Carol

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Drama 118 min 2015 04/02/2016 GB, FRA, EUA

Título Original

Carol

Sinopse

<p>Nova Iorque (EUA), década de 1950. A jovem Therese Belivet sobrevive com um emprego na secção de brinquedos de um grande armazém ao mesmo tempo que sonha com uma carreira como fotógrafa profissional. Um dia, conhece Carol Aird, uma mulher sofisticada de cabelos loiros e casaco de vison que ali chega para comprar um presente de Natal para a filha. Therese anota o endereço de envio do brinquedo e, num impulso, escreve um cartão de felicitações. Carol, que está a viver um momento conturbado e que se encontra à beira do divórcio com Harge, o marido, responde. Mais tarde, as duas encontram-se e ficam amigas. Com o tempo, a amizade converte-se em intimidade e paixão. Mas quando a relação se torna evidente, o marido de Carol retalia pondo em causa a sua competência enquanto mãe e exigindo a guarda total da filha de ambos. É então que Carol, desesperada, desafia Therese a fazer uma longa viagem pelos EUA…<br /> Nomeado para seis Óscares da Academia (entre os quais Melhor Actriz, Melhor Actriz Secundária e Melhor Realizador), uma história dramática realizada por Todd Haynes (“Velvet Goldmine”, “Longe do Paraíso”, “I'm Not There – Não Estou Aí” ou, mais recentemente, a série televisiva “Mildred Pierce”). O argumento, da autoria de Phyllis Nagy, baseia-se na obra “O Preço do Sal”, da escritora norte-americana Patricia Highsmith. Cate Blanchett, Rooney Mara, Sarah Paulson e Kyle Chandler dão vida às personagens. PÚBLICO</p>

Críticas Ípsilon

Sem interditos, não há grande melodrama

Luís Miguel Oliveira

É o problema de Carol: não há mistério, tudo é trazido de volta à terra para ser apenas o que é.

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Carol e uma furtiva fuga

Vasco Câmara

O filme de Todd Haynes mostra um certo paraíso do gosto, da convenção, da carpintaria de argumento e da construção de personagens. A convenção domina. Fica o espaço para uma furtiva fuga.

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As mãos no ombro

Jorge Mourinha

Adaptando Patricia Highsmith, Todd Haynes encontra um equilíbrio feliz entre o seu formalismo fetichista e a solidez de uma história feita à medida de duas actrizes em estado de graça.

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Críticas dos leitores

Carol

Fernando Oliveira

TEXTO ESCRITO NA ALTURA DA ESTREIA. SEM ALTERAÇÕES: <br />“Carol” é um filme de uma beleza avassaladora, tão bonito que nos embala numa espécie de suspensão do sentir, um filme tão em estado de graça, que nos dá pena abandoná-lo quando o genérico final toma conta da tela. <br />Todd Haynes encena aqui uma magnífica arquitectura formal e narrativa num filme com um argumento adaptado de “O preço do sal”, uma novela editada em 1952 e escrita por Patricia Highsmith com o pseudónimo de Claire Morgan – é um dos meus livros preferidos, e aquele ao qual eu mais vezes volto, tanto que conheço a história quase ao pormenor, e isto apenas me deu o enorme gozo de confrontar a minha encenação mental do descrito no livro com a ideia do realizador sobre as mesmas cenas – o primeiro dos seus livros onde o seu lesbianismo vem à tona, reflectindo-se na personagem de Thérèse, tão cheia de vida como de dúvidas. Deixamos de lado o livro… <br />O filme conta o drama de duas mulheres que se apaixonam uma pela outra, e que descobrem, citando uma entrevista a Cate Blanchett, que não podem dar um nome a esse amor (Thérèse, mais do que Carol, vive este amor num estado de incerteza e ansiedade, ela nem o sabe descrever, o seu medo é este amor não ser correspondido - parafraseando uma entrevista ao realizador). O conservadorismo das regras sociais da América do inicio dos anos 50 tornam-no em algo interdito, que nem pode ser mencionado. Uma história de uma paixão proibida… <br />Haynes consegue neste filme um equilíbrio perfeito entre o seu amor quase fetichista pelos exacerbados dramas realizados por Douglas Sirk nos anos 50 (que aqui se esbate na fotografia invernosa, cinzenta, longe dos cromatismos esplendorosos dos melodramas do mestre, ou do seu “Longe do paraíso”), e uma história onde os mais subtis detalhes simbolizam o que é mais indefinível: o amor como aquilo que é o mais íntimo de cada um. <br />O formalismo rigoroso de Haynes vê-se na espantosa mise-en-scène: movimentos circulares e oblíquos quase sempre opressivos; Carol e Thérèse filmadas à distância por trás de janelas, vidraças, balcões, por entre os figurantes, definindo a solidão intrínseca a todos os que amam; em contraponto com os planos fechados sobre os olhares e os gestos que tudo dizem sobre o que as duas mulheres sentem uma pela outra - há um outro filme de amores entre duas mulheres (também muito bonito: “Imagine me & you”) em que se discute se o amor é algo que cresce com o passar do tempo, ou que acontece logo no primeiro olhar (ver também “A vida de Adéle, capítulos 1 e 2”); atente-se neste filme à primeira troca de olhares entre Thérèse e Carol, uma cena sublime onde tudo fica logo entendido; a prodigiosa fotografia de Ed Lachman, a sublinhar os estados de alma das personagens; a perfeita reconstituição da Nova Iorque dos anos 50. O peso deste formalismo como método de trabalho é no entanto amaciado pelo fulgor que Cate Blanchett e Rooney Mara dão às suas personagens, como aquilo que lhes é mais íntimo, a paixão, as dúvidas, o desejo, a angústia, e sobretudo os mistérios, nos é mostrado de uma forma absolutamente genial. Haynes é um extraordinário director de actrizes. <br />O livro é considerado como o primeiro em que uma história de amor entre duas mulheres tem um final feliz. Sem querer contar nada, acho que é um dos finais mais belos de todas as histórias que li, vi ou ouvi. No filme é quase tão perfeito como no livro. <br />Dificilmente haverá um filme melhor este ano. Sublime. <br />"em 2oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt")
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Intolerância

Pedro Brás Marques

A história de Carol, tal como a de Dalton Trumbo, retratadas nos filmes homónimos, têm em comum o sectarismo e o fanatismo que atravessou a hipócrita sociedade americana dos anos 50. <br />Em “Carol”, a intolerância está relacionada com a autodeterminação sexual. A personagem principal é uma mulher casada, mãe, autónoma e auto-confiante, cujo único erro foi ser lésbica numa sociedade e num tempo em que isso era o equivalente a ser leproso na Idade Média. Carol apaixona-se por uma empregada de um grande armazém e, juntas, vivem a paixão de uma vida. Infelizmente, o seu marido não pensa da mesma forma e tudo tenta para lhe retirar a custódia da criança, o que prejudica gravemente o relacionamento entre as duas mulheres. <br />Carol é maravilhosamente interpretada por uma Cate Blanchett poderosa e lindíssima. Uma loira vestida de vermelho é uma imagem que dispensa simbolismos, mas a forma como ela tece a sua teia à volta da enganadoramente inocente Rooney Mara, que lhe faz igual, é duma intencionalidade subtil e aveludada, só ao alcance de grande actrizes. Mas o filme tem outro enorme trunfo: a realização de Todd Haynes, no que será, provavelmente, o seu melhor filme. Planos cuidados, uma imaculada reconstrução de época e uma fotografia assombrosa, fazem deste “Carol” um filme com várias camadas notáveis de apreciação. <br />Foram tempos complicados estes, em que cidadãos eram perseguidos não só pelos seus semelhantes como pelo próprio Estado. Conceitos como liberdade de opinião ou autodeterminação eram impensáveis há seis décadas. Muito mudou desde então, mas o caminho está longe de estar percorrido. E é precisamente esse o enorme contributo de filmes como “Trumbo” e “Carol” que nos alertam para os totalitarismos, muitas vezes coloridos com cores enganadoras, e o quanto eles são um verdadeiro atentado ao Estado de Direito e ao conceito que hoje damos, de forma precipitada, por plenamente adquirido, a Liberdade.
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Excelente

Jorge

Numa palavra:Excelente! A não perder.
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Muito bom

Via

O filme é belo como um crepúsculo.
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MM

Miguel Macedo

A temática é fracturante para a nossa cultura, todavia tem espaço para exibição. Deve ser classificado para maiores de 18 anos!
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Era, é e será sempre...

Francisco Zuzarte

<p>Confesso que antes de escrever algumas linhas sobre o que será a minha opinião sobre Carol, tive que pensar bem sobre o que poderia dizer. Não que me preocupe poder ser mal entendido. Quem escreve ou emite opinião corre esse risco. O filme que vi, tem um cuidado raro na fotografia, na banda sonora e um diálogo fabuloso, jogo constante que completa a troca de olhares e desejo que possui qualquer ser humano, homem ou mulher na situação que o filme relata. Mas pode acontecer com qualquer ser humano fique bem claro. Por isso já vi quem se tenha lamentado na tradução mas como não tive que a ela recorrer pude ver com atenção um jogo sobre um assunto que era, é e será sempre complicado para uma sociedade, seja qual for o tempo, passado, presente futuro.</p><p> No entanto o que podemos assistir, entre outros, é um exercício de sobriedade com uma cena de amor que ficará sem sombra dúvida para a história do cinema. Não há muitas. Carol é assim um filme para Cate Blanchet poder ou não ganhar o Óscar, mas independentemente o conseguir ou não, marcou, tal como Rooney Mara, a história do Cinema ao desempenhar um papel com igual possibilidade, tal como o fez no filme “The Girl with the Dragon Tattoo”, penso que “traduzido” para português como os “Homens que ideiam mulheres”. Duas palavras finais para a sala onde vi o filme. O cinema actual não pode ser tratado como se um leitor de DVD gigante se tratasse. Isto porque tendo sido filmado em modo de luz real, não sei se o termo certo é este, merecia de quem o pôs a passar um cuidado maior na iluminação e som. Esta é a primeira. Depois, uma nota para os intervalos. Não os havia, mas voltaram a marcar presença. Marcados sem nexo algum, fazem com que ser perca o envolvimento para que durante sete minutos se esteja à espera do que foi interrompido e que merecia a nossa atenção. Mas disso darei nota a quem de direito. </p>
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Carol

Maria Silva

O filme está muito bem interpretado, bem dirigido, e nada chocante. Gostei.
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A evitar

Claudio Sandner

Boas atrizes perdidas num filme aborrecido e arrastado. Simplesmente chato. Não gaste o seu tempo nem o seu dinheiro.
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2 estrelas

JOSÉ MIGUEL COSTA

Uma história de amor (imoral à época) entre duas mulheres na Nova Iorque dos anos de 1950 (cuja atmosfera é recriada de forma muito elegante - portanto, nota positiva para o director de fotografia), cheia de subtilezas (mas com tal exagero que se torna entediante) e sem extravagâncias (graças às prestações de Cate Blanchett e Rooney Mara - embora, na minha modesta opinião, a primeira abuse nos tiques de femme fatale). <p> A generalidade da crítica especializada adora este Carol, todavia, para mim não passa de mais um filme dos óscares desenxabido e com interesse quase nulo, graças a um argumento banalíssimo (que, possivelmente, apenas chama a atenção por debruçar-se sobre a questão do lesbianismo). </p>
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Câmara-Scanner (incursão pela literatura)

Nelson Faria

Duas excelentes actrizes (Blanchett e Rooney), bem dirigidas por Todd Haynes, numa adaptação de "Carol", de Patrícia Highsmith. Uma trama afectiva, composta com uma viagem pelos EUA - não muito longa, nada comparável às longas jornadas de "On the Road" (de Jack Kerouac) ou "In Cold Blood" (de Truman Capote). <p> A forma como Haynes filma os actores é quase intimidante - para o espectador ler tudo e nada lhe escapar, Haynes desnuda, permanentemente por assim dizer, as suas personagens, por forma a prender os espectadores às cadeiras, como se utilizasse um scanner, como, de resto, Mourinha ilustra na sua crónica do "ípislon" (as mãos que pousam no ombro de Mara). </p><p> Helena Vasconcelos publicou no "Ípsilon", de 15.01.2016, uma recensão crítica sobre "Carol", como já o tinha feito anteriormente para "A filha do Coveiro" (de Joyce Carol Oates) e também "A Nave dos Loucos" (de Katherine Anne Porter). São de muita utilidade. </p><p> Resumindo: Jack Kerouac, Truman Capote, Patrícia Highsmith, Katherine Anne Porter e Joyce Carol Oates, como figuras da literatura contemporânea norte-americana, alargam os nossos conhecimentos sobre a sociedade e cultura norte-americana. </p><p> O problema é a tradução, é a literatura traduzida. Somos desenvoltos e multifacetados na língua que sempre conhecemos e na qual habitamos, Sabemos que algo se perde sempre na tradução - a menos que tenhamos experiências ou vivências que nos tornem bilingues, com tudo o que isso pode significar e abranger (que é muito), acabamos tentados a ler as obras. Depois disso, ainda uma questão subsiste: o que ler e porquê? Teremos tempo para ler tudo o que queremos? </p>
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