A cozinha tal como todas as artes que na vida praticamos deve ser levada a sério. Num filme em que se fica sem se perceber qual a arte praticada, se a cozinha, se a paixão óbvia que nele acontece, o que levou a que um filme passado em França seja falado em inglês com sotaque francês e finalmente um desenrolar perfeitamente previsível, faz com que mesmo à distância de 100 passos ou 120 minutos de filme o espetador saia da sala com uma sensação de vazio. Este pelo menos que vos escreve estas linhas saiu. Porque de facto o filme se arrasta num conjunto de sucessões previsíveis, há tempo para fazer comparações. "Ratatouille"! Se a intenção era mostrar a arte de cozinhar mesmo em animação, é um dos filmes de onde se sai com fome e com vontade de ir um restaurante com estrela Michellin. "Slumdog Billionaire"! Se a intenção era transpor para o cinema por via culinária um conflito entre duas culturas cujo desfecho é repito previsível, a comparação de um com outro nem sequer é possível.
Assim a "Viagem dos Cem Passos" é com certeza para alguns uma iguaria capaz, para outros um caldinho sem sal.
Assim a "Viagem dos Cem Passos" é com certeza para alguns uma iguaria capaz, para outros um caldinho sem sal.