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A Rua da Vergonha

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Drama 91 min 1955 M/12 11/05/2017 JAP

Título Original

Akasen Chitai

Sinopse

Acessível gratuitamente entre as 12 horas do dia 7 até ao dia 9 de Maio através do site oficial da Medeia Filmes 

A vida de cinco prostitutas que trabalham num bordel na famosa e histórica zona de prostituição de Tóquio, Yoshiwara, e a forma como os seus sonhos e ambições são constantemente destruídos pela realidade social e económica que as rodeia. Texto: Cinemateca Portguesa

Críticas dos leitores

Rua da Vergonha

Fernando Oliveira

É talvez o mais triste, o mais trágico, mas ao mesmo tempo o mais belo dos filmes sobre a prostituição. “Rua da Vergonha” foi realizado por Kenji Mizoguchi em 1956, o ano da sua morte, e é um dos filmes essenciais da História do Cinema. Num Japão devastado e empobrecido pela derrota na Segunda Guerra era comum as famílias venderem as filhas para a prostituição, também era comum muitas mulheres prostituírem-se para darem sustento à família.

Este filme conta a história de cinco dessas mulheres a trabalharem num bordel em Tóquio chamado cruelmente “Terra dos Sonhos”, onde estão “aprisionadas” por dívidas ao patrão. Enquanto os legisladores consideram proibir a actividade, seguimos o quotidiano, os dramas, as expectativas a desfazerem-se, daquelas mulheres. Percebemos as suas razões: uma é casada, o marido desempregado, um filho bebé; outra suporta o filho adulto, até ele perceber o que a mãe faz; outra tem um homem que quer casar com ela, mas que ela usa para extorquir dinheiro para pagar as dividas e sair dali; apenas Mickey, que fugiu de casa, parece estar à vontade com o que faz (mas há a amoralidade vertiginosa e angustiante da cena em que reencontra o pai que a vai procurar).

No fim do filme aparece outra: uma adolescente vendida pela família; na noite em que começa a prostituir-se, na última cena do filme ao chamar os homens que passam na rua, envergonhada, a esconder-se, nessa cena a sua expressão é tão poderosa, tão acusatória, como o de Monika no filme de Bergman. A proposta de lei é recusada, a prostituição vai continuar a destruir a vida de adolescentes e mulheres. Mizoguchi – cuja irmã se prostituíra para sustentar a família e que por isso ficou marcada, emocional e fisicamente, tinha uma cicatriz nas costas resultado de uma briga com outra mulher – retrata neste filme, muito mais do que mulheres a viverem um “desvio moral”, as mulheres como um espelho das relações familiares e sociais.

Mulheres genericamente definidas pela sua condição: Mizoguchi inicia o filme com uma panorâmica sobre a cidade para depois bruscamente enclausurar aquelas mulheres num plano fixo daquela rua esconsa e sombria. Um olhar quase documental, realista a fugir, sem fugir, do melodrama de mulheres sem redenção. Dota aquelas mulheres de uma complexidade que lhes retira a culpa e as desenha na sua magnífica humanidade.

Mulheres que precisam de ser amadas: foi isto o Cinema de Mizoguchi. A realidade é evidentemente brutal neste filme, um “erotismo” que não é físico sufoca cada cena. De um realizador que soube olhar para o lugar e a condição da mulher, “Rua da Vergonha” é um olhar trágico sobre uma tragédia: mulheres encurraladas pela vida. Sublime. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")

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Rua da Vergonha

Maria Oliveira

Gostei muito!! <br />É um filme que nos transporta para um outro tempo, uma outra sociedade cujos problemas não são assim tão diferentes das sociedades actuais. <br />É um filme que com a sua subtileza, sem necessidade de utilização de nus ou cenas mais directas consegue passar toda a informação. <br />E é interessante a forma como retrata a história destas mulheres de origens diferentes e razões diferentes mas que partilham um mesmo destino, nem que seja durante um período de tempo.
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