Pacifiction

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Thriller, Drama 165 min 2022 M/12 09/03/2023 ALE, FRA, ESP, POR

Título Original

Um “thriller” que vive tanto do esplendor artificial – a forma que o realizador Albert Serra tem de transformar o natural em criação de estúdio –, quanto do logro da política. O actor Benoît Magimel, na sua ambivalência de “moço de recados” do “statu quo”, na sua irreversível deriva pela traição, silhueta física desconfortável com o seu volume, tem “o” papel de uma carreira. É também por causa dele, que cruza com voracidade o cinema comercial com o cinema de autor e que se adequa às idiossincrasias de Serra, que se arrisca a ter aqui o seu filme de alcance mais transversal. "Pacifiction" foi escolhido como filme do ano para os Cahiers du Cinéma, recebeu o prémio Louis Deluc, atribuído por uma vintena de críticos e personalidades, encabeçada pelo antigo presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob. Vasco Câmara, PÚBLICO

 

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Críticas dos leitores

2 estrelas

José Miguel Costa

O filme "Pacifiction" (coprodução entre vários paises - Espanha, França e Portugal - dirigida pelo realizador Albert Serra) é um triller poltico de "autor" (altamente abstrato e algo hipnótico) sobre o pós-colonialismo francês. A acção decorre numa ilha da Polinésia e tem por foco um alto representante do governo francês encarnado por Bênoit Magimel (cuja prestação lhe valeu o César de Melhor Actor). Um sujeito calculista e insondável, que se movimenta de forma lasciva entre os diversos circulos sociais daquele território (incluindo os mais obscuros), confrontado com a pressão de um movimento local de cidadãos (alegadamente incentivado por enigmáticas forças provenientes do exterior) que ameaça rebelar-se contra a República devido a rumores sobre o reinicio dos testes nucleares naquela zona. Apesar de escolhido como filme o grande filme do ano 2022 pelo Cahiers du Cinéma (depois da aclamação no festival de Cannes, onde esteve na luta pela palma de ouro), trata-se de uma obra que apenas cativa (inicialmente, pois "tudo o que é demais cansa") pela sua estética visual e sonora (longos planos-sequência saturadissimos de cor e distorções musicais), já que não poucas vezes "ficamos às aranhas" (durante os longos 165 minutos de duração) com a sua narrativa quase sempre no limite do impercetivel (e em que a "história" sem significado não nos oferece as minimas explicações, resoluções ou climaxes) e as personagens ambiguas.

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