Críticas dos leitores
Últimas
Conclave
Muito Fraco
Thomas
Pode-se dizer que este "Conclave" não dá em nada. O livro foi escrito por quem, pelos vistos, não percebe nada da complexidade das divisões entre conservadores, liberais e moderados no seio da Igreja. É tudo muito esquemático, simplista e maniqueísta. As personagens dos cardeais não têm espessura, apesar do bom trabalho dos actores.
Os aspectos positivos do filme, para além destes, são os cenários, o guarda-roupa, a banda sonora original, e pouco mais. O final, insólito, deixa abertas muitas questões, e expõe a agenda política e ideológica do filme. Classificação: 1/5
A Dança das Raposas
4 estrelas
José Miguel Costa
Camile, um jovem aprendiz de pugilismo num colégio interno desportivo (ao que tudo indica, de reinserção social - embora nunca seja feita menção explicita a tal facto), onde é percecionado pelos pares como a "estrela do pedaço", sobretudo por parte do seu melhor amigo (com o qual mantém uma relação de irmandade, desde a infância). Até ao dia em que sofre um grave acidente, do qual escapa com vida graças à intervenção heróica do seu bestie, que lhe deixa mazelas psicológicas (apesar da rápida recuperação física), que irão repercutir-se ao nível da sua performance desportiva e, por inerência, na dinâmica relacional grupal (inclusive, com o seu eterno pilar).
Confrontado com uma sinopse desta natureza julguei que “A Dança das Raposas” (primeira longa-metragem do realizador belga Valery Carnoy) não passaria de mais um banal (e lamechas) drama desportivo de superação. Não poderia estar mais errado (felizmente!), já que este foge a todos os clichés que, por norma, caraterizam tal género cinematográfico, enveredando pelo campo do realismo social cru (embora com umas pitadas lirismo narrativo, através da introdução de múltiplas cenas de cariz metafórico com uma omnipresente raposa) para explorar (com sensibilidade) as questões da vulnerabilidade/fragilidade e masculinidade tóxica em inter-grupos juvenis (presente ainda mais intensamente em contextos que induzem competição física, como é o caso do boxe).
Realce-se a performance (contida e profunda) do protagonista Samuel Kircher, bem como da generalidade intervenientes, todos eles actores não-profissionais. @jmikecosta
O Homem Tranquilo
Uma pérola dos 1950’s
Fernando Pimentel
Um filme soberbo e prazeroso de John Ford que é ao mesmo tempo um retrato documental da vida e das relações num país cristão em meados do século passado. Mesmo para uma película Fordiana é surpreendente ver como estão ali um humor e uma técnica cinematográfica que ainda hoje nos encantam e que não supúnhamos que já existissem nesta altura (meados do sec. 20) coisas como a forma de estabelecer a continuidade numa mudança de plano. E um memorável par romântico. Obrigatório. Passou na TV.
Entroncamento
Entroncamento
Ana Garcia
Excelente filme! Uma história original, bem contada, com excelentes atrizes e atores.
O Monte dos Vendavais
Vendaval contemporâneo
Ana
Cinematográfica, teatralmente brilhante.
Fackham Hall
Uma Comédia clássica (com "C" maiúsculo)
Vasco Morão
Este filme de humor à Inglesa consegue um ritmo contínuo de piadas como há muito tempo não via. O Humor faz lembrar o velho filme "Um Cadáver Para a Sobremesa - Murder by Death", tem um misto de Monty Pyton e até um pouco de Mr. Bean, lança-nos numa pista que imediatamente se transforma numa direcção completamente divergente, brinca desavergonhadamente com os trocadilhos de palavras e nunca se torna chato pela imprevisibilidade constante.
Por vezes é até genialmente literal, por exemplo, pergunta o inspector: quem foi a última pessoa a ver o assassinado em vida? Responde o mordomo: foi o assassino! Bem contado, agarra-nos à cadeira de princípio ao fim. Por mim, cinco estrelas!
As Ovelhas Detectives
Os valores não estão esquecidos
Vasco Morão
Este filme vem contra a corrente actual de contar um atabalhoado de situações em catadupa para prender a atenção do espectador. Pelo contrário, tem um desenrolar bem planeado, sem situações caóticas, sem "flash-backs" confusos, qualquer criança consegue seguir o fio da meada enquanto transmite valores educativos sobre a amizade, a união, o vencer dos medos.
A interface entre os animais e os humanos está apresentada de forma plausível e as peças do enigma policial encaixam na perfeição. Recomendo fortemente.
Projecto Global
Quase lá
Lucas
"Projecto Global" (soa a título de trabalho) está bem filmado. Até está bem escrito. Mas percebe-se que é uma série transformada em filme. A permanência do diálogo e o tipo de montagem lembram-nos constantemente que estamos a ver uma narrativa informativa. Parece que tiveram uma indecisão sobre que género de filme iam fazer e acabaram a fazer três estilos no mesmo. Mas até gostei.
A Providência e a Guitarra
Mais um bom exemplo
Lucas
Que o cinema Português já deu provas de audácia e originalidade, é mais do que óbvio. João Nicolau tem dado repetidas vezes origem a filmes únicos e incomparáveis dos quais este é, na minha opinião, o melhor, junto com a curta-metragem "Rapace". Os outros nomes que se destacam pela diferença não são difíceis de identificar.
A pergunta é porque será que a grande maioria ainda se contenta com um realismo documental passivo e com os mesmos temas de sempre: ruralidade gentrificada, clausura provinciana ou insular, figuras reais a fazer versões menos interessantes de si mesmas, hibridos docu-ficção que não acrescentam ao que é óbvio nas cenas que testemunham. Palmas para quem faz o que faz Nicolau (e outros).






