É impossível falar do novo filme de Woody Allen, sem ter em conta a restante obra do realizador, pelo menos para mim, que vi quase toda a sua filmografia. Woody Allen é um representante insaciável da filosofia niilista, ao mais puro estilo de Nietzsche. E neste seu “Whatever Works” a personagem de Larry David é mais um dos alter-egos desse mesmo Super-Homem amoral que o cinema de Allen tão bem corporiza. Neste filme, a inteligência de uma teoria de uma vida sem significado e movida pelo peso das circunstâncias e de uma aleatoriedade insana está presente como, de resto, tem estado presente em todos os últimos filmes de Woody Allen. É, de facto, uma visão que considero verdadeiramente inteligente e realista... enquanto filosofia... mas, enquanto cinema, este filme – e todos os últimos de Allen – peca pela iteração quase inebriante das mesmas temáticas. Ou seja, Woody Allen persiste nos mesmos objectos psicanalíticos e filosóficos, não sendo capaz de inovar, de modificar o registo, como se fosse incapaz de exorcizar as suas presentes obsessões (que são as mesmas de há vários anos atrás)... tornando-se, portanto, um realizador algo enfadonho, porque não possui o registo heurístico de um Bergman ou de um Tarkovski. Os seus filmes são, infelizmente, plágios uns dos outros, não deixando, no entanto, este seu “Whatever Works” de merecer ser visto... nem que seja pela verdadeira comédia que o incarna.
Luís Coelho