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O Jacaré

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Drama 92 min 2026 M/16 03/09/2026 POR, SUI

Título Original

Depois de executar um assalto que lhe valeu 180 mil euros, um criminoso é perseguido pela polícia até ao bairro da Reboleira, na Amadora, onde o carro em que segue se despista e ele é preso. Quando as autoridades e os próprios habitantes do bairro se dão conta do desaparecimento do dinheiro, tentam de todas as formas encontrá-lo. No meio da confusão geral que ali se instala, há algo que vai tornar tudo ainda mais perigoso: um jacaré chamado Gigolô que se passeia solto pelas ruas, aterrorizando todos com quem se cruza.

Último capítulo da sua “trilogia da Reboleira”, esta quarta longa-metragem do realizador luso-suíço Basil da Cunha mistura comédia, drama e “thriller” e explora as relações de poder num bairro problemático nos arredores de Lisboa durante as operações de demolição. 

Seleccionada para competir na 79.ª edição do Festival de Cinema de Locarno — depois de ali se terem estreado “O Fim do Mundo” (2019) e “Manga d’Terra” (2023) —, esta obra conta com as atuações de Alexandre da Costa Fonseca, Paulo César Lima Fonseca, Nelson Carvalho, Alexandra Sena, Pedro Diniz, Heidir Correia e Carloto Cotta.

PÚBLICO

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Críticas dos leitores

3 estrelas

José Miguel Costa

À Amadora calhou-lhe em sorte ter dois realizadores interessados em "cartografar" a geografia humana dos seus degradados subúrbios "africanos", levando-a, desse modo, até aos mais famosos festivais de cinema europeus. O mestre Pedro Costa adoptou o bairro das Fontainhas (não largando os seus residentes mesmo após a sua demolição) e Basil da Cunha assentou arraiais (literalmente) na Reboleira.

Basil da Cunha (talvez o mais interessante dos cineastas da nova geração lusa), exímio como poucos na filmagem naturalista (fruto da utilização de actores não profissionais "filhos do bairro" e de uma inquieta câmara de mão que adora close-ups), bem como no cruzamento das linguagens do realismo social e realismo mágico, retorna aos grandes ecrãs com "O Jacaré". Um thriller criminal com umas pitadas de drama e humor burlesco ("ingrediente" incomum na sua anterior cinematografia), notoriamente menos autoral (e consequentemente mais light, mas não necessariamente popularucho).

A actriz principal (a Reboleira, obviamente) é-nos (re)apresentada com novas roupagens: visualmente luminosa (quase destituída de becos esconsos), frenética de vida(s), "despreocupada" (o drama cru e realista surge diluído) e despida de "floreados líricos" (contrariando o seu habitué perfil sombrio, intimista, fatalista e poético). Apesar de todas estas nuances (eventualmente) atentatórias ao DNA do Basil, ele continua a encantar-nos pela forma como capta a verdadeira essência"/glamour da vibrante comunidade dos "sem voz" de ascendência cabo-verdiana.

O argumento, que parece inspirado nos hood movies americanos dos anos 90, explora as relações de poder tensas e voláteis dos bad boys do gueto que (sobre)vivem, na "corda bamba", à sombra de actividades ilícitas. Todos eles (inclusive os omnipresentes agentes da autoridade) empenhados na "caça ao tesouro" (180 mil euros, alegadamente escondidos no algures no território, fruto de um assalto ao bingo da Amadora). E, no meio do caos instalado, há um fait-divers, um jacaré que vagueia pelo bairro. @jmikecosta

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