Cinecartaz

MIGUEL COSTA

Scorsese "cor de rosa"

Scorsese (que diga-se em abono da verdade é um dos meus realizadores de culto) não é sinónimo de magia e sonho, pelo contrário, ele tem por hábito explorar/mostrar-nos o lado negro (ou, pelo menos, o cinzento) dos seus personagens (e para provar tal observação basta recordar alguns dos seus títulos mais emblemáticos, nomeadamente, "Shutter Island", "The Departed", "Casino", "A idade da inocência", "Cabo do medo", "A Última Tentação de Cristo" e "Toiro enraivecido"). Desta forma, a sua incursão num "mundo cinematográfico" ao qual é algo outsider a princípio estranha-se, mas o pior é que, mesmo com o passar do tempo, não se "entranha" por completo.

Não é que o filme não esteja filmado com a maior das mestrias (de facto, é um regalo para a visão - aposto que o Spielberg deve estar roidinho de inveja), ou que a história não tenha momentos verdadeiramente mágicos, todavia, falta-lhe "un je ne sais quoi" (talvez a interligação entre a homenagem que pretende fazer a um dos pais do cinema - Georges Méliès - e o "piscar de olho" a um público infanto-juvenil, através de um conto do tipo "Era uma vez...", não tenha sido feita com a melhor das "fitas adesivas"), o que impede que no seu todo o filme seja uma verdadeira "história de sonho". Acresce que neste género cinematográfico é pressuposto (ou deveria ser) a mente do espectador ter que "levitar e divagar", algo que não nos é permitido ao visionarmos esta película, na medida em que o realizador "nos dá"/explica tudo... e não era necessário Scorsese, pois nós também temos miolos para pensar/intuir!

Publicada a 23-02-2012 por MIGUEL COSTA