Cinecartaz

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Grande filme. O melhor de Haneke. Como recriação de época é perfeito. Nada falha, nem visualmente, nem nos comportamentos e relações. Cada gesto, cada palavra, cada imagem, são o produto de um evidente e exaustivo labor de investigação documental e de reconstituição. Como parábola sobre a origem do mal absoluto, ou sobre o precário equilíbrio entre ordem e repressão, entre autoridade e violência, entre perfeição e horror e entre revolta e selvajaria, é brilhante. Como representação do singular ethos teutónico, que resiste, mesmo desbastado pelos revezes do século XX, é insuperável. Pois é: são duas horas e meia, faladas em alemão, sem banda sonora, filmadas, a preto e branco, do modo mais clássico que se concebe, num argumento sem resolução nem expiação (e sem na’vis). Mas não é, de todo, um pastelão pretensioso e hermético, é uma obra-prima de cinema a ver e rever.

Publicada a 18-02-2010 por JPT