Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

Thomas Vinterberg é o pai de duas obras que considero de culto, "A Festa" (filme saído da fornada do Dogma 95 - movimento cinematográfico dinamarquês, do qual foi um dos fundadores, em conjunto com Lars Von Trier) e "A Caça", pelo que as expectativas em relação ao seu último trabalho só podiam ser (muito) elevadas.
Talvez devido ao seu currículo de excelência, este "A Comuna" (cuja trama gira em redor de um grupo de amigos adultos de Copenhaga que, nos idos anos 70 do séc. XX, decide dar forma à utopia da vivência/partilha comunitária numa casa em cuja gestão todos os intervenientes participavam) acaba por desapontar. Não que seja mau (pelo contrário - afinal quem tem "predicados" nunca os perde) e, em determinados momentos, até consegue "atingir o ponto" (com magníficas cenas de tensão - daquelas que se esperava nos oferecesse em maior quantidade, ou não fosse ele um manipulador exímio das emoções humanas, elevando-as quase ao limite do insuportável). Todavia, a introdução de inúmeros episódios paródicos/anedóticos retira-lhe uma certa carga dramática (e, não poucas vezes, devido a esta opção narrativa, quase transforma este produto –desnecessariamente heterogéneo - numa espécie de feel good movie).

Acresce que o realizador não desenvolve devidamente todos os personagens integrantes do enredo, a generalidade é utilizada como simples adereço, sendo que o Viterberg preferiu focar-se quase exclusivamente no processo de formação de um trio amoroso. Talvez se tivesse explorado as idiossincrasias dos restantes membros (alguns deles com características bastante interessantes), bem como a interacção entre si, o resultado final tivesse sido mais satisfatório.

Publicada a 05-09-2016 por JOSÉ MIGUEL COSTA