O Pianista

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Drama 148 min 2002 M/16 13/12/2002 FRA, ALE, POL, GB

Título Original

The Pianist

Sinopse

"O Pianista" é baseado nas memórias de Wladyslaw Szpilman, um brilhante pianista judeu polaco que descreveu, num livro escrito imediatamente no pós-guerra, as memórias da sua luta pela sobrevivência durante o Holocausto nazi.<br/> Szpilman (interpretado no filme por Adrien Brody) viveu no gueto de Varsóvia (totalmente recriado no filme, tal como era entre 1939 e 1945), onde partilhou os sofrimentos, as humilhações e as lutas do povo judeu. Após a destruição do gueto, conseguiu escapar à deportação, refugiando-se nas ruínas da capital. <br/> Com "O Pianista", Roman Polanski levou para casa a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2002. O cineasta, que durante a infância viveu no gueto de Cracóvia, confessa, na nota de intenções, que sempre quis fazer um filme sobre este período doloroso da História da Polónia, mas nunca quis que fosse autobiográfico. Quando leu as memórias do pianista, que lhe pareceram tão fortes e autênticas e ao mesmo tempo tão frias, soube que aí estava a história do seu próximo filme.<p/>PUBLICO.PT

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Críticas dos leitores

Os Fantasmas de Polanski

Ricardo Pereira

O realizador Roman Polanski reencontrou alguns fantasmas do passado em seu novo filme, “O Pianista”, um relato dolorido, mas sóbrio, das experiências vividas pelo pianista Wladyslaw Szpilman no gueto de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial. A reconstituição do gueto, com suas casas imundas e moradores acovardados e abatidos, é impressionante. Pelas ruas, multidões de homens, mulheres e crianças perambulavam em busca de informações sobre seus parentes desaparecidos e de algum resto de comida. Crianças e velhos mortos de inanição eram obstáculos nas calçadas, ultrapassados por quem tentava se manter em pé. O filme acompanha a descida ao inferno do brilhante pianista Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody), impedido de exercer seu trabalho por ser judeu e lançado no gueto com sua família. A luta pela sobrevivência faz com que aceite qualquer trabalho em troca de comida, incluindo estafantes jornadas na construção civil. Protegido por amigos da resistência polonesa, passa os últimos anos da guerra escondido em apartamentos, onde não pode nem abrir as janelas e depende totalmente de ajuda externa para se alimentar. A actuação comovente, porém contida, de Adrien Brody que rendeu ao actor o Óscar neste ano é também o principal responsável pelo impacte que o filme de Roman Polanski causa à plateia. O drama da sua personagem não é maior nem menor do que o das demais vítimas do holocausto, mas seu rosto confere ao pesadelo colectivo uma dimensão particular, como se todos os dramas se resumissem apenas em sua própria história. O filme de Polanski também é feliz em retratar aspectos pouco abordados do gueto de Varsóvia, como a resistência de intelectuais e trabalhadores judeus através do trabalho clandestino em pequenas gráficas e em atentados terroristas quase solitários contra instalações militares na Polónia ocupada. As imagens do país devastado pelos bombardeios, nos momentos quase finais do filme, é uma moldura que acompanha o espectador, mesmo sabendo que a história de Szpilman teve um final feliz. Nascido em Paris, filho de pais judeus, Polanski retornou à Polónia quando tinha dois anos. Depois de escapar do gueto, passou a guerra vagando sozinho pela Polónia ocupada. Seus pais foram deportados para um campo de concentração, onde sua mãe morreu. Como "Schindler’s List", "O Pianista" mostra as crueldades perpetradas pelos nazistas contra a população judaica. Mas o filme se abstém de atribuir culpas. Talvez a história de Szpilman não seja tão diferente de outras, já tantas vezes contada em filmes. É possível também que Polanski não seja um inovador na maneira de contar essa tragédia colectiva por meio de um caso individual. Mas, atenção: há mudanças de tom, de registro, de entonação – que fazem de “O Pianista” um caso particular na vasta filmografia consagrada ao Holocausto. Os diferenciais, a meu ver, são a já comentada actuação de Brody, a realização despojada de Polanski, e a visão mais complexa do gueto e do inimigo. Boa parte do filme é consumido naquilo que é inevitável. Há uma vida normal, pessoas comuns, honestas, criativas. E essa vida é destroçada pela prepotência bélica de um país. Há também a cena potencialmente polémica em que um oficial alemão descobre Szpilman escondido no gueto e, em vez de denunciá-lo, o protege. O facto é que o alemão é também um personagem real, Wilm Hosenfeld, que depois da guerra desapareceu num campo de prisioneiros russo. No livro que escreveu – e no qual se baseia o filme – Szpilman nunca se coloca como herói, mas como um sobrevivente acidental, um homem que por ironia do destino deve sua vida ao inimigo.
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Verdade ou Consequência

Sebastião Corte-Real

Na minha opinião este filme não passa de uma projecção pseudo-freudiana que vem interpelar uma realidade dúbia que mais do que um relato histórico é uma fantasia não comprovada. Ao bom estilo do famoso realizador podemos assistir a um drama hiperbólico de vertente auto-flagelante.
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Contra o Esquecimento

innersmile

"O Pianista" é um filme doloroso. Roman Polanski pediu emprestada a história de Wladyslaw Szpilman por forma a ganhar para a realização a distância necessária para poder contar uma história que, afinal, lhe está tão próxima, sendo ele próprio um sobrevivente do holocausto e do gueto de Varsóvia. Como em "Se Isto É Um Homem", de Primo Levi (que esteve sempre presente no meu espírito enquanto via o filme), a ausência de um julgamento moral em relação aos perpetradores do crime hediondo (os “maus” no filme de Polanski são os alemães, os polacos e os próprios judeus; tal como os “bons” são judeus, polacos e até alemães) evidencia mais, e mais secamente, o horror, o absurdo do horror, que é levar um ser humano para além do grau máximo do sofrimento e da humilhação. Algumas das sequências do filme ficarão sempre guardadas como improváveis (e impossíveis) representações desse horror. O filme constrói-se como uma peça musical, em andamentos, cada um com o seu tema e cor dominante, e cada um mais dramático que o anterior. Num primeiro andamento, somos surpreendidos pelo lento mas inexorável avanço da besta, assistindo, tão atónitos como os protagonistas, ao progressivo cercear dos direitos dos judeus, ao cerco que lhes movem os ocupantes até ficarem encurralados (emparedados, no sentido literal do termo) no gueto. Este andamento termina com a trágica entrada dos familiares de Szpilman para o comboio que os levará ao extermínio de Treblinka, sendo o próprio pianista resgatado "in extremis" por um colaboracionista a desempenhar as funções de polícia judeu — a prova de que não é fácil separar com clareza quem são, a nível individual, os bons e os maus. O segundo andamento acompanha Szpilman enquanto prisioneiro no gueto, um objecto destituído de qualquer valor e cuja sobrevivência parece depender mais de um acto de crueldade por parte dos seus algozes do que propriamente de um acto de misericórdia. É o andamento do filme em que a violência atinge o seu expoente máximo, como se fosse um muro de chumbo que cerca Szpilman e o faz mergulhar numa infinita noite de terror. O último andamento segue a existência clandestina do pianista fora do gueto, ou melhor, a sua não existência, a necessidade de se anular ao ponto da invisibilidade como única promessa de sobrevivência. É um andamento vagaroso, cinzento e baço, que culmina na sequência admirável em que Szpilman toca piano para o oficial alemão que o encontra escondido num sótão e em que a música como que resgata a dignidade que subsiste nas mãos do pianista, escondida e adormecida sob a crosta medonha da luta elementar pela sobrevivência, mas não morta. Em 27 de Setembro de 1939, quando os nazis ocuparam a cidade, viviam em Varsóvia 360 mil judeus. Em Janeiro de 1945, quando os soldados russos a libertaram, restavam 20. Um deles era Wladek Szpilman. Polanski, mas também o actor Adrien Brody, escreveu com este filme uma das mais pungentes histórias da luta da humanidade contra o esquecimento.
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