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A Complete Unknown

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Drama, Biografia 141 min 2024 M/12 30/01/2025 EUA

Título Original

Sinopse

Em 1960, um jovem chamado Robert Zimmerman – interpretado por Timothée Chalamet que, com este papel, está nomeado para o Óscar de melhor actor – deixa Duluth, no Minnesota, e chega a Nova Iorque com o objectivo de conhecer Woody Guthrie (1912-1967), o seu grande ídolo, e de se afirmar como músico e compositor.

Robert impressiona Guthrie e o seu amigo Pete Seeger (1919-2014)​ e​, em 1962, já com o nome de Bob Dylan, lança o primeiro álbum, um disco que mistura folk, blues e gospel. A 24 de Julho de 1965, já famoso e como cabeça de cartaz do Newport Folk Festival (que tinha sido iniciado em 1959 em Rhode Island), Dylan decide tocar com uma guitarra eléctrica. Essa decisão, controversa e muito criticada por alguns puristas do folk, deu início a uma revolução no seu percurso.

Realizado por James Mangold – conhecido por filmes como "Walk the Line" (2005), uma cinebiografia musical de Johnny Cash; o remake de "O Comboio das 3 e 10" (2007), "Logan - The Wolverine" (2017) ou, mais recentemente "Le Mans '66: O Duelo" (2019) e "Indiana Jones e o Marcador do Destino" (2023) –, este "biopic" tem por base a obra Dylan Goes Electric!, de Elijah Wald, e segue o caminho de Dylan, desde que era um jovem desconhecido até se tornar um dos mais icónicos cantores e compositores da história da música.

Com canções poéticas e cheias de significado, Bob Dylan foi o primeiro (e, até agora, o único) artista na história a ganhar, em 2016, um Prémio Nobel da Literatura e um Pulitzer pela sua obra, assim como um Óscar, um Grammy e um Globo de Ouro – os três últimos pelo tema "Things have changed", composto para o filme "Wonder Boys - Prodígios".

O elenco conta ainda com a participação de Edward Norton, Elle Fanning, Monica Barbaro, Boyd Holbrook, Dan Fogler e Norbert Leo Butz. Para além dos oito Óscares para que está nomeado, A Complete Unknown foi indicado para vários prémios, entre eles os Globos de Ouro, os Screen Actors Guild e os Critics Choice Awards. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

A Complete Unknown: retrato de Bob Dylan como metamorfose ambulante

Jorge Mourinha

Transportado por um Timothée Chalamet notável, o filme de James Mangold explora de maneira classicista mas fascinante as contradições e identidades múltiplas de Bob Dylan. Estreia-se quinta-feira.

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Críticas dos leitores

A Complete Unknown

Fernando Oliveira

“A Complete Unknown” conta a história de Bob Dylan desde a sua chegada a Nova Iorque até ao Festival de Newport em 1965; a sua relação com Woody Guthrie e Pete Seeger, a sua relação atribulada com Joan Baez, os anos em que se tornou um dos nomes mais importantes daquela folk mais purista na sua forma, condição que, em contraponto, foi primeiro minando com a complexidade das suas letras, até à “traição” em Newport, quando neste festival assumidamente “purista” cantou, “electrificando” a sua música. Quando percebendo que o seu “caminho” era outro sabotou a sua aura. A seguir veio o álbum “Highway 61 revisited”, mas isso já é outra história.

Ou seja, alguém que chegou a Nova Iorque já com canções escritas, mas ainda “preso” à ideia de compor música no género do seu ídolo, Guthrie, mas que pouco a pouco foi interiorizando os ventos da mudança. Um Robert Zimmerman que rapidamente percebeu que Bob Dylan também era uma personagem, sempre a representar, uma “ideia” que ele assume com algum oportunismo, mesmo que seja sem maldade.

Houve vários Bob Dylan, já o contava Todd Haynes em “I`m Not There” em 2007. Por isso é surpreendente que Timothée Chalamet, mesmo por vezes usando os seus forçados maneirismos habituais, consiga dar ao seu Dylan essa amplitude, consegue “mudar” conforme com quem está, conforme como está. “Like a complete unkown / Like a rolling stone". Outras interpretações notáveis são de Edward Norton (Pete Seeger), Monica Barbaro (sempre “fugi” da folk limpinha de Joan Baez, mas a sua magnifica interpretação despertou-me a curiosidade) e Elle Fanning (Suze Rutolo, mas no filme chama-se Sylvie Russo).

E se o trabalho de James Mangold é bem conseguido, este filme deixa-nos como um lamento: olharmos para um tempo em que a música era interventiva, incentivava à revolução, tinha ideias, e estes músicos eram ao mesmo tempo populares, vendiam muitos discos, tudo muito diferente da feira de vaidades actual (explico: hoje há músicos tão bons ou melhores que os dessa época, há é pouca gente a dar por eles). Um filme sobre “um completo desconhecido”, só conhecemos os génios através da sua obra. E, se calhar, assim é que está bem. Muito bom filme. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")

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Mitificação

Maria João Silvestre

"A Complete Unknown", com a realização de James Mangold, estreou em 2025. Acompanha o percurso do jovem Bob Dylan até à ascensão ao estrelato. Destaca-se o desempenho de Thimothée Chamalot e o cuidado com a tradução e transcrição das letras das músicas. Nada mais. É um filme que abre o apetite para outra eventual biografia, visto que o protagonista, enquanto homem, permanece um ilustre desconhecido para o espectador.

É uma obra cuidada, mas que investe em alimentar o mito e em não revelar a dimensão pessoal de Dylan.

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A presença da personagem

Nazaré

A emergência dum grande músico norte-americano, não um biopic, cheio de imprecisões e manipulações de pormenor, mas com duas coisas excelentes: a autenticidade da presença das personagens — estamos perante Dylan, perante Cash, perante Baez, perante Seeger; e a estética visual, sóbria mas notavelmente eficaz.

Belo trabalho dos actores. Tudo muito agradável, mas no final fica a saber a pouco.

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Uma caneta e uma guitarra

Fernando Pimentel

Não ganhou Óscares, mas são 141 minutos bem empregues, mais bem empregues que o concerto do Bob Dylan a que assisti ao vivo há cerca de um ou dois anos. Trata-se de música e literatura de alta qualidade e, por uma vez, os equipamentos sonoros das salas de cinema servem para nos fazer vibrar ao som das cordas em vez de nos sobressaltarem.

É um filme moldura, que talvez valha mais pelo retrato que circunscreve, do que propriamente enquanto objecto fílmico em si, mas nessa condição também não desilude. Há talento e competência qb, mais do que por exemplo em "Ford vs Ferrari", mas também não espanta. É difícil fazer um motor soar melhor do que uma guitarra, e as ideias (ou a falta delas) às vezes vêm simplesmente da matéria que temos nas mãos.

Como em tantos filmes americanos para o grande público, temos aqui também momentos de forte carga emocional, que a música dispensa terem de basear-se em gags previsíveis ou lágrimas recicladas. Alguém se lembrou, e para isso servem os realizadores, de mostrar a música pela imagem dos olhos dos personagens que a escutam. Essa é claramente uma das ideias interessantes do filme.

Quanto aos amores, o tratamento da questão é feliz na forma como desperta em nós uma sensibilidade compassiva, que suspende julgamentos apressados. Como se pudéssemos todos entender o que se passa, porque afinal, estamos todos a ouvir a mesma música.

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3 estrelas

José Miguel Costa

TIMOTHÉE CHALAMET JÁ TEM O ÓSCAR DE MELHOR ACTOR NO PAPO (sorry, Adrien Brody!), sem quaisquer dúvidas. Não fosse o filme "A Complete Unknow" protagonizado pelo Timothée Chalamet e, provavelmente, nem sequer tê-lo-ia visto, já que a cinefilia musical não é de todo a minha praia (para além de que não nutro especial simpatia pelo Bob Dylan).

No entanto, o realizador James Mangold acabou por cativar-me com este "biopic" musical (apesar de ser um quase filme-concerto) que celebra a idiossincrasia e a liberdade artística do icónico musico-poeta que redefiniu o paradigma da pop music da segunda metade do século XX.

Foca-se exclusivamente no seu ciclo de vida entre 1961 (data em que o jovem de 19 anos chega a Nova Iorque) e 1965, durante o qual passou de porta-voz da nova geração da música folk e de protesto (após uma meteórica ascensão) para a condição de traidor (acarretando com a fúria dos puristas que o acusaram de ter-se deixado seduzir pela diabólica guitarra eléctrica do selvagem rock and roll).

Pese o seu registo marcadamente clássico, Mangold através de uma constante alternância entre grandes planos (que captam ao pormenor a "essência" do génio de mau feitio) e planos abertos (das actuações ao vivo), bem como por uma meticulosa reconstituição histórica (ao nível dos cenários e figurinos), consegue imergir-nos, de forma intima, no seio da vibrante e transgressiva energia dos clubes indie da década de 1960.

Mas, obviamente, tudo isto "ganha vida" por exclusiva culpa da intensa/estrondosa performance do menino bonito de Hollywood Timothée Chalamet que, inclusive, canta (sem recurso a playback) todas as canções do filme.

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Vale a pena ver

Nuno Alves

Apesar de se tratar de uma produção do Hollywood, com tudo o que tal implica, designadamente termos de cinema (comercial), vale a pena ver este filme pela interpretação do protagonista e pela fidedignidade à história das primeiras décadas da vida e da carreira de Bob Dylan.

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