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O Corpo de Jennifer

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Thriller, Comédia 102 min 2009 29/10/2005 EUA

Título Original

Jennifer's Body

Críticas dos leitores

O corpo de Jennifer

Fernando Oliveira

Há dias li, num dos diários nacionais, uma reportagem sobre a tradição dos bailes de final de ano nos liceus norte-americanos, e de como essa tradição, eminentemente conservadora, estava a ser desafiada pelos casais de estudantes homossexuais ou lésbicas, que pretendem neles participar sem serem descriminados pela sua opção sexual. Ou de como algumas das instituições escolares mais conservadoras tinham mesmo cancelado o acontecimento, evocando que este se tinha transformado num evento que terminava quase sempre em sexo entre grande parte dos casais participantes.

Esta reportagem sublinha a ideia que tenho sobre como deve ser complicado o crescimento dos adolescentes nos EUA: por um lado vivem numa sociedade que permite livremente o acesso a todas as coisas, e onde são educados por pais que quase não têm tempo para nada controlar, o que lhes permite fazer quase tudo; por outro lado essa mesma sociedade impõe uma tal de quantidade de regras comportamentais que, paradoxalmente, esses mesmos jovens acreditam como importantes (dos filmes, todos nos lembramos do drama que é arranjar par para o baile entre aqueles que não são muito populares).

Esta complexidade social leva muitas vezes a “saltos para a frente” com o desfecho trágico que, infelizmente, nos noticiam vezes demais. O que é que tudo isto tem a ver com «O corpo de Jennifer»? Por um lado quase nada, por outro lado muita coisa. À primeira vista este filme de Karyn Kusama (que dirigiu os muito interessantes «Girlfight» e «Aeon Flux», o primeiro mais que o segundo) é um razoável filme de terror sobre uma adolescente possuída pelo Demónio, que necessita de se alimentar de um humano de tempos a tempos, e que é confrontada pela sua melhor amiga, uma amizade misturada com alguma curiosidade sexual: esta relação é o melhor do filme, apimentada pelo facto de ser representada por Megan Fox e Amanda Seyfried, apenas interessantes como actrizes, mas mulheres de uma sensualidade óbvia (aqui no filme) mas intensa.

Um filme realizado de forma competente, mas com alguns defeitos de argumento: a parte final a roçar o ridículo, por exemplo. Por outro lado, as ambiências criadas pelo argumento de Diablo Cody quando o filme se afasta da parte de terror, têm muita coisa a ver com as possibilidades, as escolhas, que os jovens americanos fazem durante o seu crescimento. Sem ser esse o objectivo do filme respira-se muito as inseguranças causadas pela escolha entre a rebeldia inerente a ser jovem, e as pressões sociais e os rituais quase impostos a que estão sujeitos.

Não é isso que conta em «O corpo de Jennifer», mas está lá, à flor da pele dos personagens que o preenchem. Uma muito agradável surpresa. ESCRITO EM 2010 (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot,com)

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