A Voz de Hind Rajab
Título Original
The Voice of Hind Rajab
Realizado por
Elenco
Sinopse
Hind Rajab, uma menina palestiniana de seis anos, fugia de carro com a família do Norte de Gaza — a 29 de Janeiro de 2024 — quando o grupo foi surpreendido por um tanque israelita. Os disparos mataram as seis pessoas que iam na viatura, e isso incluía os tios e os primos da criança. Mas durante três horas houve contacto telefónico entre Hind Rajab, que inicialmente sobrevivera, e elementos do Crescente Vermelho Palestiniano em Ramallah. Tentavam obter informações sobre o que sucedera e esforçavam-se por manter Hind Rajab calma e viva. Até ela deixar de responder. Eram 19h.
A tunisina Kaouther Ben Hania realiza este docudrama utilizando a verdadeira voz da criança, excertos de uma gravação que existe de cerca de 70 minutos de conversa, gesto que corre o risco de atirar as coisas para o precipício da indecência. Exploitation? Kaouther disse que perceberá sempre essa questão, mas notou que colocá-la a propósito de um filme sobre um assunto palestiniano só poderá ter como objectivo "silenciar" essa voz. Na edição de 2025 do Festival de Veneza "A Voz de Hind Rajab" recebeu o Leão de Prata, Grande Prémio do Júri. Vasco Câmara, PÚBLICO
Críticas Ípsilon
A Voz de Hind Rajab: sobra assunto, falta filme
Kaouther Ben Hania nunca é vertiginosa na transfiguração. É sobretudo aplicada nas manobras, escolar com as evidências e com a distância brechtiana.
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4 estrelas
José Miguel Costa
Em "A Voz de Hind Rajab", da realizadora tunisina Kaouther Ben Hanis, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, dado que este docudrama ficcionado (vencedor do Grande Prémio do Júri do Festival de Veneza e nomeado para os Óscares e BAFTA, respectivamente, nas categorias de Melhor Filme Internacional, e Melhor Filme em Lingua Não-Inglesa) tem por base um evento real ocorrido na esventrada Gaza, em 29/01/24 (o assassinato de uma menina de 6 anos - que dá titulo à obra - perpetrado pelo exército israelita).
A directora (coadjuvada por produtores de peso, como Alfonso Cuarón, Joaquin Phoenix, Brad Pitt, Spike Lee ou Rooney Mara), coloca-nos no centro de um insuportável tsunami emocional ao fazer uso da gravação áudio da própria Hind Rajab a solicitar, aterrorizada, socorro à linha de apoio telefónico dos voluntários do Crescente Vermelho, em virtude do carro em que circulava, em fuga de Gaza, com 4 familiares (todos mortos), apesar de imobilizado e destruído, continuar a ser alvo de sucessivos disparos.
A partir deste "documento histórico" é recriado um espaço cénico fechado quase teatral (o claustrofóbico gabinete de call center da organização humanitária), no qual decorrerá toda a acção (que gravita ininterruptamente entre o vivido e o encenado), narrada sob o ponto de vista dos 4 operadores do Crescente Vermelho que estiveram em contacto directo com a omnipresente protagonista "invisível" e consequentemente tentaram coordenar o seu salvamento (que implicou contornar uma burocrática teia de protocolos com vista à cedência de uma eventual "passagem segura" para os socorristas).
O visceral realismo cru da narrativa que sustenta esta película (que nos expõe à essência da Dor sem quaisquer metáforas), aliado a um dinâmico/electrizante de trabalho de montagem, cria-nos a sensação de "abalroamento por um camião desgovernado", levando-nos a relegar para secundíssimo plano o facto desta não ser formalmente perfeita, nem visualmente estimulante, bastando-lhe a força da verdade e da denúncia (não confundir tal conceito com acto de propaganda melodramática, a que alguns tentam reduzi-la). @jmikecosta
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