Críticas dos leitores
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Ana com A (Série)
Ana com A
Mariana
Arrepiou o meu coração. Eu adorei esta série, nunca vi uma série tão bonita e significante. Com certeza esta série é PERFEITA.
O Dia da Revelação
Um bom filme de Spielberg
Paulo Lisboa
Fui ver o filme porque achei o argumento potencialmente interessante e porque gosto dos filmes de Spielberg. Gostei do filme, é um filme que se vê mais ou menos bem. Embora a realização, se bem que boa, nunca chega a ultrapassar um nível bom e por vezes arrasta-se até um pouco.
Mas quando vamos ver um filme de Spielberg, esperamos sempre a excelência, o que infelizmente, não é o caso. Este filme vale sobretudo pela originalidade do argumento, por algumas boas cenas de acção e pela boa interpretação de todos os actores. Estamos perante um bom filme de Spielberg. Numa escala de 0 a 20 valores, dou 14 valores a este filme.
O Dia da Revelação
O Dia da Revelação
Fernando Oliveira
Os filmes devem ser todos vistos numa sala, num grande ecrã, pois só esta experiência permite a cada espectador deixar-se enlear totalmente nas emoções que cada filme transmite. Sair do lado cá e deixar-se embrenhar no outro lado, no outro mundo que a história nos conta.
Serão palavras ocas num tempo das plataformas de streaming, ou quando quase todos os filmes de entretenimento (e o Cinema também é isto) não são bem filmes, são construções digitais onde já não se vê, anda-se numa montanha russa a tão alta velocidade que já não sentimos nada.
Steven Spielberg é um dos poucos autores americanos (o outro será Tarantino, Burton e Cameron “perderam-se” no caminho) que sabe fazer filmes que sendo entretenimento, exigem do espectador essa relação muito solitária e muito pessoal com o filme. Exigem uma cinefilia. Nos últimos anos, no meio de filmes que visitam os traumas da história americana (“A Ponte dos Espiões”, “The Post”), ou as suas memórias (“West Side story”, “The Fabelmans”), Spielberg gosta de voltar ao outro seu Cinema, histórias de aventuras ou fantásticas, noutras realidades “bastante reais”, como em “Ready player 1” (aqui cruzando o mundo das realidades virtuais com o esse “seu” Cinema, uma mea culpa comovente), e agora neste perturbante “O Dia da Revelação”. Todos estes filmes são magníficos.
Neste filme vai buscar coisas lá atrás, ao “E.T.” ao aos “Encontros Imediatos de Terceiro Grau”, para nos mostrar um retrato bastante cruel sobre a estupidez humana, a nossa incapacidade para a empatia com aquilo que é diferente. O medo mesquinho e a intolerância. Há sete décadas que há acidentes com naves alienígenas, alguns deles sobreviveram e foram capturados e torturados, a WARDEX é a responsável por toda esta “investigação” e de encobrir tudo isto (agora até os presidentes do país não sabem, há uma cena terrivelmente absurda de Nixon a revelar a um civil). Um grupo de dissidentes quer mostrar ao mundo a verdade. Mas há dois deles que são diferentes dos outros.
É assim um filme em crescendo, à procura do seu final em que a verdade é revelada ao mundo, até lá é um estonteante filme de acção, perseguições bastante físicas e realistas, uma história de amor, uma irmandade construída num desejo de liberdade; até à transmissão televisiva da verdade, o mundo global, e, lá está, onde nós espectadores nos emocionamos, tanto como se estivéssemos também realmente a ver aquilo. Acção e emoção: não é isto o Cinema, a arte de contar histórias com as imagens? É um filme assombroso, mas o filme é também um lamento. “Ouçam”. É preciso lutar pela VERDADE. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
Primeira Pessoa do Plural
Fracote, com pontos de interesse
zuogmi
Lento, arrastado, chato, como o típico cinema português. Mas com pouca profundidade. Os planos de câmara próximos, com zoom, são muito interessantes. Há uma magia no modo como está filmado, transporta-nos para outra dimensão.
É um filme em que o sofrimento está muito presente, isso torna ainda mais difícil percorrer o inferno familiar nele abordado. Há uma experimentalidade interessante, levada a cabo pelo realizador. Saímos depois de uma hora de filme.
Dois Procuradores
4 estrelas
José Miguel Costa
O filme "Dois Procuradores" (candidato à Palma de Ouro no Festival de Cannes), escrito (tendo por base a obra literária homónima de Georgy Demidov, sobrevivente dos gulags) e realizado pelo ucraniano Sergei Loznitsa, é um drama político de época, dotado de uma notória linguagem documental, que nos transporta até à Rússia de 1937 para uma autêntica descida ao inferno do paranóico totalitarismo ultra-repressivo estalinista, marcado por detenções arbitrárias (inclusivé, de membros do Exército Vermelho e de históricos e intelectuais do Partido Comunista) e execuções de centenas de milhares de "contra-revolucionários".
É nesse contexto que seguimos um jovem procurador, Kornev (interpretado de modo sublime por Aleksandr Kuznetsov, através de manifestações corporais e expressões faciais contidas e silêncios incómodos reveladores da gradual decepção decorrente do confronto entre a pureza do seu idealismo e a dura realidade objectiva), que se desloca a uma prisão de alta segurança para auscultar um preso político, na sequência da recepção de uma mensagem (escrita com sangue do próprio num pedaço de metal) chegada clandestinamente às suas mãos.
Aí chegado, após ultrapassar uma série de obstáculos impostos pelo burocrático sistema corrupto, depara-se com um idoso doente (ex-professor universitário, membro da geração revolucionária bolchevique, acusado, sem julgamento, de trair o regime), vítima de bárbaros actos de tortura. Chocado com um evento desta natureza, que julga não ser do conhecimento das cúpulas do poder, resolve (ingenuamente) deslocar-se, à revelia da sua chefia directa (na qual não confia) e sem marcação prévia de audiência, até Moscovo com o intuito de denunciar os atropelos dos direitos humanos em curso nas prisões ao todo poderoso "Procurador-mor" da nação.
Filmado em formato 4:3 e fazendo uso maioritário de lentos planos estáticos e longos, "obriga-nos" a observar cada detalhe dos minimalistas e sufocantes cenários destituídos de qualquer "cor viva" (que funcionam como "ferramenta dramática" no aterrador labirinto de lógica impenetrável). Tal austeridade estética engrandece esta (sublime) obra obscura destituída de qualquer vislumbre de redenção ou catarse. @jmikecosta
Acreditamos em Ti
4 estrelas
José Miguel Costa
O filme "Acreditamos em Ti" (galardoado no Festival de Berlim), realizado e escrito pela dupla belga Arnaud Dufeys e Charlotte Devillers, é um drama realista com uma (in)tensa carga emocional (sem quaisquer resquícios de voyeurismo/sensacionalismo, apesar do peso da temática abordada) sobre pedofilia em contexto familiar e as inerentes consequências que acarreta na dinâmica relacional dos elementos envolvidos (o filho de 10 anos, suposta vitima de abuso sexual; o pai, alegado agressor - ainda na condição de presumível inocente, dado o respectivo processo legal encontrar-se em curso - e a mãe superprotectora).
Expõe, igualmente, as fragilidades do sistema judicial, cujos procedimentos utilizados não protegem devidamente as vitimas, ao força-las a relatar/vivenciar repetida e pormenorizadamente os eventos traumáticos (bem como ao colocá-las cara a cara com o agressor no decorrer das prolongadas audiências prévias à tomada de decisão). A história, relatada sob a perspectiva da protagonista (a inconformada e ansiosa progenitora, encarnada visceralmente pela Myriem Akheddiou), insere-nos no espaço exíguo de uma sala de tribunal, para aí assistirmos ao esgrimir de argumentos das partes em litígio (acompanhadas dos respectivos advogados), perante uma juíza, com vista à obtenção da custódia sobre o menor (acção interposta pelo pai, contra a vontade da criança, que nutre um medo incontrolável pelo mesmo).
A força desta obra, que coloca os nervos do espectador em franja, é potenciada pela opção de filmagem em tempo real, num formato 4:3 e com recurso quase exclusivo a planos fechados, criando, desse modo, um ambiente claustrofóbico que não deixa escapar qualquer movimento facial dos intervenientes (refira-se, a titulo de curiosidade, que os profissionais judiciais em cena são actores não profissionais que representam o seu próprio papel - o que confere uma preciosa autenticidade). @jmikecosta
Kontinental '25
Kontinental ´25
Fernando Oliveira
Como é que na Europa em 2025 convivemos uns com os outros? E com aqueles que estão à margem, que fogem aos padrões definidos pelo nosso sentir e o nosso olhar? Ou, sendo cruel, como disfarçar o “varrer o lixo para debaixo do tapete”?
O filme, até no nome, terá como referência, ou inspiração, um filme de Roberto Rossellini, “Europa 51” (com Ingrid Bergman, sobre uma mulher rica que depois do suicídio do filho fica obcecada em ajudar os mais pobres), há até um cartaz desse filme numa cena deste, e é assim um retrato bastante doloroso da sociedade europeia neste século, um retrato “pintado” em Cluj, cidade na Transilvânia, na Roménia, mas que não deixa de ser igual aos de todas as cidades da Europa do bem-estar e modo de vida em “rebanho”.
Primeiro seguimos um desgraçado qualquer a percorrer os parques e ruas da cidade, o homem vive numa cave de um prédio, e nesse dia recebe a visita de uma funcionária do tribunal acompanhada pela polícia – tem de abandonar o local. Mas o homem nos vinte minutos que lhe dão para juntar os pertences suicida-se, enforca-se com um arame.
Orsolya, assim se chama a mulher (excelente Ezster Tompa) entra em crise pessoal, vacila, quer ficar sozinha, deixa de ir de férias com o a família para a Grécia. Vai falando com outras pessoas, uma amiga (e esta é uma conversa surreal e de uma crueldade absurda), a mãe, um antigo aluna da faculdade de Direito que é agora distribuidor de comida, um padre; em todos estes encontros a mulher lamenta-se do acontecido mas ressalva sempre a sua inocência aos olhos da lei.
O filme é isto, estas conversas (muito bem escritas e “difíceis”), filmadas em planos longos mas cheios de emoções. Um olhar que é só uma constatação, prefere não julgar nem os personagens nem a sociedade. E aqueles planos fixos das casas, dos parques, dos monumentos da cidade; aquele parque jurássico? No final, e antes de uma conversa com o padre sobre a posse (por causa de uma passagem na Bíblia, a diferença entre a posse material e espiritual), o antigo aluno convida-a para uma saída à noite.
Uma enorme bebedeira e uma queca no parque. Pouco depois, Orsolya está pronta para se juntar à família na Grécia. O lixo foi varrido para debaixo do tapete. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
Algo Velho, Algo Novo, Algo Emprestado
Algo velho, algo Novo,algo emprestado
Maria Santos
Saí a meio do filme...confuso e desinteressante...há anos que não saía a meio de um filme...






