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O Estrangeiro

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Drama 122 min 2025 M/14 12/03/2026 FRA

Título Original

Inspirado num dos mais famosos romances de Albert Camus, publicado em 1942, este drama acompanha Meursault, um homem francês a viver na Argélia colonial de 1930 que leva uma vida em completa indiferença e apatia. Um dia, vê-se envolvido numa disputa que resulta na morte de um árabe com quem se cruza numa praia. Durante todo o processo em tribunal, será a sua incapacidade de demonstrar sentimentos — seja tristeza perante a morte da mãe, afecto pela namorada ou arrependimento pelo crime que cometeu — que se tornará o principal motivo da sua condenação à morte.

Em competição no Festival de Cinema de Veneza, esta obra a preto e branco tem a assinatura do aclamado e prolífico realizador francês François Ozon, também responsável por "Sob a Areia"(2000), "Oito Mulheres" (2002), "Swimming Pool" (2003), "O Tempo que Resta" (2005), "Dentro de Casa" (2012), "Franz" (2016), "O Amante Duplo" (2017), "Graças a Deus" (2018), "Verão de 85" (2020), Está Tudo Bem (2021), "O Crime É Meu" (2023) ou "Quando Chega o Outono" (2024). PÚBLICO

Sessões

Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

“O Estrangeiro”, novo filme de François Ozon, adaptação do romance homónimo de Camus, é um austero drama existencialista, sentimentalmente contido e profundamente humano, que reflecte sobre a moralidade individual (que se manifesta ao nível da conduta comportamental "visível" que emana para o Outro) e o modo como esta influencia as dinâmicas relacionais e a integração na Sociedade.

No entanto, não se limita a "descamar" esta temática. Nas entrelinhas ainda aflora a questão dos abusos de natureza diversa perpetrados pelas nações colonizadoras nos territórios por si invadidos e explorados em benefício próprio, desprezando as especificidades culturais dos locais (neste caso, França versus Argélia).

O prólogo brinda-nos com imagens de arquivo de Argel, na qual aparentemente as comunidades ocidentais e árabes coexistem harmoniosamente, embora na realidade estas não se entrecruzem e não sejam detentoras dos mesmos direitos.

O filme, cuja acção decorre nos anos 1930, está estruturado em duas partes. Na lenta fase inicial (povoada por silêncios) somos integrados no inócuo quotidiano de Meursault (encarnado por Benjamin Voison), condição necessária para assimilarmos o modus operandis de um solitário e discreto jovem adulto francês que, para além de não manifestar qualquer tipo de emoção nos mais díspares contextos (numa crónica indiferença pelo "pulsar do mundo"), é dotado de outra característica desarmante (jamais mente).

Na segunda fase assistimos ao julgamento deste homem pelo assassinato de um árabe por motivo fútil (não se trata de spoiler, tal é-nos comunicado logo à partida, sendo que os eventos prévios são transmitidos por flasbacks). Todavia, mais que punir o crime (considerado de gravidade menor), tentar-se-à aferir o carácter do homicida (alheado de códigos sociais), para tentar compreender, por ex., a ausência de lágrimas aquando do funeral da mãe, ou o descaso em relação à futura decisão do juiz.

Ozon filma-o com uma precisão clínica, através de uma câmara em permanente flirt com o indefinível ser, para não perder qualquer resquício da sua expressividade. Fá-lo de modo formalmente refinado, num preto-e-branco saturado de luminosidade, em formato 4:3. @jmikecosta

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