A Criada
Título Original
Ah-ga-ssi
Realizado por
Elenco
Sinopse
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O conto da vigária
A Criada é uma história passional de vigaristas que é também um ensaio sobre a narrativa e prova da maturidade do coreano Park Chan-wook.
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Críticas dos leitores
A Criada
Fernando Oliveira
“A Criada” é um excepcional melodrama narrado naquela estranheza algo perversa a que Park Chan-wook sempre nos habituou, o fantástico a revelar-se no quotidiano, uma intensa história de amor louco, encharcado por uma sensualidade muito bela. É um notável argumento, adaptado de um romance de Sarah Waters pelo realizador e por Jeong Seo-kyeong, contado na Coreia dos anos 30 durante a ocupação pelo Japão.
Começa à chuva, uma jovem mulher entrega uma criança a uma outra mulher mais velha, outra grita: “eu é que devia ir para a casa do japonês”; sabemos depois que a jovem é uma ladra, vive num bordel convertido em albergue para crianças órfãs a traficar para o Japão; ela é contratada por um vigarista para ser criada de quarto de uma jovem rica que vive numa propriedade isolada com um seu tio; tem de convencer a senhora a aceitar o namoro deste homem, já visitante habitual da casa (pintor, cria cópias de páginas perdidas dos livros coleccionados pelo tio). Só que entre as duas mulheres despertam emoções inesperadas…
Mas Park Chan-wook nos seus filmes quase sempre mostra tanto quanto esconde, aquilo que é filmado lá atrás é muitas vezes mais importante que o que está em primeiro plano (lembro-me do espantoso inicio de “Stoker”); e neste filme nada do que parece é, quando a história parece acabar como um noir clássico, quando pensamos perceber quem enganou e quem foi enganado, o realizador recua no tempo, e começa a contar outra vez a história…
E vamos olhar de forma diferente para as personagens e para a intriga, cenas curtas da primeira parte são contadas na totalidade, a verdade que estava oculta por mentiras e enganos e é-nos revelada como num thriller onde a vertigem autodestrutiva dos personagens (há uma cerejeira, a árvore do suicídio, onde a paixão entre as duas mulheres se clarifica), é contaminada por um humor tangente a alguma crueldade (o tio da jovem senhora, que com ela quer casar para ficar com o seu dinheiro, é um bibliófilo, apaixonado por histórias eróticas, ensinou a jovem a ler de forma a poder interpretá-las para uma plateia de homens com os mesmos gostos que ele; e, assim, uma mulher que nunca experimentou os prazeres do sexo, sabe tudo sobre ele – os guizos, na cena final).
E a história ainda vai ter uma terceira parte… Assim duas mulheres (interpretadas por duas excelentes actrizes: Kim Tae-ri e Kim Min-hee, a companheira e interprete dos filmes de Hong Sang-soo) forjam no seu amor, e na incompreensão e impotência masculina perante a sublimação sexual da sua paixão (as cenas de sexo são mostradas com uma elegância notável), a força suficiente para encontrarem a felicidade num mundo dominado pelo gosto e pelo olhar dos homens.
É na mesma uma descida aos abismos da alma, mas um olhar masculino (do realizador) sobre a força feminina, onde a desigualdade social e de sexo pode ser anulada pela força do amor. Que também nos faz esquecer alguns dos maneirismos do realizador, ou os seus sublinhados gráficos. Um filme belíssimo.
(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
5 estrelas
JOSÉ MIGUEL COSTA
5 estrelas
JOSÉ MIGUEL COSTA
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