Cinecartaz

Rui Sousa

Desilusão

Depois de ler várias criticas positivas a este filme, fiquei finalmente com curiosidade de voltar a ver um filme de Woody Allen. Não se enganem, nada tem a ver com os filmes antigos dele, é verdade que em certa medida segue a linha das obsessões a que nos habituamos a ver nele, hipocondria, neuroses, medo de morrer, desprezo pela raça humana, a mania de perseguição aos judeus, etc. Porém isto tudo desenrola-se numa forma demasiado teatral e forçado por Larry David, tudo é demasiado previsível e, em algumas ocasiões, as situações parecem retalhos de filmes anteriores do mesmo dando uma aparência vulgar e artificial ao filme. A maior desilusão é mesmo o desempenho de Larry David, um actor que admiro bastante e uma das razões que me levou a ver este filme, porém, embora se possa encontrar bastantes semelhanças entre a filosofia e os maneirismos de Woody e Larry, a representação de Larry peca pela teatralidade, a agressividade e ao que me pareceu a tentativa de imitar Woody Allen, ao invés da genialidade de interpretação que Allen nos habitou. Os discursos de Larry são pouco inteligentes, tendo em conta que representa um quase Nobel da física, aliás até me pareceu nem perceber assim tanto de Física. O curioso é que Larry odeia clichés mas o filme todo pode ser considerado como um cliché aos seus próprios filmes.

Publicada a 08-02-2010 por Rui Sousa