passa por explanar a relação simbiótica criada, ao longo dos anos, entre estes dois implacáveis indivíduos calculistas (sendo que as peripécias/factos históricos que uniram irreversivelmente esta dupla são verbalizadas, em voz off, pelo próprio “criador do monstro” – que 15 anos depois de “reformar-se” decide quebrar o silêncio, relatando, de uma assentada, as suas memórias a um escritor americano, com o qual não possuía qualquer relação prévia).
O conteúdo da narrativa algo cerebral (apresentado sem recorrer à dramatização excessiva e/ou picos artificiais de tensão) é indiscutivelmente apelativo e didáctico, até porque o Putin continua a ser uma das peças chave da geopolítica mundial. No entanto, perde impacto devido à quantidade de informação transmitida de modo excessivamente episódico (e o seu final apressado e “fácil” também não o favorece). De igual modo, acaba por ficar “ferido” devido a um aspecto central demasiado inverosímil: porque raio o homem mais discreto do Sistema decide, “do nada”, abrir a boca, enquanto beberica um café? @jmikecosta
Duelo na Montanha
Duelo na montanha
Fernando Oliveira
Está lá muito daquilo que define o western clássico: dois homens em disputa por terra e pelo amor de uma mulher, duelos e coboiadas, a rotina dos velhos clássico do Cinema americano que contam, e criam, os mitos sobre a construção do país. Destaque para a figura marmórea interpretada por Randolph Scott, actor absolutamente minimalista mas ao mesmo tempo capaz do mais genuíno “desenho” daqueles homens solitários, imperturbáveis, que, parece, pouco querem saber dos outros, mas que depois são capazes de gestos de impressionante bondade.
Neste filme, a sua personagem desvia-se desse retrato: ele, Owen, é proprietário de um pequeno rancho, a mulher que sempre amou, Laurie, escolheu casar com o homem mais rico da região, Will, que também quer açambarcar as terras dos outros; há outra mulher, Nan, também proprietária, que é a melhor amiga de Leslie mas que ama Owen. E depois são as peripécias que daqui decorrem.
O filme, um dos muitos westerns que Randolph Scott fez com André de Toth antes dos prodigiosos sete filmes que depois faria com Budd Boetticher, tem a particularidade curiosa dos intensos diálogos entre as personagens masculinas e femininas sobre as relações amorosas, quando noutros westerns contemporâneos (Howard Hawks, por exemplo) era tudo mais sugestão “disfarçada” pelas imagens ou pelos diálogos. E se André de Toth foi sempre um realizador de produções “menores”, um tarefeiro de séries B, foi também um habilíssimo esteta, capaz de encher os seus filmes de uma dimensão lírica bastante impressionante.
Enfim, um daqueles filmes que não ficaram na História do Cinema, mas que não deixam de ser a argamassa também essencial para a construção desse “edifício”. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
O Estrangeiro
4 estrelas
José Miguel Costa
“O Estrangeiro”, novo filme de François Ozon, adaptação do romance homónimo de Camus, é um austero drama existencialista, sentimentalmente contido e profundamente humano, que reflecte sobre a moralidade individual (que se manifesta ao nível da conduta comportamental "visível" que emana para o Outro) e o modo como esta influencia as dinâmicas relacionais e a integração na Sociedade.
No entanto, não se limita a "descamar" esta temática. Nas entrelinhas ainda aflora a questão dos abusos de natureza diversa perpetrados pelas nações colonizadoras nos territórios por si invadidos e explorados em benefício próprio, desprezando as especificidades culturais dos locais (neste caso, França versus Argélia).
O prólogo brinda-nos com imagens de arquivo de Argel, na qual aparentemente as comunidades ocidentais e árabes coexistem harmoniosamente, embora na realidade estas não se entrecruzem e não sejam detentoras dos mesmos direitos.
O filme, cuja acção decorre nos anos 1930, está estruturado em duas partes. Na lenta fase inicial (povoada por silêncios) somos integrados no inócuo quotidiano de Meursault (encarnado por Benjamin Voison), condição necessária para assimilarmos o modus operandis de um solitário e discreto jovem adulto francês que, para além de não manifestar qualquer tipo de emoção nos mais díspares contextos (numa crónica indiferença pelo "pulsar do mundo"), é dotado de outra característica desarmante (jamais mente).
Na segunda fase assistimos ao julgamento deste homem pelo assassinato de um árabe por motivo fútil (não se trata de spoiler, tal é-nos comunicado logo à partida, sendo que os eventos prévios são transmitidos por flasbacks). Todavia, mais que punir o crime (considerado de gravidade menor), tentar-se-à aferir o carácter do homicida (alheado de códigos sociais), para tentar compreender, por ex., a ausência de lágrimas aquando do funeral da mãe, ou o descaso em relação à futura decisão do juiz.
Ozon filma-o com uma precisão clínica, através de uma câmara em permanente flirt com o indefinível ser, para não perder qualquer resquício da sua expressividade. Fá-lo de modo formalmente refinado, num preto-e-branco saturado de luminosidade, em formato 4:3. @jmikecosta
O Monte dos Vendavais
Péssimo filme
Maria Raquel Moreira
Tudo muito mau, direção de atores, cenários, concepção pirosa, pretencioso e rígido. Deplorável.
Explode São Paulo, Gil
Magnífico Filme!
Alberta Ferraz
Assisti à sessão de estreia na passada quinta feira! Que grande surpresa este filme! Ao princípio não nos é dado nenhuma pista, mas ao longo da história entramos num universo lindo da cantora e do seu sonho de editar um disco. É um filmaço! O momento Rage Against The Machine fez-me saltar da cadeira! É Filme Poderoso!






