Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões

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Drama, Crime 121 min 2018 M/14 22/11/2018 JAP

Título Original

Shoplifters

Sinopse

Osamu e Nobuyo são um casal muito pobre cujos rendimentos miseráveis não chegam para sustentar a família. Para sobreviver, recorrem a pequenos furtos em lojas e supermercados. Um dia, Osamu encontra Yuri, uma menina perdida no meio da cidade, que se percebe ter sido vítima de negligência. Apesar das carências em que todos vivem, esta família resolve receber a criança em sua casa e assegurar-se de que fica bem...
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, um filme dramático sobre a importância dos afectos com assinatura do aclamado cineasta japonês Hirokazu Koreeda ("Ninguém Sabe", "Andando", "O Meu Maior Desejo", "Tal Pai, Tal Filho", “O Terceiro Assassinato”). PÚBLICO
 
 

Críticas Ípsilon

Ninguém sabe o que é uma família

Luís Miguel Oliveira

Shoplifters é um retrato “classista” do Japão, a contrapor conforto material e calor emocional, a perguntar o que é, realmente, uma família.

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Críticas dos leitores

Uma família de pequenos ladrões

Fernando Oliveira

Os filmes de Hirokazu Koreeda não contam histórias, são filmes que se deixam habitar pelas histórias, pelos seus personagens, as suas rotinas e os seus rituais. É um olhar com algum de pudor, sem qualquer juízo, um olhar quase documental sobre os acontecimentos na vida das suas personagens, os estremecimentos que ocorrem. Há uma quase ausência de movimento, mesmo quando na aparente normalidade, começam a surgir momentos e indícios de estranheza. São grupos fechados, que apenas a crescente desagregação faz “abrir” para o exterior. <br /><br />Neste olhar (recorrente em todos os filmes, vem com facilidade à memória “Ninguém sabe”, o primeiro filme de Koreeda estreado em Portugal) que sendo frio formalmente consegue ser também bastante terno, está um olhar terrível sobre a desumanidade que define as sociedades modernas (sendo anterior, “Uma família de pequenos ladrões” terá alguma coisa a ver com “Parasitas” de Bong Joon-ho). Mais extraordinário ainda é que este olhar de Koreeda é nos dado a partir das crianças e do seu posicionamento perante as escolhas dos adultos. <br /><br />Em “Uma família de pequenos ladrões” ninguém é o que parece ser – a avó, o pai e a mãe, uma adolescente, e um rapaz ainda criança, e também uma menina que eles “adoptam” quando percebem que é mal-tratada pelos pais). Vivem numa casa miserável, são sustentados pela pensão da avó; pelos ordenados em empregos que pagam mal (ele trabalha nas obras, ela passa a ferro), e que acabam por perder; a adolescente trabalha numa casa de striptease “soft”. A estranheza entranha-se: ensinaram ao filho (e depois à menina), os truques para executar “pequenos” roubos em lojas. Mas o filme não julga, documenta – o que nos mostra é uma família que é feliz, e que sabe funcionar dentro das suas rotinas, que é generosa, e que aceita os defeitos de uns e de outros. E enquanto a verdade nos vai sendo revelada a pergunta que fica é o que é que realmente uma família, são os laços de sangue ou algo que se constrói. Quando no fim o olhar do realizador abandona o olhar de cada um dos miúdos, percebemos que a tragédia não está na verdade terrível por detrás da “construção” daquela família, está na sua desagregação, no desmontar da mentira. <br />(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt")
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Imperdível

Magda Milão

A arte cinematográfica levada ao seu melhor. Sensibilidades contemporâneas, preocupações universais, narrativa intemporal. Uma obra prima.
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Excelente

Lucas Pires

Filme soberbo. O melhor do ano!
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Shoplifters

Helena Costa

Muito comovente. A ternura envolve todos os personagens de uma maneira única
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4 estrelas

José Miguel Costa

Quem já conhecer Hirokazu Kore-Eda de outras andanças (nomeadamente, através dos filmes, “Ninguém Sabe”, “Andando” e “Tal Pai, Tal Filho”) não ficará propriamente espantado com a humanidade, sensibilidade, contenção, precisão e inocência com que capta, através do seu estilo observacional (impregnado pela “poesia da simplicidade”), os afectos emanados pela apelativa “família” sem laços de consanguinidade que nos apresenta na sua nova obra, “Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões”. <br />Tal característica, aliada ao exímio trabalho de actores (manifesto sobretudo no naturalismo do elenco infantil), transformam esta pelicula nipónica numa elegante joia cinematográfica (apesar desta explanar/explorar um universo nada glamoroso - a “cultura da pobreza” daqueles que vivem nas traseiras da tecnológica Tóquio). <br /> <br />A característica fealdade das temáticas afloradas (que incluem roubos, raptos, fraudes à segurança social, actividades de índole sexual e até ocultação de cadáver - e tudo isto tendo por “pano de fundo” o questionamento do conceito de família biológica) é (quase) romantizada neste Shoplifters, onde “nem tudo o que parece é” (e vamo-lo descobrindo à medida que a narrativa se vai desenrolando sem pressas, por forma a criarmos empatia com todos os seus “delinquentes”). <br />De tal modo, que “damos por nós” a ser instintivamente “permissivos”/compreensivos para com aqueles que actuam à margem da lei. E o Hirokazu Kore-Eda consegue-o ao demonstrar-nos que nada é simplesmente “branco ou preto” (aliás, a nossa iris é literalmente premiada com uma magnifica paleta de cores, que vai alternando entre as tonalidades vivas/quentes e frias, consoante a natureza das “emoções” dissecadas no momento), sem necessidade de recorrer à glorificação melodramática da pobreza e/ou justificá-la através de teses sociopolíticas. Basta-lhe expor-nos (sem qualquer lógica simplista – “apenas” bombardeando-nos com afectos) perante as ambiguidades morais do “bem e do mal” (e do próprio sistema judicial) para que fiquemos em conflito e não ousemos efectuar quaisquer “condenações sumárias”.
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Shoplifters

Helder Costa Almeida

Muito bom.
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Shoplifters

maria emilia soares

Muito bom a não perder.
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