Os miúdos estão bem? Aparentemente sim. Lisa Cholodenko normaliza neste filme uma família nada convencional. Aparentemente os problemas são os de todos. Nic (Annette Bening) é uma médica de sucesso, controladora por ser o garante financeiro da casa o que lhe faz pensar que pode ser ela a ditar as regras. Jules (Julianne Moore) é a outra mãe que abdicou da carreira profissional para ficar em casa a tratar dos filhos e que, após estarem criados, retoma um trabalho com o que isso implica de nova adaptações no seio familiar. Joni (Mia Wasikowska) vive a apreensão própria de uma adolescente com a ida para a universidade; Laser (Josh Hutcherson) é um miúdo de 15 anos, que preocupa as mães por causa do amigo rufia. É dele a (natural?) curiosidade de conhecer o pai biológico, Paul, (Mark Ruffalo), solteirão, dono de um restaurante.
Os miúdos estão bem? Estão. OU não!! Houve verdade sobre a forma como foram gerados, nada lhes foi escondido na sua educação. Mas o conhecimento do pai …há uma mãe perturbada com a complexidade da sua sexualidade, há uma empatia com o bio-pai (?) por causa desse laço biológico mas confusão sobre como gerir a entrada dele nas suas vidas e se há mesmo vontade de fazer crescer essa relação.
Os miúdos estão bem? Sim. Sente-se que foram criados com amor, esse amor que acaba por vencer mal-entendidos e traições. Os miúdos estão bem? Sim. Cresceram numa família que tal como todas as outras não é perfeita nem normal porque a definição desses conceitos é muito flutuante….A questão que se poderá colocar é a de saber se temos o direito de experimentar novos tipos de relacionamento. Mas mesmo que alguns deles me causem alguns pruridos e bastantes interrogações, tenho de admitir que é isso que, enquanto sociedade, temos feito ao longo do tempo.
Rui Ivo Lopes