Cinecartaz

Rui Ivo Lopes

Os miudos ficarão bem

Os miúdos estão bem? Aparentemente sim. Lisa Cholodenko normaliza neste filme uma família nada convencional. Aparentemente os problemas são os de todos. Nic (Annette Bening) é uma médica de sucesso, controladora por ser o garante financeiro da casa o que lhe faz pensar que pode ser ela a ditar as regras. Jules (Julianne Moore) é a outra mãe que abdicou da carreira profissional para ficar em casa a tratar dos filhos e que, após estarem criados, retoma um trabalho com o que isso implica de nova adaptações no seio familiar. Joni (Mia Wasikowska) vive a apreensão própria de uma adolescente com a ida para a universidade; Laser (Josh Hutcherson) é um miúdo de 15 anos, que preocupa as mães por causa do amigo rufia. É dele a (natural?) curiosidade de conhecer o pai biológico, Paul, (Mark Ruffalo), solteirão, dono de um restaurante. Os miúdos estão bem? Estão. OU não!! Houve verdade sobre a forma como foram gerados, nada lhes foi escondido na sua educação. Mas o conhecimento do pai …há uma mãe perturbada com a complexidade da sua sexualidade, há uma empatia com o bio-pai (?) por causa desse laço biológico mas confusão sobre como gerir a entrada dele nas suas vidas e se há mesmo vontade de fazer crescer essa relação. Os miúdos estão bem? Sim. Sente-se que foram criados com amor, esse amor que acaba por vencer mal-entendidos e traições. Os miúdos estão bem? Sim. Cresceram numa família que tal como todas as outras não é perfeita nem normal porque a definição desses conceitos é muito flutuante….A questão que se poderá colocar é a de saber se temos o direito de experimentar novos tipos de relacionamento. Mas mesmo que alguns deles me causem alguns pruridos e bastantes interrogações, tenho de admitir que é isso que, enquanto sociedade, temos feito ao longo do tempo.

Publicada a 19-02-2011 por Rui Ivo Lopes