O Mago do Kremlin
Título Original
Realizado por
Elenco
Sinopse
Adaptação da obra homónima do ensaísta e conselheiro político Giuliano da Empoli (entrevistado por Teresa de Sousa em 2023 e 2025), que lhe valeu o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa, este filme segue o percurso de Vadim Baranov — personagem inspirada em Vladislav Surkov (nascido em 1964) — no período que se seguiu à dissolução da URSS, que ocorreu a 26 de Dezembro de 1991, quando foi reconhecida a independência das antigas repúblicas soviéticas.
Com Paul Dano no papel de Baranov e Jude Law como Vladimir Putin, o filme mostra como um antigo produtor de televisão se torna conselheiro de Putin e responsável pela construção de uma máquina de propaganda ao serviço da recém-formada Federação Russa.
Realizado e escrito por Olivier Assayas (autor de "Paris Desperta", "Os Destinos Sentimentais", "Depois de Maio", "As Nuvens de Sils Maria", "Personal Shopper", "Vidas Duplas" ou "Wasp Network - Rede de Espiões"), este "thriller" político revela os bastidores do poder e os mecanismos de propaganda que são usados para formar novas ordens políticas. No elenco secundário surgem Alicia Vikander, Tom Sturridge, Jeffrey Wright, Zach Galifianakis, Andris Keišs, Anton Lytvynov, Will Keen, Matthew Baunsgard, Alexander M. Johnson, Anastasia Sutter e Magne‑Håvard Brekke. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
O Mago do Kremlin: Putin flã
Concentrado sobre a Rússia pós-soviética. E Jude Law como Putin? Francamente...
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3 estrelas
José Miguel Costa
O novo filme do realizador francês Olivier Assayas (“O Mago do Kremlin”) é um thriller político com uma forte componente psicológica (filmado em cinemascope) que, misturando factos reais e ficção, mergulha na Rússia do início dos anos 1990 (em caótica redefinição político-social, após o recente colapso da URSS) para mostrar-nos os bastidores do poder que levaram à metódica (e meteórica) ascensão de um desconhecido (e pouco carismático) ex-espião do KGB à condição de Czar omnipresente (Vladimir Putin – interpretado por um contido Jude Law).
Mais do que concentrar-se em enumerar eventos históricos, Assayas expõe os estratégicos mecanismos invisíveis que sustentam o poder, nomeadamente ao nível da construção das histórias/narrativas populistas a veicular pelos meios de comunicação social às massas sedentas por um líder autoritário que restitua à pátria a glória perdida.
Baranov, conselheiro político de Putin (personagem fictício construído à imagem de um assessor real do “homem de ferro”) é-nos apresentado como mentor deste “modelo” de manipulação política da população através do controle das suas perceções da realidade (“alternativa”). Por consequência, o enredo da obra basicamente passa por explanar a relação simbiótica criada, ao longo dos anos, entre estes dois implacáveis indivíduos calculistas (sendo que as peripécias/factos históricos que uniram irreversivelmente esta dupla são verbalizadas, em voz off, pelo próprio “criador do monstro” – que 15 anos depois de “reformar-se” decide quebrar o silêncio, relatando, de uma assentada, as suas memórias a um escritor americano, com o qual não possuía qualquer relação prévia).
O conteúdo da narrativa algo cerebral (apresentado sem recorrer à dramatização excessiva e/ou picos artificiais de tensão) é indiscutivelmente apelativo e didáctico, até porque o Putin continua a ser uma das peças chave da geopolítica mundial. No entanto, perde impacto devido à quantidade de informação transmitida de modo excessivamente episódico (e o seu final apressado e “fácil” também não o favorece). De igual modo, acaba por ficar “ferido” devido a um aspecto central demasiado inverosímil: porque raio o homem mais discreto do Sistema decide, “do nada”, abrir a boca, enquanto beberica um café? @jmikecosta
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