Qualquer semelhança da personagem Adam Lang (Pierce Brosnan) com os Blair, os José Manuel Barroso, os Aznar ou tantos outros meteóricos líderes de governos europeus (e não só), que parecem telecomandados pelos States... é mera advertência. O que poderiam ser anónimos membros de alguma corporação profissional vêem-se um dia, sem terem noção que é por um agente da CIA que o fazem, a passarem a ter a ambição de chegarem a líderes políticos. Gente muito especial, vocacionada para captar as atenções da opinião pública enquanto o "resto" se desenrola nas suas costas, quantas vezes sem eles próprios terem noção do que lá se passa. E sempre sem problemas, "alguém" se encarrega sempre de velar por eles. É o que este filme de Polanski se dedica a mostrar-nos. Polanski tem o condão de ser inimitável. Nem sequer a si próprio ele imita, e no entanto há em cada filme que ele faz uma marca de mestre, algo de único, que nos leva a perguntar: quem é o realizador? O papel de ghostwriter é algo de ingrato, na vida real como em Ewan MacGregor. É um peão obscuro, para ser ignorado ou aniquilado. A ele não compete de todo desvendar a verdade. As folhas espalhadas, a rematar o final, são a metáfora do esforço em vão. Bem, este filme faz divagar, mas só depois de acabar, até lá agarra-nos implacavelmente. É de mestre!
Nazaré