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Sem Alternativa

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Negro, Comédia, Thriller 139 min 2025 M/14 12/02/2026 Coreia do Sul

Título Original

Man-su vivia realizado e feliz com a família até ser despedido da empresa onde trabalhou durante décadas e onde ocupava um cargo importante. Apesar de confrontado com uma sensação de vazio e uma grande humilhação, recusa-se a baixar os braços e a abdicar do estilo de vida que construiu. À medida que se deixa arrastar pelo desespero, e disposto a tudo para conseguir um trabalho à sua altura, ele começa a pôr em prática um plano que transforma a procura de um novo emprego numa sucessão de crimes terríveis.

O filme, baseado no romance The Ax, de Donald Westlake, já anteriormente adaptado ao cinema por Costa-Gavras em "Golpe a Golpe" (2005), foi seleccionado para competir no Festival de Toronto, onde arrecadou o prémio de melhor filme, e no de Veneza. Nos Globos de Ouro, obteve três nomeações, nas categorias de melhor actor, melhor filme e melhor filme em língua não inglesa.

A realização é da responsabilidade do sul-coreano Park Chan-wook ("Oldboy", "Thirst - Este É o Meu Sangue...", "A Criada", "Decisão de Partir"​), que co-escreve o argumento com Lee Kyoung-mi, Lee Ja-hye e Don McKellar. O elenco inclui Lee Byung-hun, Son Ye-jin, Park Hee-soon, Lee Sung-min, Yeom Hye-ran, Cha Seung-won e Yoo Yeon-seok. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Sem Alternativa: capitalismo e serial killers

Luís Miguel Oliveira

Park Chan-Wook, o realizador de Oldboy, entrega puro folclore para convertidos à ideia dos malefícios do capitalismo extremo.

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Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

"Old Boy" (2003), " A Criada" (2016) e "Decisão de Partir" (2022) são motivo bastante para o sul-coreano Park Chan Wook integrar o leque dos meus realizadores de eleição. A sua nova obra "Sem Alternativa" (selecionada para competição no Festival de Veneza e galardoada com o Prémio de Melhor Filme no Festival de Toronto) apenas vem reforçar esta minha convicção.

Um ácido "thriller" social que aposta num registo de comédia satírica negra (trespassada por uma hilariante onda de violência burlesca) para apontar o dedo aos efeitos nocivos do neoliberalismo predatório (reforçado pelo poder de um novo temível "aliado invisível", a inteligência artificial) sobre o Indivíduo, descartando-o e, consequentemente, esmagando-o ao nível da sua dignidade (levando-o, inclusive, a ultrapassar limites éticos inimagináveis com o objectivo de manter o seu estatuto social - dependente da manutenção do posto de trabalho do qual retira o sustento).

Esta premissa do "capitalismo desumanizante" é-nos transmitida através da história (em que o absurdo e a crueldade se alimentam mutuamente) de um homem feliz (apresentado no prólogo - numa espécie de paródia - como detentor de uma vida idílica com a sua harmoniosa família materialista) que, inesperadamente, vê o chão faltar-lhe debaixo dos pés ao ser despedido sem qualquer contemplação pelo seu virtuosismo e dedicação profissional, após a fábrica de papel na qual laborava ser adquirida por uma empresa multinacional.

Tal evento (sem perspectiva de reingresso no mercado laboral num curto espaço temporal), para além de levá-lo a ter de abdicar de uma série bens/actividades definidoras do seu estilo de vida, mergulha-o numa crise de identidade (ao colocar em causa o seu papel de "macho alfa" numa sociedade tipicamente patriarcal).

Todavia, decide remar contra a maré, pondo em prática um pouco ortodoxo plano que visa assassinar, gradualmente, um grupo de trabalhadores que, porventura, possam a vir a ser seus concorrentes directos em hipotéticas futuras entrevistas de emprego (transformando-se, deste modo, num surreal e ambiguo "serial killer", disposto a tudo para "manter-se à tona no capitalismo"). @jmikecosta

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