Habemus Papam - Temos Papa

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Comédia, Drama 105 min 2011 M/12 24/11/2011 FRA, ITA

Título Original

Habemus Papam

Sinopse

Depois da morte do Papa, os cardeais de todo o mundo reúnem-se para, em clausura, eleger o seu sucessor (Michel Piccoli). Enquanto isso, na Praça de São Pedro, milhares de pessoas aguardam ansiosamente a primeira aparição do novo Sumo Pontífice. Porém, esmagado com o peso da responsabilidade, o herdeiro de S. Pedro entra em pânico, recusando-se a aparecer em público. Depois de tudo tentarem, os seus conselheiros decidem chamar um dos mais reconhecidos psicanalista do país (Nanni Moretti) para o ajudar a ultrapassar a crise. Mas nada parece surtir efeito. E, depois de três dias com o mundo suspenso, vagueando solitariamente pelas ruas de Roma, ele tem de encontrar a coragem necessária para tomar a única decisão possível...<br />Uma comédia dramática, realizada por Nanni Moretti ("Querido Diário", "O Quarto do Filho"), sobre a dúvida, a angústia e a vulnerabilidade do ser humano. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Habemus Papam

Luís Miguel Oliveira

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Habemus Papam

Jorge Mourinha

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O Papa não vai para o paraíso

Vasco Câmara

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Críticas dos leitores

Muito Decepcionante

Tomás

Com efeito, Nanni Moretti, tem aqui a capacidade de fazer um filme muito apelativo. No entanto, parece que se esquece de contar uma história e o resultado final é incipiente. Classificação: 1/5.
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Não habemus Moretti

Gonçalo Macieira

<p>Um filme muito aquém dos que o precedem. Moretti, neste filme, parece perder a capacidade de nos seduzir pelo humor ou de nos agarrar pelo drama. Deriva inconsequentemente por episódios que não nos levam a lado nenhum para redundar num final insípido.</p>
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Um pouco de Nanni(smo)

André Lamas Leite

<p>A ideia central do filme é bastante inovadora: um Papa eleito que sofre um ataque de pânico na altura de se assomar à varanda do Palácio Apostólico da Praça de São Pedro e que enfrenta uma profunda crise quanto às suas reais capacidades para assumir a cadeira de Pedro. Uma novíssima maneira de encarar os conclaves, o secretismo envolvente e os jogos de poder amplamente tratados pela filmografia, desde logo com "As sandálias do Pescador".<br /><br />Todavia, Nanni Moretti fica alguns furos abaixo do que nos tem habituado. Falta intensidade dramática ao filme e ao personagem para ser um drama e falta muita ironia para estarmos perante uma comédia. Não adianta colocar cardeais e alguns bispos a defrontarem-se num torneio de voleibol, nem tão-pouco o discurso peripatético do psiquiatra desempenhado pelo próprio realizador.<br /><br />Estamos sempre à espera de mais, de um "volte-face" e o final, apesar de não ser surpreendente, cai mal pela falta de preparação dos espetadores. Falta uma reflexão sobre a luta interior do Papa eleito e, até (porventura fosse pedir demais...) alguma crítica à orgânica e posicionamento da Santa Sé. Lá se vai dizendo pela boca do Papa confundido que muita há a mudar, mas nada mais. Porventura produzir o filme em Itália tenha funcionado como algo que corta a liberdade artística.<br /><br />Porém, se é assim, Nanni Moretti está a perder qualidades. O que é, manifestamente, uma pena.</p>
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O homem face ao dever

Joao Estrangeiro

A história está bem contada, com humor e bem filmada. Trata-se do desafio de um homem com as suas fraquezas face ao dever de assumir o cargo de papa para o qual foi eleito pelos seus pares. O papel do psicanalista, ou de animador de tempos livres dos cardeais, desempenhado por Moretti, desenvolve-se de forma completamente paralela. O filme vendo-se bem, fica aquém das expectativas que cria.
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Piccoli, Moretti & Woody Allen

J.F.Vieira Pinto

<p>O "sequestrado" psicanalista, lê a Bíblia e chega à conclusão que é um livro depressivo. Enquanto os cardeais esperam o "sim" do eleito (pelos homens) Papa, aceitam entrar num jogo de voleibol com toda a igreja "global". O psicanalista contratado, que alguém se esqueceu de perguntar se era "crente", ajuda ainda a pôr um pouco de ordem na medicação que alguns cardeais tomam: ansiolíticos, soporíferos e até comprimidos para a obesidade!<br />Por estas alturas, o eleito Papa, vagueia pela sociedade "real". Antes, tinha contactado, anonimamente, uma psicanalista, onde confessa ter uma espécie de "sinusite psíquica". No autocarro, ensaia o discurso que terá de fazer perante os tais "mil milhões de católicos".<br />No cinema de Moretti, a sua presença é omnipresente. Em "Temos Papa", reparte o filme com a outra personagem fulcral: o cardeal Melville, representado pelo sempre competente e experiente Michel Piccoli, que diz "não conseguir" aceitar tão grande tarefa. Estamos perante duas figuras enormes do cinema europeu: Piccoli / Moretti.<br />"Temos Papa" é um filme bem realizado, onde os traumas de Nanni Moretti surgem com a naturalidade habitual. O personagem que interpreta (o psicanalista) tem as fobias habituais do realizador: a mulher, também psicanalista, que o deixou, por outro psicanalista e...muito "deficit parental" à mistura. Por momentos, pensamos que estamos num filme de Woody Allen.<br />Precisamos de mais "Morettis" que é como quem diz: mais exibição comercial de cinema italiano! Temos de vez em quando uma obra do Gianni Di Gregorio mas não chega...</p>
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Piccoli, Moretti & Woody Allen

J.F.Vieira Pinto

<p>O "sequestrado" psicanalista, lê a Bíblia e chega à conclusão que é um livro depressivo. Enquanto os cardeais esperam o "sim" do eleito (pelos homens) Papa, aceitam entrar num jogo de voleibol com toda a igreja "global". O psicanalista contratado, que alguém se esqueceu de perguntar se era "crente", ajuda ainda a pôr um pouco de ordem na medicação que alguns cardeais tomam: ansiolíticos, soporíferos e até comprimidos para a obesidade!<br />Por estas alturas, o eleito Papa, vagueia pela sociedade "real". Antes, tinha contactado, anonimamente, uma psicanalista, onde confessa ter uma espécie de "sinusite psíquica". No autocarro, ensaia o discurso que terá de fazer perante os tais "mil milhões de católicos".<br />No cinema de Moretti, a sua presença é omnipresente. Em "Temos Papa", reparte o filme com a outra personagem fulcral: o cardeal Melville, representado pelo sempre competente e experiente Michel Piccoli, que diz "não conseguir" aceitar tão grande tarefa. Estamos perante duas figuras enormes do cinema europeu: Piccoli / Moretti.<br />"Temos Papa" é um filme bem realizado, onde os traumas de Nanni Moretti surgem com a naturalidade habitual. O personagem que interpreta (o psicanalista) tem as fobias habituais do realizador: a mulher, também psicanalista, que o deixou, por outro psicanalista e...muito "deficit parental" à mistura. Por momentos, pensamos que estamos num filme de Woody Allen.<br />Precisamos de mais "Morettis" que é como quem diz: mais exibição comercial de cinema italiano! Temos de vez em quando uma obra do Gianni Di Gregorio mas não chega...</p>
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Um Moretti (aparentemente) politicamente correcto.

Miguel Costa

<p>Nanni Moretti é (re)conhecido por ser um contestatário realizador com ideais esquerda, pelo que seria de esperar q este "Temos Papa" fosse um filme de denúncia política na acepção mais banalizada do termo, ou seja, um panfleto contra a religião católica e as suas instituições (minadas pelos escândalos de pedofilia; pela corrupção; pelo conservadorismo das seus dogmas, e consequente desadaptação à realidade e às novas exigências do mundo moderno ...). No entanto, ele não escolhe "o caminho mais fácil" (e ainda bem, pois torná-lo-ia "banal"), e pelo contrário, procura um novo ângulo, enfatizando o "outro lado" do mundo religioso, mais concretamente, o da(s) crise(s) de identidade dos "apóstolos de deus" ( q - para o bem e para o mal - apesar da posição que ocupam, nunca deixarão de ser simples seres humanos com dúvidas, angústias e vulnerabilidades). Para o efeito relata-nos o drama dum Papa (representado soberbamente pelo Michel Piccoli) que, após ser escolhido pelos cardeais do conclave para exercer o cargo máximo da hierarquia da igreja católica, entra em pânico, por ter receio de não estar à altura das exigências inerentes ao exercicio do mesmo, e recusa-se a surgir perante "os olhos do mundo". Para tentar contornar esta delicada situação a santa sé decide contratar um psicanalista (Nanni Moretti) q, só por acaso, para além de ser freudiano, é ateu ... E pronto, como podem imaginar estão reunidos os ingredientes base para algo de hilariante (com a constante inserção de elementos profanos num universo pretensamente sagrado).<br />Mas, não sejamos ingénuos ao ponto de acreditar piamente nas palavras do Moretti (q, em entrevista, refere "o filme não é sobre religião, nem pró ou contra a igreja, mas sim sobre a dificuldade em estar à altura das expectativas"), uma vez q a crítica está toda "là", é preciso é saber lê-la nas entrelinhas (e aqui está a genialidade desta pelicula, q pode ser definida como um misto de "quase-comédia", "quase-drama" e "quase-filme critico")</p>
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Moretti delicadamente regressa

André Medeiros Feijó

<p>Muitas vezes esperamos ansiosamente, e por demasiado tempo, pelo lançamento de mais uma obra de algum dos nossos realizadores dilectos e eis que, quando surge, ela supera sobremaneira as nossas melhores expectativas. Falo, desta vez, de "Habemus Papam" de Nanni Moretti. Não é novidade para ninguém que amo o cinema italiano e menos novidade é que Moretti se encontra no Olimpo das minhas preferências desde que realizou o sublime "O Quarto do Filho" - vencedor da Palma de Ouro em Cannes -, um dos filmes mais comoventes a que já assisti. Foi essa obra que me levou a visitar grande parte da filmografia de Moretti, coisa de que jamais me poderei arrepender. Fiquei portanto extasiado quando soube que este ano estrearia este seu filme e nem hesitei em ir vê-lo na estreia.<br /><br />Moretti veio tocar, desta feita, num assunto q.b. sensível e/ou polémico: a escolha de um Papa, no Conclave. Socorrendo-se das cenas reais da morte de João Paulo II, do seu funeral e das emoções que então se fizeram sentir na Praça de São Pedro, o filme toma como ponto de partida a escolha de um novo Papa, com centenas de jornalistas a noticiar o evento e a apontar os favoritos à eleição. Estou em crer que as cenas do Conclave são absolutamente estupendas, traçando um retrato bem verosímil de um grupo de senhores de provecta idade, rabugentos e aborrecidos - os cardeais -, que no momento da derradeira escolha tomam atitudes a que chamaríamos pueris.<br /><br />Não obstante, é chegado o momento em que, e por unanimidade, se escolhe o novo representante de Deus na Terra e o eleito é o cardeal Melville, brilhantemente interpretado por Michel Picolli. Este escolhido não o queria verdadeiramente ser e tem uma crise no momento em que se deveria dirigir aos fiéis. Na verdade, não pretende ser Papa e quer aproveitar os anos que lhe restam de velhice, dedicando-se a algo diferente daquilo para que foi eleito entre os seus pares. A solução está então em chamar um conhecido psicanalista - interpretado pelo próprio Moretti - na tentativa de que este possa convencer o novo Papa eleito de que ele é homem certo para o cargo e de que supere os seus medos. Mas essa é uma tentativa malograda. E o final do filme haverá de nos demonstrar isso mesmo, levando-nos, pelo menos no meu caso, à comoção.<br /><br />O retrato que Moretti nos faz de um homem prestes a passar pela maior e mais importante mudança da sua vida é, de facto, soberbo. E não menos soberba e tocante é a sensibilidade e melancolia com que Picolli interpreta a sua personagem. "Habemus Papam" é um filme perfeitamente psicanalítico, uma lição moral sobre o peso que constitui a responsabilidade religiosa e acima de tudo uma demonstração sublime de como Moretti doseia o seu peculiar humor com a densidade de um autêntico testemunho existencial: o cardeal Melville e a sua comovedora vulnerabilidade.<br /><br />Uma nota final apenas para considerar despropositada a carta de Salvatore Izzo, um bispo italiano, publicada no diário «Avvenire», onde pede aos católicos de todo o país para não verem este último filme de Nanni Moretti. Para Salvatore Izzo, não se deve tocar no Papa, alicerce fundamental e primeiro da fundação da Igreja. E apesar de reconhecer que não viu o filme, incentiva os leitores do «Avvenire» a boicotarem a película, coisa que mais ninguém no Vaticano fez. Respondendo a isto, Moretti disse que o seu filme não é sobre religião, nem pró ou contra a igreja, mas sim sobre a dificuldade em estar à altura das expectativas. Eu diria tão-só que desta vez o realizador colocou a fasquia bem alta e realizou, sem dúvida, um dos mais belos filmes.<br /><br />Critica originalmente publicada em www.retroprojeccao.blogspot.com</p>
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Habemus mappam

Robin Fior

<p>O filme de Nanni Moretti não trata de uma perda da fé, da parte de um cardeal ficcional Melville, mas de um caso de medo do palco - ‘stage fright' do actor representado por Michel Piccoli, e da incapacidade do autor /actor /realizador / argumentista de impor o seu jogo numa realidade. Desde a escolha do nome Melville para o protagonista - do actor/realizador/resistente Jean-Pierre, que escolheu o nome por razão de seu fascínio com o Herman Melville, e o caçador do grande branco cachalote Moby Dick, "Call me Ahab" até a escolha do Miserere ao fim (finis) do filme, do compositor quase-finlandês (Finn[ish]) o estoniano, Arvo Pärt, estamos num mundo poliglota que corresponde à composição mesma do Colégio dos Cardeais, e esta mão cheia dos trocadilhos evoca os défices, e as mais-valias da sua inter-comunicação.<br /><br />Neste filme, o autor/psico-analista, ou sua altera atribua o medo paralisante do cardeal ‘actor' ao ‘défice parental' - que aliás é exemplificado pelo actor Chekoviano (e maníaco) - que por circularidade, desqualifica-lo por agir como (Santo) Padre, apesar do seu deleite em contactar com o mundo das pessoas. Enquanto Moretti retroverte o Espírito Santo para o sentido do humor, o cardeal ‘actor' Melville (ao contrário ao Woytila, actor amador) recusa o jogo de voleibol como deus ex-máquina, mas é um bom argumento estruturalista (da Escola de Praga), ferramenta essencial para qualquer designer consciente, e dava 4 **** por isto e o calor humano.</p>
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Surpreendente

Pedro Sousa

Uma abordagem surpreendente sobre um tema para o qual assumimos imensos pré-juízos e que, neste filme, nos faz pensar.<br />Gostei do filme e obrigado pelos bilhetes.
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