Like Someone in Love
Título Original
Like Someone in Love
Realizado por
Elenco
Sinopse
Ver sessõesAkiko (Rin Takanashi) é uma jovem japonesa que secretamente se prostitui para pagar os estudos universitários. Ninguém, nem mesmo o seu namorado Noriaki (Ryo Kase), sabe desta actividade. E ela protege esse segredo não apenas pelo medo do julgamento, mas também pela sua própria dificuldade em lidar com a situação. Um dia, conhece Takashi Watanabe (Tadashi Okuno), um velho professor catedrático, que se torna seu cliente regular e é, em todos os aspectos, a absoluta antítese de Noriaki. É assim que, inesperadamente, Akiko se começa a sentir dividida entre um namorado jovem, mas rude e ignorante, e um velho amável com quem consegue uma partilha intelectual que a faz sentir-se viva e, acima de tudo, respeitada.
Um filme totalmente falado em japonês, com argumento e realização do iraniano Abbas Kiarostami ("O Sabor da Cereja ", "Através das Oliveiras", "O Vento Levar-nos-á", "Shirin", "Cópia Certificada"), sobre a relação inesperada entre uma jovem prostituta e um velho senhor durante apenas 24 horas. PÚBLICO
Críticas Ípsilon
Sessões
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Cinemateca Portuguesa, Lisboa
15h30
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Cinemateca Portuguesa, Lisboa
15h30
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Críticas dos leitores
Like Someone in Love
Fernando Oliveira
Parece-me consensual que todos os filmes de Abbas Kiarostami são como que exames sobre aquilo que define o que é ser humano. Parece que contam quase sempre histórias simples, mas que se tornam imensas na complexidade definida por aquilo que nos é transmitido pelos personagens, mais pelo que vamos pressentindo nos seus rostos, do que pela casualidade dos seus comportamentos.
“Like Someone in Love”, título roubado a uma canção que ouvimos interpretada por Ella Fitzgerald numa das cenas do filme, é tudo menos um filme sobre o amor. É, sim, um filme sobre pessoas que já não sabem amar, sobre a solidão e sobre a ausência. Um filme sobre a mentira, ou sobre as ficções que para nós criamos para substituirmos essa ausência do amor.
Akiko (uma notável interpretação de Rin Takanashi, também uma mulher lindíssima) é uma jovem estudante, que se prostitui; não vai ao encontro da avó naquele dia em que ela a visita em Tóquio (lembramo-nos de “Viagem a Tóquio” de Ozu que até é um dos realizadores que Kiarostami mais admira); e contrariada vai a um serviço a casa de um velho professor universitário; o professor procura um simulacro de romance juvenil, mas a jovem é vencida pelo cansaço e deixa-se dormir na cama do professor; nunca saberemos o que se passou naquela noite, Kiarostami faz um corte para a manhã seguinte já no carro do professor que a leva de regresso, mas a verdade é que ambos estão bastante ensonados naquela viagem; depois entra em cena o namorado da jovem e as mentiras passam a definir as relações mais ainda do que até aqui – como o velho diz ao jovem como exemplo de experiência: quando se sabe que a resposta é uma mentira, não se deve fazer a pergunta.
Mas o que torna “Like Someone in Love” um filme singular é a forma como a realização de Kiarostami torna absolutamente angustiante a deriva daqueles personagens: na cena inicial do filme, no bar onde Akiko aceita os serviços como prostituta (palavra nunca dita no filme), o realizador numa notável sequência de campos e contracampos, e foras de campo, parece que o seu olhar funciona como se fosse o olhar de uma personagem sentada na mesa de Akiko, o que sublinha a desorientação daquela personagem, entre um namorado que quer o que ela não pode dar, a avó que ela ignorou e que quer que ela vá ter com ela, e o “patrão” que quer que ela vá “trabalhar”.
Ou como mostra a angústia trazida pela terrível solidão que Akiko sente, naquela viagem de táxi até à casa do professor onde as imagens da noite de Tóquio inundam o carro (e o interior de um carro continua a ser um dos cenários preferidos de Kiarostami), não anulando mas sublinhando, a enorme tristeza da jovem, enquanto ouvimos todas as mensagens da avó que desde de manhã tenta falar com a neta (esta viagem recordou-me “Taxi Driver” de Scorsese).
E quando pede ao condutor para contornar duas vezes o largo onde a avó a espera, parece que há uma desistência de Akiko a essa angústia existencial. Também recorrente no Cinema do realizador iraniano é a encenação daquele sentimento de posse que muitos homens ainda têm pela mulher: para além da definida na profissão de Akiko; da do namorado que quer casar com ela para a poder controlar, desconfiamos daquele amor que diz sentir por ela; é a atitude do velho professor que me parece mais ambígua, muito mais do quando lhe paga pela companhia, é quando assume a mentira de ser o avô dela, quando quer cuidar dela, que fica no ar uma medonha ideia de perversa posse.
As imagens do velhote que quer conversar com a jovem, cozinhar para ela, que olha para ela adormecida na sua cama (antes tivemos a mais bela cena do filme, conversam os dois no quarto, dele apenas ouvimos a voz, dela vemos a imagem difusa num reflexo de um espelho) deixam de ser de alguém que parece amar, para ser de alguém que quer ter, ter como se tem um brinquedo.
E depois há aquele final seco e abrupto, violento, que abandona a história e as personagens… Belíssimo, sabendo nós que toda a beleza pode ser, é, dolorosa; e que é um dos filmes maiores dos últimos anos.
(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")
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DC
Like A Classic...
Carlos Claro
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