Gangs de Nova Iorque

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Drama 168 min 2002 M/16 07/03/2003

Título Original

Gangs Of New York

Sinopse

Nova Iorque, 1863. A zona baixa de Manhattan é um lugar sem lei, dominado pela corrupção. A Guerra Civil divide o país e instala o caos. Mas os habitantes de Manhattan são obrigados a enfrentar outra guerra, uma guerra que se desenrola mesmo à porta das suas casas. Em Five Points, um dos bairros mais pobres da América - situado entre o porto de Nova Iorque e a zona da Broadway e a prosperidade de Wall Street -, bandos rivais disputam o controlo das ruas. Amsterdam Vallon (Leonardo Dicaprio), um jovem imigrante de ascendência irlandesa, regressa a Five Points para se vingar de William Cutting, conhecido como Bill, the Butcher (Daniel Day-Lewis), o líder de um grupo contra a imigração que matou o seu pai. O jovem irlandês sabe que só conseguirá cumprir os seus planos de vingança se se conseguir infiltrar no círculo de influências de Bill. No entanto, Amsterdam deixa-se também fascinar por uma ladra, Jenny Everdeane (Cameron Diaz), uma mulher, extremamente independente e bela. Mas o passado de Jenny ameaça complicar o seu plano de vingança. O percurso de Amsterdam transforma-se então numa luta tanto pela sua própria sobrevivência, como para encontrar um espaço para o seu povo. A luta atinge um crescendo febril durante os "Draft Riots" de 1863, no decorrer da Guerra Civil, o episódio mais violento de instabilidade urbana que a nação americana até aí conhecera. "Gangs de Nova Iorque" foi realizado por Martin Scorsese ("Taxi Driver", "O Touro Enraivecido", "A Cor do Dinheiro") e está nomeado para dez Óscares da Academia de Hollywood, entre os quais o de melhor filme, realizador, argumento original e actor (Daniel Day-Lewis). <p> </p>PUBLICO.PT

Realizado por

Martin Scorsese

Elenco

Daniel Day-Lewis, Cameron Diaz, Leonardo DiCaprio

Críticas Ípsilon

Envergadura quase religiosa

Luís Miguel Oliveira

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Um filme de que apetecia gostar

Kathleen Gomes

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Era uma vez na américa

Vasco Câmara

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Vénia retórica

Mário Jorge Torres

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Críticas dos leitores

Ricardo Pereira

Ao narrar a história de Amsterdam (Leonardo DiCaprio), que chega à Nova Iorque em meados do século XIX para se vingar de Bill the Butcher (interpretado com brilhantismo por Daniel Day-Lewis) - líder de um gang que domina a cidade e que 16 anos antes matara seu pai, Pastor Vallon (numa rápida participação de Liam Neeson) -, mas acaba se tornando companheiro de Bill em sua quadrilha e se apaixonando pela amante deste, Jenny (Cameron Diaz), Scorsese evoca vários de seus trabalhos anteriores. A mistura de imigrantes com nativos que formou o submundo da cidade e o preconceito com o primeiro grupo que levaria sua criminalidade se tornar ainda mais organizada estão claras em "Mean Streets" e "Goodfellas". A loucura das ruas, os resquícios da barbárie que fundou a civilizada Nova York está em "Taxi Driver", "After Hours" e "Bringing Out of dead”. A profundidade no tratamento da psicologia de Bill, deixando claro que não é tão fácil definir o comportamento de uma pessoa, se encontra também em "Raging Bull", "The King of Comedy” e "The Last Temptation of Christ”. E a cidade natal do cineasta, tão presente e importante em seus filmes, deixaria de ser coadjuvante para se tornar protagonista de um deles. E esse é um ponto que deve ser muito bem frisado. O filme de Scorsese não é sobre um garoto em busca de vingança. É sobre o nascimento de uma cidade, e, mais amplamente, de uma nação – a partir de um microcosmo, Nova Iorque, o filme traça o diagnóstico do todo, explicando sobre que bases os EUA se formaram, e como essas características que acarretaram problemas naquela época estão presentes até hoje, provocando os mesmos problemas. Scorsese derruba várias lendas caras ao imaginário americano, simplesmente mostrando a verdade. Nova Iorque, a autoproclamada capital do mundo, aquela cidade cheia de glamour e riqueza, foi fundada por um bando de gente pobre, suja, feia, porca e que não valiam o que comiam. A Guerra Civil Americana, o conflito em nome da liberdade dos escravos e dos direitos civis, que uniu a nação e lhe deu suas actuais feições, tinha enormes interesses económicos, e ninguém estava nela por ideais. Os Estados Unidos, um país tão isolado em si mesmo, que praticamente ignora a existência do restante do mundo, foi fundado por imigrantes irlandeses, chineses, alemães, poloneses... Está tudo ali: ódio racial, preconceito, falta de sensibilidade, arrogância, interesses económicos se sobrepondo aos sociais, eleições fraudulentas. Mostrar o que aconteceu há quase 200 anos se torna extremamente actual, pois se a situação agora não é diferente da época, poderemos ter o mesmo destino, só que em proporções muito maiores. É como se Scorsese dissesse sim aos seus conterrâneos, que todos aqui mostrados são grandessíssimos canalhas, mas são nossos antepassados, parte do que somos. O que quer dizer que talvez não sejamos tão melhores do que o resto do mundo, que eles também têm direitos. Sabendo no que deu tanto ódio e ganância, podemos fazer diferente, e nos tornarmos melhores que eles. Basta querer. Apesar de bastante violento, poucos filmes podem ter uma mensagem pacifista tão forte quanto este. A aparição do World Trade Center na cena final é emblemática desta postura de "vejam só no que deu tanta estupidez". Como projecto ideológico, "Gangs..." é, mais do que louvável, necessário. Como cinema, a história já é um pouco diferente. Mesmo com várias qualidades, o filme tem alguns defeitos que comprometem um pouco não só a experiência cinematográfica quanto a exposição da mensagem a que se propõe. O erro básico é o enfoque do roteiro. Para facilitar a identificação do espectador e o seu próprio trabalho, os roteiristas criaram a trama de vingança para servir de fio condutor. O problema é que o que deveria ser apenas um suporte, muitas vezes se torna o principal. Tudo piora ainda mais quando Cameron Diaz entra em cena. Nada contra a moça – cuja beleza é motivo suficiente para justificar sua presença – mas o que ela faz neste filme? Um interesse romântico e um triângulo amoroso nunca concretizado não ajudam em nada a contar a história. Ainda mais quando sabemos que Scorsese foi obrigado a cortar grande parte de seu filme, por pressão do chefão da Miramax, Harvey Weinstein. A total eliminação do personagem de Cameron seria uma boa opção, pois aí Amsterdam seria a metáfora perfeita – alguém que para combater o "mal" se junta a ele e acaba também provocando o mal, esquecendo suas raízes. A cena em que ele joga uma Bíblia no rio caracteriza bem isso. Dentro de uma tradição épica do cinema americano, “Gangs de Nova Iorque” pode ser visto como um “E Tudo o Vento Levou” às avessas, no qual, apesar de ambos se passarem durante o mesmo período histórico, o cenário rural é substituído por um ambiente urbano; ao invés da protagonista feminina que busca ao mesmo tempo condição social, estabilidade e amor, temos um herói movido pelo ódio, sendo que ambos certamente não são imbuídos de uma conduta ética para a concretização de seus objectivos e compartilham um inequívoco senso de sobrevivência. Temos, assim, dois lados de uma mesma América, opondo não somente os quadros geopolíticos de Sul e Norte dos EUA, então envolvidos numa guerra, mas também a visão romanceada e saudosista da história concebida por Margaret Mitchell à crueza de uma realidade onde impera a injustiça, a violência e o desgoverno. Esta comparação pode ser reforçada a partir do momento em que “Gangs de Nova York” faz uma citação explícita a “E Tudo o Vento Levou” quando, quase ao fim do filme, após os confrontos pela cidade, Jenny caminha entre os corpos com a câmara se afastando dela com uma panorâmica, de forma idêntica ao momento em que Scarlet O'Hara percorre a Atlanta devastada pela guerra. Scorsese começou a pensar em “Gangs de Nova Iorque” há mais de 30 anos, quando encontrou, na prateleira da casa de um amigo, com o livro homónimo de Herbert Asbury, escrito em 1928. Naquela mistura de reportagem e narrativa lendária, leitura obrigatória nos círculos de jovens enturmados dos anos 70, um Scorsese de vinte e poucos anos encontrou ecos de histórias que ouviu de seu pai quando criança, sobre a Big Apple de antigamente. Histórias que lhe ajudariam a compreender sua própria presença ali: um americano filho de italianos católicos, crescido em Elizabeth Street (centro da imigração italiana) e frequentador da catedral de St. Patrick (símbolo maior da imigração irlandesa).

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José Luís Viana da Silva

É um filme que não se vê à primeira. É um filme imenso, dá que pensar! As sugestões coerentes durante o drama quase que obrigam a parar a fita! Sai-se da sala de cinema sem palavras... ainda bem! No fundo, é essa a diferença entre grandes filmes e filmitos! O final é imprevisível, genial! O que poderia acabar numa babalidade termina com grande nível ficcional. Nas complexidades de sociedades a emergir, e não só, existem sempre muitas forças inter-cruzando-se! A imagem final é a democracia, o somatório de todas essas forças! A América nascida... Uma América feita por "estrangeiros", "estrangeiros" que pela mesma lógica de muitas forças, internas e externas, sai de si, do seu território, da sua "Five Points" actual, para o mundo... essas forças estendem-lhe a dimensão! A crueldade das imagens é real... a imagem toda do filnme são as palavras "impossíveis" de se dizer. Pelo meio uma história de amor como uma pincelada desnecessária e necessária ao mesmo tempo! Afinal o amor existe, a relação amorosa existe. Aqui ela é cruelmente uma relação condicionada... uma ficção freudiana no seio de duas vontades. Tudo uma avalanche, uma velocidade estonteante coerente... Só mesmo, como na cena do filme, o sentar-se numa poltrona e esperar que o filme vá acordadndo porque não nos apetece dormir. Cinco estrelas sem dúvida. Oscares?! Isso é um outro filme... Ainda há cinama que vale a pena!

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Pedro Maia

Um dia os “westerns” foram assim. Longe do duelo ao pôr-do-sol, longe das armas de fogo, longe do controlo altivo de um xerife autoritário e paternal. E isto faz muito pelo enredo de Gangs... porque realmente é disso que se trata, de uma América de antes-da-conquista-do-Oeste, antes dos Americanos, em que a América era ainda, personalizada em Nova Iorque: "uma fornalha onde um dia poderia ser forjada" uma nação. Assim, a vida destas personagens é extremamente rápida. Não há um momento a perder, tudo é vivido conforme a oportunidade aparece, e mesmo as piores notícias são prova da existência dessas personagens. Aliás, os jornais aqui surgem como via de comunicação entre a Alta e a Baixa (não a baixa comercial moderna mas a baixa portuária). O filme não tem muito de complexo, fica a ideia de que ficaram muitas pequenas histórias por contar, perdidas na inexorável montagem imposta pelo produtor De Laurentis. Porém é um filme que no fim tem o dom de nos deixar mais cultos sobre a América do que qualquer discurso dos seus actuais líderes. A ver!

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Paulo Santos

Não é desta que Martin Scorsese leva a estatueta para casa! Talvez consiga justificar a minha desilusão, com as expectativas criadas desde 1977 pelo próprio Scorsese. Mas de facto, o filme deixa a desejar em quase tudo... Salva-se apenas Daniel Day-Lewis, que justifica neste filme mais uma nomeação para melhor actor, de resto... Quando os fãs de Scorsese (e eu sou um deles) estão habituados a filmes como Taxi Driver, Raging bull, Goodfellas, entre muito outros, vêm um filme "destes", o desencanto é muito maior. Esperamos todos, os que gostam de cinema, que Scorsese recupere a "magia" que o destingue e o tornou num dos maiores realizadores de cinema de todos os tempos. Mesmo sem óscares na prateleira!

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SF

Este filme realmente é muito polémico. Tanto há pessoas que o acham espectacular (como eu), como outras que não acham nada de especial. Pessoalmente também acho que não é dos melhores filmes do S. mas a história em si prende o espectador ao ecrã. Mostra realmente o começo da cidade de New York e essa é a história e não, como já ouvi dizer, a história romântica (Dicaprio e Diaz). O fim está genial e a banda sonora merece o Oscar, juntamente com o Daniel D. L.

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Jorge Raposo

Um sem número de clichés e dejá vu; um argumento banal; dos actores escapa o Daniel Day Lewis e a espaços a Cameron Diaz. Talvez para os nova-iorquinos seja mais interessante uma vez que reflecte uma secção da sua história, mas, de resto... um Scorsese em muito má forma.

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Eduardo Sousa

De "Gangs de Nova Iorque" recordarei apenas a performance de Daniel Day-Lewis. No entanto, os cenários, o argumento linear e previsível e as doses de violência explícita (habitual nos filmes de Scorcese) não deixarão de agradar ao público das pipocas. Para quem viu "Era uma Vez na América" este filme deixa saudades... de Sergio Leone.

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António Moreira

Para tanta espectativa criada em torno de um filme nomeado para os Óscares, sobra apenas a excelente actuação de Daniel Day-Lewis: este sim, vale a estatueta.

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