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Quatro Filhas

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Documentário 107 min 2023 M/12 22/02/2024 FRA, ALE, Arábia Saudita, Chile, Tunísia

Título Original

Sinopse

Em 2016, a tunisina Olfa Hamrouni fez de tudo para chamar a atenção da comunicação social para o caso de Ghofran e Rahma, as suas duas filhas adolescentes, que fugiram de casa para se juntarem ao autoproclamado califado do Daesh, na Líbia, onde acabaram detidas por uma milícia anti-ISIS.
 
O caso daquela família não era único no país ou no mundo, mas Olfa ultrapassou a vergonha que outros sentiram e tornou pública a história de radicalização das filhas, num esforço de sensibilizar a opinião pública e obter ajuda das autoridades para as trazer de volta a casa.
 
Sete anos depois, a realizadora Kaouther Ben Hania – nomeada para o Óscar de melhor filme internacional com “O Homem Que Vendeu a Sua Pele”, também inspirado em acontecimentos reail – alia-se a Olfa e às suas duas filhas mais novas, Eya e Tayssir, para fazer este filme, onde elas se misturam com actrizes reais para contar a sua história. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Quatro Filhas: dor sem glória de uma família tunisina

Luís Miguel Oliveira

A atracção do fundamentalismo islâmico é o abismo deste filme, nomeado para um Óscar.

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Críticas dos leitores

4 estrelas

José Miguel Costa

Em "A Voz de Hind Rajab", da realizadora tunisina Kaouther Ben Hanis, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, dado que este docudrama ficcionado (vencedor do Grande Prémio do Júri do Festival de Veneza e nomeado para os Óscares e BAFTA, respectivamente, nas categorias de Melhor Filme Internacional, e Melhor Filme em Lingua Não-Inglesa) tem por base um evento real ocorrido na esventrada Gaza, em 29/01/24 (o assassinato de uma menina de 6 anos - que dá titulo à obra - perpetrado pelo exército israelita).

A directora (coadjuvada por produtores de peso, como Alfonso Cuarón, Joaquin Phoenix, Brad Pitt ou Rooney Mara), coloca-nos no centro de um insuportável tsunami emocional ao fazer uso da gravação áudio da própria Hind Rajab a solicitar, aterrorizada, socorro à linha de apoio telefónico dos voluntários do Crescente Vermelho, em virtude do carro em que circulava, em fuga de Gaza, com 4 familiares (todos mortos), apesar de imobilizado e destruído, continuar a ser alvo de sucessivos disparos.

A partir deste "documento histórico" é recriado um espaço cénico fechado quase teatral (o claustrofóbico gabinete de call center da organização humanitária), no qual decorrerá toda a acção (que gravita ininterruptamente entre o vivido e o encenado), narrada sob o ponto de vista dos 4 operadores do Crescente Vermelho que estiveram em contacto directo com a omnipresente protagonista "invisível" e consequentemente tentaram coordenar o seu salvamento (que implicou contornar uma burocrática teia de protocolos com vista à cedência de uma eventual "passagem segura" para os socorristas).

O visceral realismo cru da narrativa que sustenta esta película (que nos expõe à essência da Dor sem quaisquer metáforas), aliado a um dinâmico/electrizante de trabalho de montagem, cria-nos a sensação de "abalroamento por um camião desgovernado", levando-nos a relegar para secundíssimo plano o facto de esta não ser formalmente perfeita, nem visualmente estimulante, bastando-lhe a força da verdade e da denúncia (não confundir tal conceito com acto de propaganda melodramática, a que alguns tentam reduzi-la). @jmikecosta

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