Blue Moon
Título Original
Realizado por
Elenco
Sinopse
Ver sessõesO letrista Lorenz Hart (1895-1943) construiu a sua carreira ao lado do compositor Richard Rodgers (1902-1979), formando um dos mais importantes duetos da história do musical americano, responsável por clássicos como “Blue Moon” (tema que dá título ao filme), “Isn’t it romantic?”, “Bewitched, bothered and bewildered” ou “My funny valentine”, entre outros. Muitas das suas canções integram hoje o chamado “Great American Songbook”, uma lista que engloba as composições mais famosas da cultura popular norte-americana do século XX. A acção deste filme decorre na noite de 31 de Março de 1943, data da estreia de “Oklahoma!”, o primeiro grande êxito de Rodgers em parceria com Oscar Hammerstein II (1895-1960), o seu novo colaborador.
Com a saúde debilitada e afectado pelo declínio da própria carreira, com sabor ainda mais amargo devido ao triunfo de “Oklahoma!”, Hart refugia-se no Sardi’s, restaurante emblemático da Broadway onde todos se reúnem para celebrar. Recém-abstinente, divide-se entre o bar e o piano, acompanhado por Eddie, o “barman”, e pelo jovem pianista Morty Rifkin, que interpreta as suas canções com nostalgia. À espera de Elizabeth Weiland, estudante de arte por quem nutre um amor não correspondido, mantém a esperança de receber resposta às cartas que lhe enviou.
Nomeado para dois Óscares, nas categorias de melhor actor e melhor argumento original, este filme biográfico inspira-se na correspondência trocada entre Weiland e Hart. Realizado por Richard Linklater, que assina o argumento com Robert Kaplow, tem Ethan Hawke no papel principal, após as colaborações na trilogia “Antes do Amanhecer” (1995), “Antes do Anoitecer” (2004), “Antes da Meia-Noite” (2013) e em “Boyhood: Momentos de Uma Vida” (2014). Margaret Qualley, Bobby Cannavale, Andrew Scott, Jonah Lees, Simon Delaney e Patrick Kennedy completam o elenco. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
Blue Moon é o papel da vida de Ethan Hawke, uma carta de amor à arte
Lancinante carta de amor à arte e aos artistas, Blue Moon dá-nos uma interpretação para as calendas de Ethan Hawke, dirigido com extraordinária sensibilidade por Richard Linklater.
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Críticas dos leitores
3 estrelas
José Miguel Costa
Não partilho, nem tão pouco percebo, a idolatria quase consensual em torno do realizador norte-americano Richard Linklater, dado que o considero simplesmente banal, limitando-se a presentear-nos com filmes mornos e simpáticozinhos (e não me venham cá convencer que a xaroprada da trilogia "Before" é a última Coca-Cola do deserto - ok, o "Boyhood" é a excepção à regra, por tratar-se de um projecto cinéfilo quase antropológico, cujo processo de filmagem acompanhou um personagem, em tempo real, ao longo de 12 anos).
"Blue Moon" é, portanto, mais um filme da mesma estirpe, com o seu actor fetiche de sempre (um Ethan Hawke que nos entrega uma excelente performance, que valeu-lhe uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor), coadjuvado por um "palavroso" argumento sólido (que consegue agarrar-nos, apesar da aparentemente pouco apelativa temática - as frustrações de final de vida do excêntrico e autodestrutivo Lorenz Hart, um reconhecido compositor da comédia musical americana da primeira metade do século XX).
A acção (com uma linguagem iminentemente teatral captada através de planos estáticos) decorre na noite de 31/03/1943, num único décor (um bar), no qual o dito cujo choraminga e maldiz, por entre copos, junto do barman, o sucesso da estreia da peça musical do seu eterno ex-companheiro artístico (Richard Rodgers), que findou a parceria entre ambos devido à sua crónica desestruturação decorrente do consumo excessivo de álcool.
É neste confinado espaço-tempo que somos apresentados de relance, num retrato intimista e melancólico, a este snob solitário (e simultaneamente emocional e psicologicamente colapsado) a braços com uma incontornável crise pessoal e criativa (obcecado com o sucesso alheio). "Blue Moon", mais do que um biopic, revela-se sobretudo um estudo de personagem, buscando a "alma" do artista (descortinada através de frequentes planos-sequência do protagonista, para que não percamos qualquer resquício da sua emotividade facial). @jmikecosta
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