//

Like Someone in Love

Imagem Cartaz Filme
Foto
Votos do leitores
média de votos
Imagem Cartaz Filme
Foto
Votos do leitores
média de votos
Drama 109 min 2012 M/12 26/09/2013 JAP, FRA

Título Original

Like Someone in Love

Akiko (Rin Takanashi) é uma jovem japonesa que secretamente se prostitui para pagar os estudos universitários. Ninguém, nem mesmo o seu namorado Noriaki (Ryo Kase), sabe desta actividade. E ela protege esse segredo não apenas pelo medo do julgamento, mas também pela sua própria dificuldade em lidar com a situação. Um dia, conhece Takashi Watanabe (Tadashi Okuno), um velho professor catedrático, que se torna seu cliente regular e é, em todos os aspectos, a absoluta antítese de Noriaki. É assim que, inesperadamente, Akiko se começa a sentir dividida entre um namorado jovem, mas rude e ignorante, e um velho amável com quem consegue uma partilha intelectual que a faz sentir-se viva e, acima de tudo, respeitada.
Um filme totalmente falado em japonês, com argumento e realização do iraniano Abbas Kiarostami ("O Sabor da Cereja ", "Através das Oliveiras", "O Vento Levar-nos-á", "Shirin", "Cópia Certificada"), sobre a relação inesperada entre uma jovem prostituta e um velho senhor durante apenas 24 horas. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Like Someone in Love

Jorge Mourinha

Ler mais

Like Someone in Love

Vasco Câmara

Ler mais

E o teatro continua

Luís Miguel Oliveira

Ler mais

Sessões

Críticas dos leitores

Like Someone in Love

Fernando Oliveira

Parece-me consensual que todos os filmes de Abbas Kiarostami são como que exames sobre aquilo que define o que é ser humano. Parece que contam quase sempre histórias simples, mas que se tornam imensas na complexidade definida por aquilo que nos é transmitido pelos personagens, mais pelo que vamos pressentindo nos seus rostos, do que pela casualidade dos seus comportamentos.

“Like Someone in Love”, título roubado a uma canção que ouvimos interpretada por Ella Fitzgerald numa das cenas do filme, é tudo menos um filme sobre o amor. É, sim, um filme sobre pessoas que já não sabem amar, sobre a solidão e sobre a ausência. Um filme sobre a mentira, ou sobre as ficções que para nós criamos para substituirmos essa ausência do amor.

Akiko (uma notável interpretação de Rin Takanashi, também uma mulher lindíssima) é uma jovem estudante, que se prostitui; não vai ao encontro da avó naquele dia em que ela a visita em Tóquio (lembramo-nos de “Viagem a Tóquio” de Ozu que até é um dos realizadores que Kiarostami mais admira); e contrariada vai a um serviço a casa de um velho professor universitário; o professor procura um simulacro de romance juvenil, mas a jovem é vencida pelo cansaço e deixa-se dormir na cama do professor; nunca saberemos o que se passou naquela noite, Kiarostami faz um corte para a manhã seguinte já no carro do professor que a leva de regresso, mas a verdade é que ambos estão bastante ensonados naquela viagem; depois entra em cena o namorado da jovem e as mentiras passam a definir as relações mais ainda do que até aqui – como o velho diz ao jovem como exemplo de experiência: quando se sabe que a resposta é uma mentira, não se deve fazer a pergunta.

Mas o que torna “Like Someone in Love​” um filme singular é a forma como a realização de Kiarostami torna absolutamente angustiante a deriva daqueles personagens: na cena inicial do filme, no bar onde Akiko aceita os serviços como prostituta (palavra nunca dita no filme), o realizador numa notável sequência de campos e contracampos, e foras de campo, parece que o seu olhar funciona como se fosse o olhar de uma personagem sentada na mesa de Akiko, o que sublinha a desorientação daquela personagem, entre um namorado que quer o que ela não pode dar, a avó que ela ignorou e que quer que ela vá ter com ela, e o “patrão” que quer que ela vá “trabalhar”.

Ou como mostra a angústia trazida pela terrível solidão que Akiko sente, naquela viagem de táxi até à casa do professor onde as imagens da noite de Tóquio inundam o carro (e o interior de um carro continua a ser um dos cenários preferidos de Kiarostami), não anulando mas sublinhando, a enorme tristeza da jovem, enquanto ouvimos todas as mensagens da avó que desde de manhã tenta falar com a neta (esta viagem recordou-me “Taxi Driver” de Scorsese).

E quando pede ao condutor para contornar duas vezes o largo onde a avó a espera, parece que há uma desistência de Akiko a essa angústia existencial. Também recorrente no Cinema do realizador iraniano é a encenação daquele sentimento de posse que muitos homens ainda têm pela mulher: para além da definida na profissão de Akiko; da do namorado que quer casar com ela para a poder controlar, desconfiamos daquele amor que diz sentir por ela; é a atitude do velho professor que me parece mais ambígua, muito mais do quando lhe paga pela companhia, é quando assume a mentira de ser o avô dela, quando quer cuidar dela, que fica no ar uma medonha ideia de perversa posse.

As imagens do velhote que quer conversar com a jovem, cozinhar para ela, que olha para ela adormecida na sua cama (antes tivemos a mais bela cena do filme, conversam os dois no quarto, dele apenas ouvimos a voz, dela vemos a imagem difusa num reflexo de um espelho) deixam de ser de alguém que parece amar, para ser de alguém que quer ter, ter como se tem um brinquedo.

E depois há aquele final seco e abrupto, violento, que abandona a história e as personagens… Belíssimo, sabendo nós que toda a beleza pode ser, é, dolorosa; e que é um dos filmes maiores dos últimos anos.
(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")

Continuar a ler

.........

DC

Tem algo a ver com LIKE SOMEONE IN LOVE de Alan Jay LERNER e Frederick LOEWE? E que SINATRA interpretou como nunca mais ninguem conseguiu interpretar?
Continuar a ler

Like A Classic...

Carlos Claro

<p>O cinema de Kiarostami é como o teatro de sombras onde o visível é apenas uma projeção, por vezes distorcida, de uma realidade bastante mais complexa do que as imagens observáveis parecem fazer supor. Os seus filmes são ilusoriamente simples, mas o expectador mais atento acaba sempre por intuir a complexidade subjacente. Conforme esta faça sentido, ou não, assim a experiência deste cinema é enriquecedora ou frustrante. Por vezes, basta uma compreensão intuitiva (difícil de exprimir objectivamente...) para se gostar de um filme assim. Kiarostami é pois um cineasta cuja obra será difícil para alguns, mas sublime para outros. <br /><br />"Like Someone in Love" poderá ser ainda mais inescrutável que o habitual em Kiarostami, mas o filme não desilude. Nem que seja só por algumas cenas de antologia (estejam atentos às viagens de automóvel - uma imagem de marca do realizador, mas nunca antes tão brilhantemente explorada como aqui...) o filme é desde já obrigatório. Será, provavelmente, um dos filmes do ano de muita crítica especializada.</p>
Continuar a ler

Envie-nos a sua crítica

Preencha todos os dados

Submissão feita com sucesso!