J'accuse - O Oficial e o Espião

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Drama, Histórico, Thriller 132 min 2019 M/12 30/01/2020

Título Original

J'accuse

Sinopse

<div>Paris, 1894. Alfred Dreyfus (Louis Garrel), oficial francês de origem judia, é acusado de espionagem por, supostamente, ter passado informações de carácter militar aos alemães. Como consequência, é condenado a prisão perpétua na Ilha do Diabo (Guiana Francesa). Intrigado com a forma como todo o processo decorreu, o coronel Georges Picquart (Jean Dujardin) decide investigar o caso, descobrindo que, tal como suspeitava, os documentos que incriminavam Dreyfus tinham sido falsificados.</div> <div>Um drama histórico com assinatura de Roman Polanski ("Repulsa", "O Pianista", "O Escritor Fantasma", "O Deus da Carnificina", "Vénus de Vison"), que adapta o romance "An Officer and a Spy", de Robert Harris, que também assina o argumento. O nome do filme refere-se ao título da carta que o consagrado escritor Émile Zola (1840-1902) publicou no jornal "L'Aurore" a 13 de Janeiro de 1898, dirigindo-se a Félix Faure (1841-1899), na altura Presidente da República Francesa, acusando membros do exército e do Governo de cumplicidade na condenação por traição de um inocente: o oficial de artilharia judeu Alfred Dreyfus (1859-1935). Esse incidente envolveu toda a sociedade francesa e incendiou a opinião pública. PÚBLICO</div>

Realizado por

Roman Polanski

Elenco

Jean Dujardin, Louis Garrel, Emmanuelle Seigner

Críticas Ípsilon

Não existem críticas dos nossos críticos.

Críticas dos leitores

José Figueiredo

É pena os críticos do Público não terem visto o filme ou se viram resolveram ficar calados. <br />Eu achei o filme excelente e por mim dou-lhe 5 estrelas.

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Nazaré

Polanski em modo relativamente rotineiro, como está neste filme onde satisfaz uma encomenda dos seus anfitriões franceses, mesmo assim é muito superior ao que para aí se vê. Admiro sobretudo a reconstituição do tempo, nos cenários, vestes, bigodes, comportamentos. Jean Dujardin é um óptimo protagonista. No lado negativo, teria sido importante vincar a questão da Alsácia, donde muitos destes oficiais vinham e que era o principal pano de fundo deste triste caso. <br /> <br />O tema é muito caro aos franceses (e Polanski nasceu em Paris), um embaraço no âmago de tão importante instituição como o exército, e que lhes levou décadas a digerirem; parecerá não ter muito que ver com o resto do mundo, mas pense-se que foi este caso a gota de água que fez lançar o movimento Sionista, por exemplo. Parece hoje tão grotesco para muitos de nós, esta sanha contra os judeus, mas naquela altura era a regra, quem se insurgisse contra este estado de coisas era ridicularizado ou pior. Isso sim, faz-se sentir bem neste filme, e é mais um dos seus excelentíssimos feitos. Venham mais, Sr. Polanski!

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Fernando Oliveira

Para além de todas as polémicas, este “J`accuse” parece-me ser um filme relativamente menor na obra de Polanski. Se é contado nas ambiências quase kafkianas que definem muitos filmes do realizador, personagens emparedadas por circunstâncias que não controlam, o chão a fugir-lhes debaixo dos pés em caminhos e becos que parecem não ter saída; neste filme o realizador acrescenta-lhe a ideia da injustiça: um homem acusado de traição, enredado em teias de interesses que não controla e, por isso, é desterrado para uma prisão no “fim do mundo”; outro homem, que ao descobrir provas de que as provas contra o primeiro foram fabricadas, vai lutar para desenlear a teia construída em volta do bem parecer da instituição militar francesa do final do século XIX. <br /><br />Este caso aconteceu mesmo. Durante a “guerra fria” que se vivia no final do século XIX entre as potências europeias (desembocaria depois na Primeira Grande Guerra), os serviços de informação franceses descobrem que há um espião no exercito francês. Na necessidade de descobrir rapidamente um culpado, a acusação cai sobre Alfred Deryfus, um oficial judeu (o racismo contra os judeus era uma coisa entranhada na sociedade europeia de então), e as provas “indiscutíveis” fazem-no culpado sem qualquer dÚvida. O homem é enviado para a a ilha do Diabo. O seu professor, o coronel Georges Picquart, é entretanto nomeado para a chefia dos serviços de contra-espionagem, e irá descobrir evidências de que o espião poderá ser outro e que Dreyfus é inocente. Iniciará então uma luta contra o sistema para provar a inocência do seu antigo aluno, num processo que lhe trará consequências pessoais; mas que, finalmente correrá bem para os dois. <br /><br />O caso é célebre, envolveu gente conhecida da altura (o titulo aproveita o da carta publica que Émile Zola escreveu ao presidente francês a denunciar a injustiça), e alterou radicalmente a percepção que os franceses tinham na Justiça francesa; e este é o primeiro filme em que Polanski aborda um acontecimento histórico, e será esta escolha que rouba ao filme o peso quase sempre trágico e cruel que Polanski dá aos seus filmes. É verdade que o realizador mostra algo da vida privada de Picquart (o seu relacionamento amoroso com a amante, Pauline Monnier, e até lhe dá um movimento de rebeldia quando ela escolhe, já divorciada, continuarem como amantes e responder não ao pedido de casamento de Picquart); é verdade que Polanski não pinta propriamente de herói o coronel Picquart (o homem diz que não gosta de judeus, e partilha dos valores absolutos do exercito que serve), mas o filme é demasiado factual, a história não nos indigna, falta-lhe, lá está, a crueldade e aquele mal-estar que têm definido quase todos os filmes de Polanski. Admiramos a inteligência formal de Polanski, discreta, é certo, inteligente como recusa empatias com os personagens, definitiva como os coloca no “seu lugar” no xadrez social da época, mas esta falta impede o filme de dar o salto. O racionalismo de Polanski resulta num filme demasiado árido. Imobiliza o filme. <br />Apenas interessante. <br />(em “oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt”)

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António Cunha

Cinema em estado de graça, quase se sentem os cheiros dos lugares. Paris durante a Belle Époque é revelada com graça e autenticidade. Filmado com mestria e sabedoria eis Polanski em topo de forma. <br />Absolutamente cinco estrelas.

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Yolanda Gonçalves

Um exemplo da grande mestria de Polanski como realizador. Excelentes actores com uma temática bem actual (baseada num episódio lamentável da história da França) sobre o preconceito e a defesa de interesses corporativos acima de toda a justiça.

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Nelson Faria

Já vejo cinema há décadas e reconheço, logo, pelo "toque" o que é um grande filme. Tal como sinto nos filmes de Haneke, Cronenberg e Scorsese. A sensação entrou-me logo, muito próxima daquilo que vi em "O Pianista". Tudo o que aparece na tela é estudado. As cinco estrelas (em cinco) de Vasco Câmara dizem tudo e o seu texto no "Iplison" explica porquê. <br /><br />Estes filmes incentivam-nos a não nos desligarmos das salas escuras, ecrã grande e sem pipocas. Já tinha lido o livro de Robert Harris, numa investigação muito minuciosa e retratando o ambiente de Paris do fim do século XIX. As cenas iniciais são magníficas - trata-se da degradação de um militar, que Câmara explica no texto acima indicado. Harris é um grande escritor e muito do êxito deste filme a ele se deve. Li todas as traduções das suas obras que foram publicadas em Portugal. Ler Harris é a evasão completa, aquilo que se diz ser um cume de felicidade, que não nos faz largar o livro(Pode perguntar-se: como é que uma tradução consegue isto? Consegue, malgré tout). Este grande senhor de 86 anos faz-nos reviver o grande cinema. Tal como em "Chinatown". <br />O que pesa sobre ele e está a esconder a sua magnificência é um passo atrás naquilo que este realizador nos poderia oferecer. <br />

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Raul Gomes

Onde em parábola, Polanski reflecte a sua própria vivência e proclama a inocência, e o seu cepticismo em relação aos meandros do estado e da justiça. <br />O filme retrata a vida de um judeu, vítima de preconceitos, e fá-lo de uma forma brilhante, numa grande produção, com personagens inesquecíveis, e credíveis, tornando-o um filme grandioso e eloquente, em que nada soa a falso. <br />Apesar de já se terem passado 120 anos, ele transmite-nos uma realidade, que poderia ser a de hoje. <br />Absolutamente fabuloso.

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José Miguel Costa

NOTA PRÉVIA que Roman Polanski (um dos meus realizadores de culto) partilhou com a imprensa, na qual dá conta dos pontos de contacto que encontrou entre a história verídica de Alfred Dreyfus e a contínua perseguição de que é vitima, devido a um escândalo sexual no qual se viu envolvido num passado longínquo: "Consigo ver a mesma determinação para negar os factos e assim me condenarem por coisas que não fiz... O meu trabalho não é terapia. No entanto, tenho de confessar que estou familiarizado com muitos dos mecanismos de perseguição retratados no filme, e que isso claramente me inspirou". <br /> <br />O filme "J'accuse - O Oficial e o Espião" relata a história escandalosa (que abalou o poder político e judicial na França no final do século XIX) do capitão do exército francês de origem judaica, Alfred Dreyfus (um irreconhecível Louis Garrel), injustamente condenado a prisão perpétua, e encarcerado na Ilha do Diabo (graças a uma teia conspirativa organizada contra si por altas patentes militares, devido à sua ascendência), pelo crime de alta traição, por espionagem de carácter militar ao serviço dos alemães. <br /><br />No entanto, o cineasta Polanski não centra a narrativa na vítima, optanto por acompanhar a investigação (quase de índole particular) levada a cabo pelo incorruptível/austero coronel Georges Picquart (Jean Dujardin - um eventual erro de casting para protagonista) que, apesar de não nutrir a mínima simpatia por judeus, se vê na obrigação ética/moral de "remover mundos e fundos" para clarificar as suas suspeitas de falsificação de documentos com o objectivo único de incriminar o oficial em questão (mesmo sabendo quem era o verdadeiro culpado pelos crimes contra si imputados). <br /> <br />Um cáustico e rigoroso/racional drama histórico (que prescinde do sentimentalismo/manipulação emocional e do fervor da denúncia - virtude, que poderá, em simultâneo, ser considerada um dos handicaps desta obra destituída de necessárias catarses emocionais), algo clássico e com uma meticulosa reconstituição de época. Todavia, tais características não o transformam num produto seco ou frio/distante, quiçá por nele ter inserido cirurgicamente uns "pózinhos" de triller policial. <br />Grosso modo, "J''Accuse" é inatacável, tanto a nivel formal quanto do seu conteúdo (com "tudo certinho" - se calhar, em demasia), mas não empolga ou emociona (mesmo tendo as temáticas abordadas - o racismo e a corrupção que grassa no topo das hierarquias da sociedade - uma actualidade avassaladora).

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