Sangue do Meu Sangue

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Drama 139 min 2011 M/16 06/10/2011

Título Original

Sangue do Meu Sangue

Sinopse

Márcia (Rita Blanco) é mãe de Cláudia (Cleia Almeida) e Joca (Rafael Morais) e irmã de Ivete (Anabela Moreira). Mãe solteira, vive numa casa no Bairro Padre Cruz, em Lisboa, com Ivete que a ajudou a criar os filhos e os ama como se fossem seus. O que ninguém esperava é que duas tragédias chegassem para marcar aquela família: Cláudia apaixona-se por um dos seus professores da faculdade, casado, e Joca, um pequeno traficante cadastrado, contrai uma dívida com um homem perigoso. Márcia e Ivete preparam-se para o pior, mas o seu amor incondicional é capaz de tudo...<br />Realizado por João Canijo ("Ganhar a Vida", "Noite Escura", "Mal Nascida", "Fantasia Lusitana"), o filme, em competição no Festival de San Sebastian, foi distinguido com menção honrosa e pelo prémio da crítica internacional. PÚBLICO

Realizado por

João Canijo

Elenco

Anabela Moreira, Rafael Morais, Rita Blanco, Cleia Almeida

Críticas Ípsilon

Sangue do Meu Sangue

Luís Miguel Oliveira

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Sangue do Meu Sangue

Vasco Câmara

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Capazes de tudo

Jorge Mourinha

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Críticas dos leitores

Diogo

Gostei do filme, da história e dos personagens, mas o que e que aconteceu ao som? Há diálogos que nãoo se conseguem entender. Vi o filme na HBO, por isso suponho que não foi da qualidade do ficheiro. Há momentos em que há diálogos paralelos que se sobrepõem. Resultado, não se entendem bem as palavras.

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Nazaré

<p>Esta história tem duas protagonistas: as duas irmãs Márcia (Rita Blanco) e Ivete (Anabela Moreira), que embora vivam na mesma casa são como duas linhas paralelas. E as outras personagens desta casa oscilam entre estas duas linhas, cada uma com os seus problemas, que advêm de uma só e mesma coisa - a pobreza. Cada filho de Márcia (Cleia Almeida e Rafael Morais) pende para a sua forma de ilusão dum futuro melhor, seja pelo romantismo ou pela esperteza, e é por eles que o enredo se enleia.<br />Não sendo um filme extraordinário, tem coisas notáveis e é de caras o melhor que se viu produzido em Portugal desde há muitos anos. O profissionalismo sente-se por todo o lado, os desempenhos são estupendos (mas o gangster de Nuno Lopes consegue ser o mais impressionante), os diálogos (que o argumentista/realizador teve a feliz ideia de deixar serem aperfeiçoados em colectivo) são, ao menos por uma vez, excelentes...<br />Mas acima de tudo o que me deixou de boca aberta é a qualidade da captação sonora, a dar-nos a esperança que este filme faça escola e possamos esquecer a necessidade de pôr legendas para perceber o que as personagens dizem na nossa língua!</p>

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Miguel Costa

<p>João Canijo é um dos meus realizadores portugueses fetiche, na medida em que ninguém como ele (exceptuando-se, talvez, Pedro Costa) consegue retratar/captar com tanto realismo os meandros da(s) vida(s) trágica(s) e sofrida(s) dos "sobreviventes" do Portugal das "classes baixas" (e para comprovar tal facto basta recordar as suas anteriores películas, nomeadamente, "Ganhar a Vida", "Noite Escura" e "Mal Nascida"). Motivo pelo qual o crítico de cinema, Jorge Mourinha, o "define" (e não posso deixar de concordar) como o "Mike Leigh português".<br /><br />Este seu novo filme, cuja acção decorre num bairro social de Lisboa (Padre Cruz), é quase uma obra-prima, ao nível das técnicas de filmagem utilizadas, com planos/sequências brutais (que "metaforicamente" conseguem transmitir como dentro de cada casa existe todo um "Bairro", sendo que cada uma delas é como se fosse construída por "paredes de vidro, na qual residem/deambulam indivíduos sem privacidade). É, igualmente, quase perfeito nos "diálogos corriqueiros" dos seus personagens (que são "encarnados" por actores divinos, nomadamente, a enorme Rita Blanco) que falam/discutem sobre "o tudo e o nada". O filme, no entanto, peca por as duas grandes histórias de fundo serem demasiado cliché, e só não "descambou" para algo do género telenovela mexicana, por ser detentor das características/virtudes atrás mencionadas ("só" por isso que n o posso considerar perfeito - o que é pena!)</p>

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António GGomes

<p>...e artificiosa a representação de Rita Blanco (pior: hesitante, perdida até, entre clichés e ou arremedos da sua gasta 'persona'). Sim, dois casos de sobrevalorização: o do filme (do realizador?) e o da actriz. Ainda assim, seguem-se com interesse um par de cenas do par Rafael Morais, Anabela Moreira. <br /><br />(Que vontade de outro cinema... Pedro Costa, para ir mais longe!)</p>

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Pedro Taquelim

ATENÇÃO, ESTE COMENTÁRIO PODE CONTER "SPOILERS".<br /><br />Muito bom filme, realização, interpretações e argumento.<br />Filme que arrisca ideias de cinema que gostei particularmente. Duas conversas distintas em paralelo sobre problemas comuns entre personagens diferentes no mesmo plano fixo. Embora os personagens não saibam ou não queiram saber que esses problemas também os envolvem e os afectam como família que são. Pois individualmente já tenham problemas que cheguem.<br /><br />Retrato realista do Portugal de hoje na vivência de uma família do Bairro Padre Cruz em Lisboa que faz o seu melhor para se manter unida dentro dos recursos disponíveis (não só materiais) Aquele Portugal que não queremos saber, não sabemos que existe ou nos esquecemos. Mas é também um filme com um surpreendente humor que vai ficando mais azedo à medida que se aproxima o jogo fatídico da desilusão final.<br /><br />A reparar para quem for ver (ou já viu): Em constante pano de fundo estão os jogos de Portugal no Mundial de Futebol de 2010 (sons, ruídos, imagens televisivas), coincidindo a cena apoteótica do filme com a transmissão do jogo fatídico com a Espanha. E do festejo dos espanhóis do golo da desilusão. Por coincidência estava a ver o filme no cinema enquanto no presente a selecção ganhou e garantiu hoje o passaporte para o Europeu. Renasce agora, mais uma vez a esperança de um povo inteiro para que estes heróis lhe mudem a vida para melhor. No dia a seguir constata-se que a realidade da vida não estava no verde do relvado.<br /><br />O 'trailer' infelizmente não é muito feliz, na minha opinião, e não transmite muito bem o ambiente do filme.<br /><br />Vão ver. Recomenda-se vivamente.<br /><br />4,5 estrelinhas

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Jacinto Gomes

<p>Foi assim que eu senti este filme de João Canijo. É um belíssimo filme sobre mulheres fortes que, num meio adverso e num bairro problemático, conseguem lutar por manter uma família onde se amam e se defendem de uma forma tocante, como é muito raro ver no cinema português. Não esperava ver uma obra-prima desta dimensão. <br /><br />Deverá passar a ser considerado um dos melhores filmes da cinematografia portuguesa de sempre e um exemplo para os todos os portugueses que, quando se fala em cinema português, torcem o nariz. Senti a vida daquela família, afinal tão igual a tantas outras que procuram manter os afectos e a coesão familiar ainda que tudo se conjugue para que assim não seja, como um murro no estômago. O João Canijo, depois deste filme que dirigiu de uma forma superior, passa a ser, na minha opinião, um realizador de culto.</p>

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José Guedes

O filme começa bem mas depois perde-se num enredo de novela mexicana de 3ª ordem. A entrada em cena daquele "médico" marca o desabar de um trabalho que até então estava a "amarrar" os espectadores.<br />Em resumo, um mau final destruiu uma boa ideia. Uma pena.

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Emilia

<p>Vi e senti! <br />Não é um filme de princesas mas de mulheres fortes e resilentes no seu quotidiano.<br />As personagens (todas) são interpretadas com uma naturalidade, despretenciosismo, veracidade e entrega raramente vistas nos n/ filmes, mas, para mim, a "Tia Ivete" (Anabela Moreira), uma mulher só, desencantada, incompreendida e generosa está excelente.<br />É um filme perturbador, vivo e nosso!<br />Obrigada João.</p>

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Patrícia Mingacho

<p>Tenho tendência para dizer que não gosto do cinema português mas, por vezes, as minhas verdades são desmistificadas e fica apenas a certeza que, de certezas, está a razão cheia mas, se nos deixarmos ir ao sabor da emoção a nossa alma fica mais cheia...<br /><br />Eis que o filme "Sangue do Meu Sangue" me fez perceber que o cinema português pode oferecer-nos obras-primas... Há neste filme uma inteligência atroz...a forma como o realizador capta as situações faz-nos deambular sobre algo que desconhecemos porque ali não vivemos...e, no meio da escuridão, no meio de ambientes que soam a decadência conseguimos ver centelhas do que é mais digno de cada ser humano...o amor que cada mulher é capaz de sentir por aqueles a quem o sangue agarrou... <br /><br />É deveras surpreendente a forma realista como João Canijo nos consegue levar aqueles ambientes...a música pimba que engrandece cada espaço, porque só assim conseguiríamos ser catapultados para lá... o relato de futebol que se ouve num momento deveras cruel, porque ausente de sentimentos, dá amplitude, crueza à situação com que o realizador nos quer fazer entrar...<br /><br />As imagens cortadas em dois, para que nada se perca deste enredo que grita por horror mas, que no desequilíbrio que é viver ali, cada um se constrói e tenta viver com aquilo que tem... e a casa do médico, como contraponto para toda aquela miséria, pontua-nos com imagens belas mas, a ausência do mais profundo entre dois seres faz-nos viver essa superficialidade...<br /><br />Há em cada situação uma inteligência, uma dinâmica de um realizador que se sente maduro, porque conseguiu ali estar e sentir aquele mau estar mas, ao mesmo tempo, num processo de esperança cria laços que nos fazem acreditar que, no meio da escuridão, há quem ame de forma incondicional e, também por isso, capaz de cometer actos que à luz da moral são deveras criticáveis mas de que serve tecer comentários repletos de moral se nunca nos vimos por ali passar...<br /><br />O cinema português está vivo e recomenda-se...os actores que por ali passam enriquecem de tal forma aquela tela que aquela história tinha que ser contada por eles... há uns anos confrontei o Nuno Lopes por um papel secundário; ali consegui ver um actor capaz de se transcender e tornar-se num ser facínora, execrável mas, apesar disso e porque cada ser humano tem esta dicotomia entre anjo e demónio, consegue amar aquelas do mesmo sangue... Rita Blanco, a serenidade que não transparece enquanto mulher mas, porque consegue beber o que cada personagem lhe dá, dá corpo a uma mulher repleta de dignidade, uma mulher que acredita que se a vida lhe dá dificuldades terá que se erguer, pois só assim a vida lhe irá obedecer...<br /><br />É impressionante como um filme em que as personagens são tão pouco de nós, nos consegue transmitir tanto...não há solilóquios, discursos de moralidade, não há solilóquios, conversas trocadas de pensamentos profundos mas o estar, o sentir integram-nas e dão uma dimensão atrozmente profunda a esta obra-prima...</p>

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Inês Pereira

Uma agradável surpresa. É desta forma que resumo a minha apreciação deste filme. Uma produção portuguesa que, embora repesque uma temática com contexto social já tão vulgar noutros filmes, consegue abordá-la de forma diferente. E como? <br /><br />- A partir de duas personagens principais, com fortes e distintas características que nos fazem colar à cadeira do cinema e prestar atenção a cada minuto do filme até ao fim. <br /><br />- Com uma realização original, graças à particularidade de conseguir colocar o espectador em dois diálogos em simultâneo - e sim, esta é a dinâmica das casas portuguesas, conversas a decorrer ao mesmo tempo.<br /><br />- Óptimo desempenho por parte dos actores, criando noção de que poderia ser uma qualquer pessoa com quem nos pudéssemos cruzar na rua.<br /><br />- Ocultação das cenas fáceis de violência/sexo. Apenas é mostrado ao espectador o que é realmente necessário para criar o impacto desejado.<br /><br />- Bom retrato social e familiar, com uma qualidade de diálogo ímpar, em que não há desperdício de minutos de filme com cenas prolongadas.<br /><br />Agradável surpresa para final de tarde.

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