Fragmentado
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Elenco
Sinopse
Críticas Ípsilon
23 alter-egos à procura de M. Night Shyamalan
Fragmentado é um filme ocupado menos pela poética de desordem de uma personagem do que pelo pragmatismo publicitário de um realizador, que quer anunciar que está vivo e no controle.
Ler maisO mundo quebrado de Shyamalan
Em Fragmentado M Night Shyamalan tem algumas ideias sobre como voltar a cair em boas graças, e são as mesmas que Hollywood põe em prática há décadas: a auto-reciclagem.
Ler maisCríticas dos leitores
Fragmentado
Fernando Oliveira
ESCRITO NA ALTURA DA ESTREIA
Se algo define o Cinema de M. Night Shyamalan é levar o que é narrado até ao limite da incredulidade, pedir a quem os vê que acredite na verdade do filme. Ele, que é um dos mais autênticos crentes da ideia de que um filme não tem que copiar a vida e os seus convencionalismos, mas antes expor pela forma como conta as histórias a perturbante complexidade e os fantasmas, muitas vezes inconfessáveis, que habitam todos nós; exige dos espectadores dos seus filmes uma visão quase religiosa, de fé, para acreditar que as suas histórias fantásticas e fora dos domínios da razão são ao mesmo tempo um espelho dessa desordem.
E é uma história sobre uma desordem psicológica que “Fragmentado” conta: no personagem (s) que James McAvoy interpreta coabitam 23 identidades, cada uma muito diferente entre si. Um deles, Barry, que pensamos ser o dominante - o que interage com a Dr.ª Fletcher (que tem uma ideia muito própria sobre esta doença, acredita que estas pessoas são mais evoluídos que os outros humanos porque conseguiram aumentar as capacidades do cérebro) – mas que se deixou dominar por um outro, Dennis, que é o responsável pelo rapto de três adolescentes à saída da festa de anos de uma delas (espantoso momento a sequência do rapto, que nos é sugestionada e mostrada apenas por aquilo que é cinema: os movimentos da câmara, a montagem, o som…). Há ainda Patricia, cúmplice de Dennis, e Hedwig, que é uma criança no corpo de Kevin (o nome real do personagem).
As jovens tentam reagir; e uma delas, Casey, consegue relacionar-se com o raptor (sabemos no início que tem um comportamento rebelde e associal na escola, e o realizador faz-nos recuar à criancice dela para ficarmos a saber que o pai morreu, e que ela vive com um tio que a violenta – recuos que são tão perturbantes como o presente da história), mais com Hedwig. É através dele que ficamos a saber que uma 24ª identidade está a chegar, as outras chamam-lhe a Besta, e a jovens serão o seu alimento…
O “nascimento” desta 24ª é que vai exigir de nós a tal suspensão da descrença: se a nossa mente acreditar que temos capacidades sobre-humanas, será que o corpo as desenvolverá? Percebemos aí os recuos à infância de Casey, quando a Besta assume o controlo é a única que lhe sobrevive, ele vê nela as cicatrizes (infligidas pelo tio, ou por ela própria?), ela é tão pura quanto ele…
Shyamalan é hábil a evitar que a história deslize para o ridículo, o filme é muito bom nas suas formas; e os actores são magníficos: James McAvoy evita sempre no limite o excesso interpretativo que uma personagem como esta quase exige; Anya Taylor-Joy (que nos tinha surpreendido em “A Bruxa”, um razoável filme de terror) é notável a mostrar aquele medo controlado à beira do descontrolo, a força que nasce do sofrimento que já experimentou; e Betty Buckley. No final de “Fragmentado” a palavra “broken” faz a ligação a “Unbreakable”, o filme que M. Night Shyamalan fez em 2000 sobre uma personagem que não adoecia ou feria. Tal e qual como a Besta. Vamos esperar pelo próximo filme de Shyamalan: “David contra a Besta”. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
Shyamalan back on track!
Rui Plácido
1 estrela
Isabel
1 estrela
JOSÉ MIGUEL COSTA
3*- Dupla Personalidade...
Luis
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