Críticas dos leitores

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Franz

3 estrelas

José Miguel Costa

O filme "Franz", realizado e co-escrito pela polaca Agnieszka Holland, é um biopic não convencional do icónico escritor checo Franz Kafka (num quase registo "kafkiano" - estranho seria se tivesse optado por uma abordagem linear, face à sua peculiar personalidade e Obra atormentada e "psico"). Trata-se de um fragmentado produto híbrido que foge da narrativa de época, oscilando num constante (e, por vezes, caótico) "vai-vem" temporal (não apenas entre a infância e a idade adulta do dito cujo, mas também com uns pulos até à actualidade, para expôr-nos perante imagens reais da mercantilização desenfreada da marca Kafka), e misturando, simultaneamente, comédia absurda (a titulo de exemplo, amiúde, os protagonistas quebram a chamada "quarta parede" e opinam directamente connosco) e linguagem documental. Para "ajudar à festa", ainda se aventura numa "dissecação" do imortal escritor, através de três blocos narrativos autónomos, que se vão entrelaçando entre si (de modo nem sempre eficaz): - um deles, iminentemente factual, vai desfiando os idiossincráticos traços de personalidade (as constantes inquietudes, as contradições de natureza diversa e as múltiplas obsessões) e eventos de vida mais marcantes (a conturbada relação com o progenitor, as inseguranças em relação ao sexo oposto e aos seus escritos - que mandou destruir - e a morte prematura consequência da tuberculose; - noutro são encenados pequenos trechos das suas obras, sob forma de sonhos, com o próprio protagonista como personagem central; - trechos da Praga do presente, para que assistamos à venda do Kafka aos turistas (que pouco, ou nada, sabem sobre o mesmo). Esta especificidade estilística, que engrandece a película, acaba, ironicamente, por ser, igualmente, o seu "calcanhar de Aquiles", já que prejudica o ritmo e coesão. Para além, de implicar uma certa superficialidade. Realce-se a notável performance Idan Weis, que encarna um enigmático Kafka.

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O Dia a Seguir

O Dia a Seguir

Maria Fernanda Teixeira Ferreira Ferreira

Muito bom.

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O Som do Nevoeiro

O Som do Nevoeiro

Sónia Ebert

A beleza das imagens, captadas como quadros, apanhando o momento, a lamparina acesa, bafejada pelo nevoeiro. Uma história de amor com muito amor até ao fim!

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18 Buracos Para o Paraíso

Excelente

Maria do Carmo Jorge

Foca os problemas do Alentejo actual. A cena final é brutal.

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Pelo Adam

3 estrelas

José Miguel Costa

O pequeno e frágil Adam (quatro anos) encontra-se internado, por ordem judicial, no serviço de pediatria de um hospital público (local onde se desenrola toda a acção), com medida de afastamento da jovem mãe solteira (que apenas poderá visitá-lo esporadicamente e devidamente acompanhada por um profissional de saúde), em virtude desta não alimentá-lo adequadamente, por uma questão de crença fanática (de natureza não especificada), o que acarretou um grave quadro de subnutrição. Apesar da notória incapacidade da progenitora para suprir as necessidades básicas do menor (até porque se recusa a mudar de padrão comportamental), o vínculo que os une é forte (quase obsessivo), pelo que a separação forçada se repercute no estado anímico deste, dificultando a desejável recuperação. Sensibilizada por tal circunstância, uma das enfermeiras séniores da organização (Léa Drucker), vê-se confrontada com um dilema moral que poderá comprometer a sua credibilidade profissional, já que, ao arrepio da opinião da restante equipa clínica, deixa de seguir à risca os burocráticos e rígidos trâmites legais que um caso desta natureza exige. Perante esta sinopse, facilmente se depreende que "Pelo Adam" (filme de abertura da Semana da Critica do Festival de Cannes), dirigido pela belga Laura Wandel, é um drama impregnado de realismo social, que não se limita ao tradicional foco clínico, ousando reflectir sobre os limites legais e a rigidez dos protocolos impostos pelo Sistema. Fá-lo adoptando um estilo documental que prioriza a observação crua, recorrendo para o efeito a uma câmara de mão "próxima" (quase sufocante) que deambula incessantemente pelos corredores do hospital. Apesar da (eficaz) tensão que nos induz, acaba por "bater continuamente mesma tecla" sem evoluções narrativas de relevo, não se preocupando, por ex., em dar-nos quaisquer pistas sobre o contexto socioeconómico desta família monoparental e/ou eventual desfecho do caso (cingindo-se exclusivamente ao "momento presente").

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Barry (Série)

Uma série extraordinária

Fernando Pimentel

Barry é um exemplo acabado de que o "streaming" não precisa de se render às receitas do costume. É uma série HBO maravilhosa, parcialmente inovadora, particularmente na forma como concilia drama, emoção, humor e personagens soberbos. Contagiante no uso da inteligência e da graça no embrulho de alguma violência inevitável num enredo de contornos criminais. Contemporânea na inclusão de tendências tech em simples mas soberbas piadas cinematográficas que surgem de onde menos se espera. Profunda na forma como lida com a teatralidade no guião e a ambiguidade dos personagens, nomeadamente o protagonista, dando-nos uma medida que se reconhece verdadeira sobre a dimensão humana, o carácter das pessoas. Há algum tempo que não dava comigo frequentemente a rir-me sozinho, visceralmente, em frente a um aparelho de TV. Tenho realmente muita pena de ter chegado ao fim. Se fosse um filme merecia repetição.

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Lawrence da Arábia

Lawrence da Arábia

Fernando Oliveira

É a quinta-essência daquele cinema com que os estúdios tentaram combater a alteração dos hábitos de consumo de imagens dos espectadores – por esta altura a televisão começava a substituir as idas ao cinema. A resposta foi produzir filmes com uma grandeza tal que fizessem sentido apenas numa sala de cinema, em ecrãs de tamanho também gigante. Filmes imensos em tudo, até na duração, épicas histórias de aventura e sentimentos grandiosos, narrativas, que tal como os lugares e os tempos, eram exóticas. E filmados, aproveitando os baixos custos de produção, em lugares fora dos EUA e naturais, fora dos cenários criados em estúdio. E realizadores importantes por lá passaram como Ray, Mann ou Mankiewicz. David Lean nunca foi um cineasta muito consensual e, no meu caso, pouco considerado talvez de forma um pouco injusta. Esta reputação deve-a essencialmente a alguns pastelões verdadeiramente insuportáveis que realizou: “A ponte do rio Kwai” e “Doutor Jivago” (reconheço que tenho uma boa memória de “A filha de Ryan” e “Passagem para a Índia”, filmes normalmente também não muito considerados). A verdade é que se começou a sua carreira quase como o homem que punha em imagens não apenas os argumentos mas, também, as ideias cinematográficas de Noel Coward – e alguns destes filmes são bastante interessantes: gosto bastante de “Sangue, suor e lágrimas” e “Uma mulher do outro mundo” – continuou a sua carreira com uma série de filmes de um classicismo sem mácula – “Breve encontro”, durante algum tempo considerado um dos melhores filmes de sempre, ou os dois filmes adaptando Dickens – que lhe deram um enorme prestígio, consagrado com o enorme sucesso de “A ponte do rio Kwai”. De todos os filmes desta “resposta” dos estúdios dois se destacam: “Cleópatra”, realizado por Mankiewicz em 1963 e este “Lawrence da Arábia”, de 1962; o primeiro porque usa essencialmente a força da palavra como definidora do caos emocional que o realizador nos mostra, sublinhando a força das convulsões da História; e este filme porque consegue conjugar intensamente a grandeza do ambiente e a importância dos acontecimentos históricos com o carácter do drama íntimo e a complexidade das escolhas do personagem principal – melhor, tanto um como o outro, fazem fluir os dois “lados” numa perfeita corrente narrativa e visual. Mas para esta escolha, que concilia o excesso épico e dramático dos acontecimentos com a “leitura” dos sentires da alma na força expressiva da representação, precisa de uma interpretação a roçar o sublime. Há muitos exemplos, mas Peter O'Toole; a interpretar T. E. Lawrence, oficial britânico que conseguiu unificar as tribos árabes numa revolta contra os turcos, com resultados decisivos na I Guerra Mundial; é extraordinário porque consegue “criar” aquele estranho agente de ligação entre o exército britânico e um príncipe árabe, como alguém que ao apaixonar-se pelo deserto e por quem lá viaja, perde quase todas as referências, e desperta outras, alguém que sente não pertencer a lado nenhum, mas alguém, lembrando as palavras do verdadeiro Lawrence, que sonhava acordado e por isso realizava os seus sonhos de olhos abertos, para os tornar possíveis. Porque se o deserto é o grande personagem do filme, é-o pela forma como os olhos de Lawrence, ou de O'Toole, o vêem. Como o deserto, a alma de Lawrence é um lugar solitário, que lhe vai secando a humanidade, naquela viagem até Damasco onde todas as ilusões são destruídas. Estes sentires de alma estão espelhados na forma absolutamente única com que David Lean os conjuga com as imagens do deserto em cenas absolutamente inesquecíveis, neste filme tão grandioso como magnífico.

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A Odisseia

A Odisseia

Darryl

Incredible movie, loved it!

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Mata-te, Amor

Die my love

Jose Velez

Salva-se, sobretudo, o génio de Jennifer L. Abaixo das expectativas.

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Sophia Setembro de 1963

Belo

Agostinho B.

Vi ontem este raro filme numa sessão especial. Sou emigrante e fiquei com vontade de levar e ler Sophia de Mello Breyner.

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