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Nouvelle Vague

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Histórico, Comédia Dramática 106 min 2025 M/12 18/12/2025 EUA, FRA

Título Original

Sinopse

Paris, 1959. Jean-Luc Godard (1930-2022), um jovem crítico de cinema, inicia-se na realização de longa-metragem. Com os actores Jean Seberg (1938-1979) e Jean-Paul Belmondo (1933-2021), começa a rodagem de “O Acossado” (“À Bout de Souffle” no título original). Projecto experimental e sem guião definitivo, esse filme representa uma lufada de ar fresco ao quebrar as convenções narrativas tradicionais, tornando-se num momento de mudança profunda no cinema. É assim que nasce a “Nouvelle Vague”, um movimento cinematográfico que se distingue pela abordagem inovadora de filmar e de contar histórias.

Seleccionado para competir no Festival de Cannes 2025 e apresentado na Festa do Cinema Francês, o filme é realizado por Richard Linklater, conhecido pela trilogia de amor formada por “Antes  do Amanhecer”, “Antes do Anoitecer” e “Antes da Meia-Noite” e por “Boyhood: Momentos de Uma Vida”, que lhe valeu o Urso de Prata em Berlim. No elenco estão os actores Guillaume Marbeck como Godard, Zoey Deutch como Seberg e Aubry Dullin como Belmondo. PÚBLICO

Críticas dos leitores

Procuram-se acossados

Luís Encarnação

“O Acossado” é a primeira longa de Jean Luc Godard, o “nouvelle vague” de Richard Linklater apela à curiosidade do espectador, pois por pouco cinéfilos que sejamos, sabemos que será um filme sobre a geração de ouro do cinema francês. Geração do cinema para lá do que o sistema (dominado por Hollywood) queria, mas que era obrigado a acompanhar e neste caso até incorporou algumas técnicas e métodos desta nova vaga.

O acossado é um marco na estética cinematográfica e na forma de fazer cinema é importante revisitar “o acossado”, para compreender melhor um e outro, um cinema de verdade e por isso revolucionário, que liberta o espectador e quem o faz. O cinema enquanto prática societária desde a produção até à exibição e as suas diversificadas leituras.

Godard é um filho de Vertov, no seu tempo, com todas as contradições inerentes ao seu tempo e à sua vivência, mas acima de tudo é um realizador livre em que só faz o filme exactamente que queira fazer. A juventude, a sua irreverência, a sua velocidade e beleza, que supera qualquer imposição, ou perseguição, ou seja, a liberdade para além do sistema imposto.

Ao revisitarmos “o acossado” percebemos a frieza com que o Michel mata o polícia e continua a sua vida como se nada fosse, ou a Patrícia e a sua forma de ser perante o chico espertismo de Michel. Este filme retrata o caminho de conquistar um filme de abordagem dialéctica em que a realidade não era um estorvo, mas sim a essência do mesmo. A preocupação com o binómio verdade/realidade é de tal forma que o filme foi todo gravado sem figurantes, com a vida a acontecer, um cinema ligado e da vida.

O filme é expressão do processo de construção, inclusive das próprias personagens, que são também elas representativas das pessoas/actores que as representam, como percebemos através do filme de Linklater. O que para alguns realizadores seria um erro do actor, para este jovem realizador (Godard) era uma virtude, ou seja, é o actor que constrói a personagem e não a personagem que molda o actor, é claro precavido de um casting cuidado para chegar ao resultado pretendido.

Os actores são exactamente o que Godard procurava nas personagens e a narrativa foi se construindo ao longo da construção do filme. Em “nouvelle vague” deparamo-nos com a resolução dos mistérios da sua obra, aquelas dúvidas o que é que aquilo quer dizer? Porque se fez daquela forma? Porque é que ela e ele se tratam com ofensas, até mesmo nas situações mais difíceis e dramáticas num tom leve como se nada fosse? A resposta é que nem tudo é segredo, nem tudo é fetiche do realizador.

Como na vida, nos filmes os acontecimentos também podem ser exactamente como são, decorrendo da ordem natural do processo de construção, Godard queria que fosse livre, orgânico e construtivo. Para tal objectivo o filme mostra-nos o jovem realizador e as suas técnicas de guerrilha à margem das convenções e das regras, desde gravar sem som em directo, desrespeitando a convenção da continuidade e contrariando as tradicionais e arcaicas hierarquias.

No fundo um grito de liberdade do cinema, o filme e o cinema no centro para além de tudo e de todos os interesses laterais, inclusive o dinheiro. “Nouvelle Vague” mais do que um breve exercício de arquivo é um trabalhar de memória, um verdadeiro manifesto que apela à necessidade de se respeitar a imagem através da sua utilização verdadeiramente livre, para tratar, retratar e abrir perspectivas. Neste filme de Linklater mais do que um exercício nostálgico e pseudo intelectual sobre figurões, sente-se a necessidade e urgência de uma nova vaga de cinema que tem de ser um tufão de realidade que a afirma, a valoriza e transforma.

Vão ao cinema e acossem-se!

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Nouvelle Vague

Fernando Pimentel

Sobre esta espécie de meta-filme, porque é um filme sobre um filme, fiquei com impressão de se tratar de um objeto esférico. Perfeito na sua forma de contar a história, equilibrado entre o que dizia e a forma como o dizia, desempenhos superlativos dos atores, retrato inestimável de um período grato da história do cinema.

Mas talvez seja um filme que fica demasiado por dentro, que não vai para lá da superfície conforme da esfera, que não nos agarra de forma decisiva. Talvez por se tratar em parte de um trabalho jornalístico, que não pode abandonar o olhar rigoroso, e o objeto da reportagem.

Mesmo assim, destaca-se com prazer a abertura de portas aos bastidores da realização, e o humor, que foi entre todas as cores da palette aquela que me deixou a mais prevalecente impressão. Apesar das considerações seria injusto não considerar esta nova vaga como um filme bastante bom.

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Uma pequena jóia

johnny

Muito giro, uma declaração de amor. Mas só para cinéfilos, para os outros poderá ser uma pessegada intragável.

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