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Terra da Abundância

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Drama 114 min 2004 M/12 28/10/2004 EUA

Título Original

Land of Plenty

Sinopse

Em Los Angeles, dois esquecidos da América encontram-se na procura da verdade. Ele é Paul, veterano da guerra do Vietname, patriota ferveroso. Exposto ao agente laranja quando foi Marine, sofre de graves problemas psicológicos e paranóia aguda. Após o 11 de Setembro, que o fez reviver o passado, convence-se que a América se encontra em estado de guerra. Defensor acérrimo do seu país, decide patrulhar as ruas da cidade numa carrinha equipada com microfones e câmaras que aponta a quem lhe parece suspeito... Ela é Lana, uma jovem profundamente cristã que decidiu viver a sua vida de acordo com a sua crença. Depois de vários anos em África e no Médio Oriente, regressa aos Estados Unidos para entrar numa missão católica que presta ajuda aos sem-abrigo. Tenta, também, saber onde está Paul, seu tio... Apesar de terem uma visão do mundo radicalmente diferente, Paul e Lana aprendem, pouco a pouco, a aceitarem-se. Mas é o assassinato de um sem-abrigo paquistanês, que testemunham involuntariamente, que os vai aproximar: determinados em descobrir a verdade, tio e sobrinha fazem-se à estrada... "Terra da Abundância" é o último filme de Wim Wenders e foi apresentado no Festival de Veneza de 2004. Wenders faz um filme sobre a América e utiliza a ficção para falar dos assuntos que o tocam enquanto europeu que vive e trabalha nos Estados Unidos, sem nunca acenar com panfletos políticos ou religiosos.<p/>PUBLICO.PT

Críticas Ípsilon

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Críticas dos leitores

O outro lado existe

Gonçalo Sá - http://gonn1000.blogspot.com

Como "A Última Hora" ("25th Hour"), de Spike Lee, ou "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore, podem confirmar, os trágicos eventos do 11 de Setembro inspiraram novas perspectivas cinematográficas sobre a América contemporânea. Num período algo tenso e imprevisível, também Wim Wenders proporciona um olhar sobre a nação do Tio Sam com "Terra da Abundância" ("Land of Plenty"), focando atmosferas onde se movimentam os párias e "outcasts", figuras de um lado pouco visitado e divulgado. O realizador de "Paris, Texas" ou "Buena Vista Social Club" aborda a relação de Lana (Michelle Williams), uma jovem idealista missionária, e Paul (John Diehl), veterano do Vietname assombrado por alguma paranóia.<BR/><BR/>Regressada de uma missão em África e no Médio Oriente, Lana chega a Los Angeles para auxiliar os sem-abrigo e procurar o seu tio. A aproximação dos dois protagonistas evidenciará os contrates entre a busca de esperança ou a espiral descendente gerada pela obsessão e desconfiança exacerbada. Dividido entre a harmonia etérea e a tensão claustrofóbica, o filme combina traços do "road movie" e do drama familiar, apresentando um estilo realista, contemplativo e próximo do documentário.<BR/><BR/>Ao contrário da vertente polémica e sensacionalista de um "Fahrenheit 9/11", "Terra da Abundância" adopta tons mais poéticos e apaziguados, ainda que pontuados por doses consideráveis de melancolia e desespero. Também não paira por aqui um americanismo exagerado e saloio, presente em tantos filmes americanos que exaltam as ilimitadas qualidades da nação (talvez porque esta obra é produto de uma perspectiva de um europeu). Pelo contrário, a película exibe momentos de desencanto e amargura a par de ambientes mais reluzentes a espaços, debruçando-se sobre as múltiplas culturas que constituem o tecido humano americano. A realidade que Wenders expõe nem sempre é aprazível e fácil de contemplar, evidenciando a vertente mais escondida e negra do "sonho americano".<BR/><BR/>Apesar do retrato que o cineasta alemão oferece ter os seus momentos de relevo, o filme é prejudicado por um ritmo demasiado lento e arrastado, e a partir de certo ponto nada mais há para mostrar do que a repetição de ideias e questões. O que começa como uma obra promissora torna-se num filme desequilibrado, inconstante, excessivamente longo e, por isso, acaba por proporcionar mais doses de monotonia do que de desafio. O argumento, demasiado esquemático, não chega a entusiasmar, e os conflitos dos protagonistas aproximam-se de modelos estereotipados.<BR/><BR/>Embora Wenders gere algumas cenas de envolvente sobriedade - complementadas pela interessante banda sonora, que inclui Leonard Cohen, David Bowie ou o quase desconhecido Thom -, esses ocasionais momentos de inspiração não são suficientes para sustentar um filme que se torna insípido e pouco estimulante. Ainda que seja mais consistente do que a maioria dos esforços recentes do cineasta, "Terra da Abundância" possui uma boa premissa para a qual faltou, infelizmente, uma execução à altura. Classificação: 2/5 - Razoável.
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Uma opinião sincera

Pedro

Fiquei muito desiludido com este filme. Achei a história muito pobre, a interpretação fraca e, do ponto de vista técnico, deparei com um filme mal realizado com uma cor e som de baixa qualidade.
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A intelectualidade europeia

vg

Wenders faz mais um excelente filme, omitindo, como é habitual entre os europeus, que o problema das armas de destruição andava a ser discurtido na ONU desde 1992 e não foi apenas o resultado da paranóia de um ex-combatente do Vietname. E se o espaço do "ground zero" é, desoladamente, apenas um grande estaleiro, o acontecimento foi um golpe profundo no orgulho da grande potência. Golpe provocado por um grupo de esquálidos fanáticos islámicos, como os que vão à sopa dos pobres da Missão. Mas estas fantasias, que reflectem frustações intelectuais de vária ordem, não impedem um filme muito bem conseguido, com um excelente final na canção de Leonard Cohen. O drama, o verdadeiro drama, é que assisti a este filme como espectador único, ao início da semana, no Palmeiras de Oeiras. Não há Wenders que salve este deserto lusitano...
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Um olhar humano sobre a realidade americana

Maria Raquel Silva

Eu penso que para entender a mensagem deste filme na sua totalidade é necessário ter um experiência vivencial na América. Não basta partir de ideias estereotipadas fundamentadas num anti-americanismo piroso europeu, principalmente português, país cujos habitantes demonstram uma ignorância "autista" quanto ao outro. Wim Wenders construiu um filme lindo, com um conteúdo metafórico de religiosidade (como exemplo as imagens de uma natureza panteísta na travessia do caminho até Nova Iorque). Ele capta a visão panteísta da natureza que os americanos sentem, (para tal, basta ver o respeito pela natureza retratada nas suas pinturas românticas). Como tal, o realizador transmite-nos essa visão através das belísimas imagens dessa grandiosa natureza que marca a identidade americana.<BR/><BR/>Lana, a jovem que desembarca em Nova Iorque vinda da Palestina onde ajudava os infelizes colhidos pela guerra, representa o espírito de missão de muitos americanos espalhados pelo mundo. Uma jovem que volta à sua terra natal cuja realidade ela desconhece. Mas ela sabe da existência da extrema pobreza que pode acontecer numa das regiões mais ricas do mundo, a Califórnia - em Los Angeles, a meca do cinema, onde podemos ver as lojas mais dispendiosas, as mansões de milhões de dolares, as pessoas mais bizarras e depravadas que habitam no lado oposto da maior das misérias dos sem abrigo, maioritariamente negros, separados por fronteiras enormes de asfalto que retalham aquela area em várias comunidades étnicas que não se misturam.<BR/><BR/>Não há "melting" pot, uma das grandes mentiras da Casa Branca. Isto podemos "ver" na terra da abundância, a pobreza de um abrigo coordenado por um reverendo negro, um cozinheiro negro, comensais negros e uma jovem branca recém-chegada de outra guerra étnico-religiosa. No lado oposto, uma personagem paranóica, Paul, veterano da guerra do Vietname, símbolo da derrota americana, que não consegue esquecer os graves traumatismos sofridos numa guerra imposta a tantos jovens que nem sabiam porque é que estavam a lutar.<BR/><BR/>A isso Paul "arranja " um argumento bushiano para defender sua participação numa derrota dizendo "não perdemos a guerra porque conseguimos evitar que o comunismo se espalhasse mais". A paranóia de Paul, super-vigilância a todos aqueles que poderiam ser possíveis terroristas, representa o pior da América - Bush e a sua administração -, que desde o 11 De Setembro têm aterrorizado o povo americano com constantes possíveis ataques terroristas com os slogans "eles não gostam do modo com vivemos". Um povo que passou a viver sob o medo do "outro" que tem uma cor mais morena, que vive por detrás de janelas, de vídeos, internet, numa fobia de pânico de serem atacos de novo. <BR/><BR/>Paul e os outros brancos representam as marionetes que a Casa Branca conseguiu manietar à custa da sua propaganda feroz simbolizada pela bandeira. A crítica aos média americanos que apenas transmitem a palavra do "master's voice" Bush, apresentada de uma forma magnífica numa cena de uma senhora de idade presa numa cama e que só consegue ouvir aquele canal de televisão que apenas comunica a palavra de Bush.<BR/><BR/>A compreensão de um "estrangeiro " (o realizador) pela dor de inocentes, que perderam a vida no 11 de Setembro, é o culminar do conflito, a catarse destas duas personagens - sobrinha e tio - que, em campos opostos, tentam compreender-se e ultapasssar os conflitos familiares e políticos, olhando e "ouvindo" as vozes dos inocentes mortos no Ground Zero. Não é por acaso que o filme termina com o tio e a sobrinha no Ground Zero, é a mensagem final de esperança que aquele grande país, tão contraditório, mas também tão cheio de amor, se possa encontrar de novo, sem guerra.<BR/><BR/>Tudo isto foi dito de uma forma objectiva e directa no "Farenheit 9/11" por Moore, cujo comentário recebeu os maiores elogios e o prémio de Veneza. Wim Wenders diz o mesmo de uma forma poética, através de uma fotografia belíssima que dialoga com o espectador. O filme recebeu uma crítica frouxa dos nossos críticos, que pouco conhecem da América porque nunca lá viveram, mas como o filme não é explicitamente anti-americano saloio, já não merece uma leitura mais profunda. Como diz o "Inimigo Público", um crítico de cinema intelectual tem de se mostrar contra o cinema americano, mesmo quando feito por um europeu. Que provincianismo saloio!
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Abundância de talento

Carlos Antunes

Eu confesso-me um incondicional de Wim Wenders. Adoro "Paris, Texas", "As Asas do desejo", "Lisbon Story", "O Amigo Americano", "Buena Vista Social Club", "Nick's Movie"”, "The End of Violence", "Until the end of the world". Mesmo o "O Hotel" (que parte de uma ideia sem muito interesse e se desenvolve aos tropeções – culpa de Bono, não de Wenders) é um filme de que não consigo deixar de gostar. Isto para afirmar desde já uma possível parcialidade ao tentar falar sobre "Terra da Abundância". Começa o filme com duas personagens completamente díspares mas que se adivinha virem a confrontar-se / encontrar-se ao longo do filme. Talvez haja já quem arrisque acreditar que o filme será previsível, mas engana-se.<BR/><BR/>As personagens são deixadas, inicialmente, como complemento a uma viagem desmoralizante e crítica pela América pós– (mas fica sempre a ideia de que vem de muito antes) 11 de Setembro e pelo mundo. Nesta fase Wenders filma o aterro humano e político que se tornou L.A. e alia-lhe um humor subtil que serve a crítica de forma maravilhosa.<BR/><BR/>Depois, o filme torna-se no encontro de duas almas, tanto uma com a outra como uma (a de Lana) com a América e outra (a de Paul) com um mundo para além da América como a conhecemos pós-11 de Setembro. Há aqui um pouco de "road movie" e Wenders faz com cada vez mais talento o que já fizera em "Paris, Texas" com os desertos, tornando uma paragem inóspita num local de filmagens perfeito e belo. Mas sobretudo, há aqui um intimismo subtil e em crescendo que é uma delícia e que deverá ser usado como ensinamento para tudo o que o Cinema deve ser.<BR/><BR/>Neste ponto já deve haver quem pense que este é um filme sobre o 11 de Setembro (ou pelo menos o período que se seguiu). Pois desengane-se. Este é o filme que veio expurgar todos os demónios do 11 de Setembro e, pelo caminho, dar a perceber a quem ainda não o tivesse feito que o mundo é mais do que a América e que nenhum povo é igual às pessoas sem escrúpulos que dele fazem parte. Se "25th Hour" foi o primeiro filme que se debruçou sobre o 11 de Setembro, este pode muito bem ser o último. Foi preciso um Europeu para esta missão.<BR/><BR/>Mas escapemos ao que o filme é e falemos dos que o fazem. Este é, claramente, um filme de Wenders o que é o mesmo que afirmar que este é um filme de um génio. Wenders mostra que sabe tratar a câmara como poucos. Cada plano é de beleza e talento inigualáveis. Michelle Williams (que muitos conhecerão apenas da série "Dawson’s Creek") mostra aqui que é uma actriz de grande futuro. Num registo onde conta, quase sempre, apenas com a cara para se expressar, ela consegue (re)produzir emoções com uma veracidade que muitas actrizes vencedoras de Óscar gostariam de ter.<BR/><BR/>A maneira como usa os olhos dá a cada cena uma dimensão de realidade que nos assombra tanto quanto nos emociona. Alguém lhe dará o Óscar? Quanto a John Diehl, ele consegue, numa personagem que arrisca sempre uma interpretação estereotipada e (estupidamente) exagerada, um registo de contenção que o torna quase perfeito. Um filme de cinco estrelas, de nota 20, de dois polegares para cima. Um filme de génio para figurar logo ao lado de "Paris, Texas" e "As Asas do Desejo". Um filme a não perder!
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