Cinecartaz

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Nelson Faria

Câmara-Scanner (incursão pela literatura)

Duas excelentes actrizes (Blanchett e Rooney), bem dirigidas por Todd Haynes, numa adaptação de "Carol", de Patrícia Highsmith. Uma trama afectiva, composta com uma viagem pelos EUA - não muito longa, nada comparável às longas jornadas de "On the Road" (de Jack Kerouac) ou "In Cold Blood" (de Truman Capote).

A forma como Haynes filma os actores é quase intimidante - para o espectador ler tudo e nada lhe escapar, Haynes desnuda, permanentemente por assim dizer, as suas personagens, por forma a prender os espectadores às cadeiras, como se utilizasse um scanner, como, de resto, Mourinha ilustra na sua crónica do "ípislon" (as mãos que pousam no ombro de Mara).

Helena Vasconcelos publicou no "Ípsilon", de 15.01.2016, uma recensão crítica sobre "Carol", como já o tinha feito anteriormente para "A filha do Coveiro" (de Joyce Carol Oates) e também "A Nave dos Loucos" (de Katherine Anne Porter). São de muita utilidade.

Resumindo: Jack Kerouac, Truman Capote, Patrícia Highsmith, Katherine Anne Porter e Joyce Carol Oates, como figuras da literatura contemporânea norte-americana, alargam os nossos conhecimentos sobre a sociedade e cultura norte-americana.

O problema é a tradução, é a literatura traduzida. Somos desenvoltos e multifacetados na língua que sempre conhecemos e na qual habitamos, Sabemos que algo se perde sempre na tradução - a menos que tenhamos experiências ou vivências que nos tornem bilingues, com tudo o que isso pode significar e abranger (que é muito), acabamos tentados a ler as obras. Depois disso, ainda uma questão subsiste: o que ler e porquê? Teremos tempo para ler tudo o que queremos?

Publicada a 06-02-2016 por Nelson Faria