Eu, Daniel Blake

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Drama 100 min 2016 M/12 01/12/2016

Título Original

I, Daniel Blake

Sinopse

<div>Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake (Dave Johns), um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado que lhe concedam uma forma de subsistência, vê-se enredado numa burocracia injusta e constrangedora. Apesar do esforço em encontrar um modo de provar a sua incapacidade, parece que ninguém está interessado em admiti-la. Durante uma espera numa repartição da Segurança Social conhece Katie (Hayley Squires), uma mãe solteira de duas crianças a precisar de ajuda urgente, que se mudou recentemente para Newcastle (Inglaterra). Daniel e Katie, dois estranhos cujas voltas da vida os deixaram sem forma de sustento, vêem-se assim obrigados a aceitar ajuda do banco alimentar. E é no meio do desespero que se tornam a única esperança um do outro… </div> <div>Palma de Ouro na edição de 2016 do Festival de Cinema de Cannes, conta com assinatura do aclamado realizador Ken Loach e argumento de Paul Laverty, colaborador de Loach em vários outros filmes, entre eles “A Canção de Carla” (1996), “O Meu Nome É Joe” (1998), “Bread and Roses” (2000), “Sweet Sixteen” (2002), “Ae Fond Kiss...” (2004), “Brisa de Mudança” (2006) – também vencedor da Palma de Ouro -, “Neste Mundo Livre...” (2007), “O Meu Amigo Eric” (2009), “Route Irish - A Outra Verdade” (2010), “A Parte dos Anjos” (2012) e “O Salão de Jimmy” (2014). PÚBLICO</div> <div> </div>

Realizado por

Ken Loach

Elenco

Dave Johns, Sharon Percy, Hayley Squires

Críticas Ípsilon

Gente normal

Jorge Mourinha

Ken Loach no seu melhor, colocando as pessoas à frente da mensagem.

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É esta a política: os sentimentos

Vasco Câmara

Eu, Daniel Blake é um filme indignado com a devastação humana mas com uma delicadeza de olhar que resiste no espaço dos sentimentos e da intimidade. Isso , possibilidade de resistência: as relações íntimas a contrariarem a violência da retórica social - e a retórica do filme de mensagem.

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O melhor da faceta politicamente combativa de Ken Loach

Luís Miguel Oliveira

Uma fábula realisticamente absurda sobre o estado do “estado social” na Europa. “Kafkiano” pode servir a Eu, Daniel Blake, a Palma de Ouro de Cannes.

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Críticas dos leitores

Alexandre

Ótimo filme! João Doria deve ter abandonado a sessão em determinada cena! Tem uma crítica em <br />www.artigosdecinema.blogspot.com/2017/03/eu-daniel-blake-i-daniel-blake.html

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Graça Rasteiro

Um filme duro. Um murro na nossa apatia, na nossa tendência para por a cabeça na areia. Um filme que desperta em nós a necessidade de não ficar calado. <br />Excelente, a não perder!

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Graça Rasteiro

Um filme duro. Um murro na nossa apatia, na nossa tendência para por a cabeça na areia. Um filme que desperta em nós a necessidade de não ficar calado. <br />Excelente. a não perder!

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Adelina Barreto

Muito bom! A ver....

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Adelina Barreto

Muito bom! A ver....

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MDF

O filme "Eu, Daniel Blake", de Ken Loach, com Dave Johns e Hayley Squires, Palma de Ouro do Festival de Cannes 2016, é uma fábula contemporânea crua e violenta sobre a dignidade individual e a absoluta surdez de um Estado que, indolentemente, se arrasta pela sua indiferença e ineficácia. Este documento sobre o absurdo a que o "Estado Social" Europeu acabou por chegar mostra dolorosamente como Daniel Blake (Dave Johns), como única saída para manter a sua Humanidade, choca repetida e violentamente com um muro inabalável em que se transformou o autismo indigno da máquina do estado. <br />É um filme que nos obriga a reflectir sobre o mundo em que vivemos e sobre nós mesmos, bem como sobre o sentido que tudo isto não faz.

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carla de menezes

O filme imperativo deste e de qualquer Natal! Sem exageros, com uma filmagem normal, crua como a vida que acompanha, é sobre família que este filme trata. A que se tem, a que se perde e a que se descobre e como, no meio do processo Kafkeniano da burocracia (neste caso inglesa) que pretende ordenar a vida da grande família social, nos perdemos na insensibilidade de estranhos, na formação de ideias estandardizadas para evitar a proximidade e emoção, na incapacidade incentivada de acreditar no melhor de cada um, na distância emocional que a vida parece exigir cada vez mais. Isto tudo e o seu contrário estão presentes neste filme-balança onde, apesar de tudo, o prato que vence ao peso ser o da desresponsabilização sobre o outro. Um argumento que deveria dar origem a "Julgamentos de Nuremberga" pessoais todos os dias. Se não forem ver porque o Natal é só sobre esperança e amor, dão toda a razão ao mote do filme.

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Durruti

Ken Loach filma de forma magistral uma história que é uma bofetada na nossa apatia e no nosso medo que permitiu a ascenção de um modelo socialmente imoral e canibalizador da dignidade humana. A ver sem reservas.

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JOSÉ MIGUEL COSTA

O Ken Loach, apesar de octogenário, com o "Eu, Daniel Blake" provou (e de que maneira!) que continua a dar cartas no mundo cinematográfico ao nível do realismo social. E consegue comover-nos de forma intensa (dando-nos um autêntico "murro no estômago) com uma narrativa melancólica que relata o(s) episódio(s) da luta inglória levada a cabo contra o "estado social" inglês (cada vez menos solidário para com os seus cidadãos mais desprotegidos) por parte de um viúvo solitário pertencente à classe operária que, depois de toda uma vida de trabalho, cumprindo na integra os seus deveres de índole fiscal, se vê na condição humilhante de mendigar a pensão de invalidez a que tem direito, por encontrar-se gravemente doente. Sem sensacionalismos e/ou demagogias populistas - a realidade per si já é demasiado brutal -, embora adoptando (como lhe é característico) um estilo cru e pouco subtil, o realizador activista expõe a face obscura do capitalismo omnipresente que subjuga os cidadãos, limitando-se a percepcioná-los (burocraticamente) como meros números (destituindo-os de identidade e dignidade) numa lógica economicista que apenas visa o lucro (de uma minoria) a qualquer preço. <p> Deste modo, o "Eu, Daniel Blacke", apesar de ser detentor de alguns handicaps (nomeadamente, um certo maniqueísmo na mensagem que veicula, a previsibilidade da narrativa e a ausência de "inovação" na exploração de uma temática clássica), revela-se um imprescindível documento político de denúncia sobre a perda dos direitos dos "cidadãos do 1º mundo" (colocando muito "sal na ferida") </p>

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Pedro Brás Marques

Um filme duro. Um soco tremendo na nossa apatia cúmplice perante a máquina cinzenta e impessoal do Estado. Um filme que devia ser de visionamento obrigatório para qualquer governante ou aspirante ao cargo. Daniel Blake é carpinteiro. Já tem alguma idade, mas ainda está completamente apto para trabalhar. Encontra-se viúvo, sem filhos e vive sozinho em Newcastle. Infelizmente para ele, sofreu um ataque cardíaco que o impede de retomar o trabalho. Para usufruir de benefícios sociais tem de se dirigir ao equivalente inglês da nossa Segurança Social. Só que tudo funciona através de “call-centers” e de formulários online. E Daniel nunca tocou num computador… Pior, se não responder da forma que os seus interlocutores estão à espera, penalizam-no retirando parte do subsídio. Ninguém o ajuda, o tempo vai passando e ele desespera… Numa das estações desse calvário, Daniel apercebe-se duma família igualmente em dificuldades. Uma mulher com cerca de trinta anos, com dois filhos, não tem dinheiro nem condições para viver. A partir daquele momento, o carpinteiro desdobra-se. Por um lado, continua o seu martírio junto da Segurança Social, por outro, dedica-se a ajudar os membros desta família, reparando a casa onde sobrevivem, comprando-lhes alguma comida, acompanhando a mãe às filas de beneficência alimentar. Fá-lo sem outro interesse que não seja o de ajudar. Mas o desespero dela e a falta de paciência dele com acabam por se impor de forma dramática… <p> «Eu, Daniel Blake» é o título do filme, mas é, principalmente, um manifesto, uma afirmação, um “statement”. Ele não é um ser impessoal, um número da segurança social, um empecilho na roda burocrática do Estado. Não! Ele é um ser humano, com um nome: Daniel Blake. E, enquanto tal, merece ser tratado com a educação a que isso obriga e com a decência que qualquer pessoa merece. É este o grito de Ken Loach pela voz e pelo corpo de Daniel Blake. É tempo do Estado parar na sua crescente automação, na sua incessante desumanização e olhar para as pessoas com a dignidade inerente a qualquer ser humano. O Estado não pode ver num trabalhador apenas uma fonte de rendimento fiscal e esquecer os princípios da equidade de tratamento e da solidariedade quando as posições se invertem e passe a ser este necessita do apoio do primeiro. Ken Loach é um homem de esquerda. Nunca o escondeu e sempre levantou bem alto o punho. Ao longo duma carreira com dezenas de títulos e incontáveis prémios, incluindo duas “Palmas de Ouro” em Cannes, a segunda precisamente com este “Eu Daniel Blake”, essa marca vermelha esteve sempre presente. Os argumentos dos seus filmes contam histórias de trabalhadores e de gente pobre, de pessoas a viveram em sujas “industrial towns”, exploradas pelos patrões ou pelo “sistema” e a que lhes falta voz e poder de protesto. Pode até não se concordar com estas ideias políticas, mas a verdade é que Loach sempre foi claro e coerente nas suas opções. Mas, muito para lá disso, é um extraordinário realizador. Com excepção de “O meu amigo Eric”, em que se lembrou de integrar o futebolista Eric Cantona no mundo do cinema, a verdade é que não me recordo de um filme seu menos bom. Despidos de artifícios e de superficialidades, tudo é essencial e tudo se alinha no sentido último do argumento e do seu propósito, o de fazer a denúncia de situações que ele considera serem injustas. Essa crueza, essa falta de polimento, perpassa nos personagens e, claro, nos cenários, contribuindo para que a sensação de revolta cresça no espectador. Arrisca, até, ser considerado manipulador e panfletário, mas fá-lo sempre muito bem. </p><p> Um brilhante exemplo desta sua capacidade de gerar histórias com múltiplas e subtis leituras acontece em “Eu, Daniel Blake”, em que temos um carpinteiro que ajuda uma mãe com filhos que não são dele, o que evoca imediatamente o simbolismo cristão. Esta “sagrada família” ocasional, necessita de muito do amor fraterno e da ajuda dos seus irmãos. Mas, dois mil anos depois, não encontra nada disso, apenas o materialismo do Estado, esse Herodes do tempo moderno. </p><p> Uma voz dissonante é sempre importante. Para nos acordar do conforto social onde por vezes adormecemos. Para nos alertar para o nosso egoísmo que nos leva a preocupar-nos apenas quando o problema nos toca. Para pensarmos duas vezes em que é que escolhemos para nos governar: se alguém que nos vê como fonte de receita fiscal ou como receptáculos do que há de mais sagrado: a dignidade individual. E Ken Loach faz isso como ninguém. </p>

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