Cinecartaz

Francisco Zuzarte

Era, é e será sempre...

Confesso que antes de escrever algumas linhas sobre o que será a minha opinião sobre Carol, tive que pensar bem sobre o que poderia dizer. Não que me preocupe poder ser mal entendido. Quem escreve ou emite opinião corre esse risco. O filme que vi, tem um cuidado raro na fotografia, na banda sonora e um diálogo fabuloso, jogo constante que completa a troca de olhares e desejo que possui qualquer ser humano, homem ou mulher na situação que o filme relata. Mas pode acontecer com qualquer ser humano fique bem claro. Por isso já vi quem se tenha lamentado na tradução mas como não tive que a ela recorrer pude ver com atenção um jogo sobre um assunto que era, é e será sempre complicado para uma sociedade, seja qual for o tempo, passado, presente futuro.

No entanto o que podemos assistir, entre outros, é um exercício de sobriedade com uma cena de amor que ficará sem sombra dúvida para a história do cinema. Não há muitas. Carol é assim um filme para Cate Blanchet poder ou não ganhar o Óscar, mas independentemente o conseguir ou não, marcou, tal como Rooney Mara, a história do Cinema ao desempenhar um papel com igual possibilidade, tal como o fez no filme “The Girl with the Dragon Tattoo”, penso que “traduzido” para português como os “Homens que ideiam mulheres”. Duas palavras finais para a sala onde vi o filme. O cinema actual não pode ser tratado como se um leitor de DVD gigante se tratasse. Isto porque tendo sido filmado em modo de luz real, não sei se o termo certo é este, merecia de quem o pôs a passar um cuidado maior na iluminação e som. Esta é a primeira. Depois, uma nota para os intervalos. Não os havia, mas voltaram a marcar presença. Marcados sem nexo algum, fazem com que ser perca o envolvimento para que durante sete minutos se esteja à espera do que foi interrompido e que merecia a nossa atenção. Mas disso darei nota a quem de direito.

Publicada a 11-02-2016 por Francisco Zuzarte