Fellini 8 1/2

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Drama 114 min 1963 M/16 20/08/2020 ITA

Título Original

Otto e Mezzo

Sinopse

<p><span>Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) é um realizador que está a tentar ultrapassar uma crise de inspiração. Durante uma estadia numas termas, todos os seus fantasmas lhe aparecem, como que em sonhos, misturados com as pessoas reais que frequentam o local ou que o vêm visitar: familiares, actores, produtores e até críticos. Como não consegue encontrar soluções para o seu próximo filme, Guido mergulha nas recordações de infância e a sua imaginação divaga. E quando já se prepara para abandonar o projecto, todas as personagens lhe voltam a aparecer. Guido junta-as todas e dá a ordem de filmar. "8 ½" é um dos grandes clássicos de Fellini, e a personagem de Guido é, no fundo, um auto-retrato do próprio realizador à procura de novo ímpeto de criatividade. Realizado por Federico Fellini em 1963, recebeu dois Óscares: Melhor Filme Estrangeiro (Itália) e Melhor Guarda-roupa. PÚBLICO</span></p>

Críticas dos leitores

Fellini 8 1/2

Fernando Oliveira

Depois do sucesso de “La dolce vita” conta-se que Fellini ficou sem saber o que fazer a seguir. E, como consequência do sucesso, podia fazer o que quisesse. Neste seu impasse, neste seu dilema, resolveu fazer um filme sobre um realizador que como ele não sabe que filme fazer. <br />O personagem vai para uma instância termal, e aí vai vagueando por entre as recordações da sua infância, pelas suas memórias; e, ao mesmo tempo, vai recebendo amigos e colaboradores, a mulher e a amante, as actrizes que com ele trabalharam e que com ele querem voltara a trabalhar. Neste balancear vai esbatendo as fronteiras entre o real e o imaginário (mais a recriação das memórias), onde o delírio narrativo e a fantasia nos fazem sorrir, nos embalam na suavidade das emoções, mas também, por vezes, nos angustiam. <br />Uma brilhante mistura de fantasia e realidade, que se terá muito de confissão pessoal de Fellini (o filme é titulado com o seu nome), pode ser também visto como uma encenação da solidão de um autor (qualquer um) perante o acto de criar; Fellini era um cineasta com uma notável noção da importância da relação entre o criador e os seus materiais. Poderá ser um filme de um autor a encenar-se a si próprio, mas extravasa muito esse limite. <br />Já o tínhamos notado em “La dolce vita”, mas é em “Fellini 8½” que o realizador abandona a continuidade como forma narrativa assumindo uma espécie de caleidoscópio onde a harmonia entre as cenas brota exactamente dessa novidade. Uma nova forma de narrar, aberta ao sonho, labiríntica e muitas vezes enigmática, exigente, tocada por uma espécie de espectacularidade circense que definiria muitas vezes o cinema de Fellini. <br /><br />Um filme magnífico não só por causa do autor, mas também pelo trabalho de quem o acompanhou na feitura: a fotografia de Gianni di Venanzo; a música de Nino Rota; os cenários e as roupas de Piero Gherardi e Vito Anzalone; e Marcello Mastroianni e Anouk Aimée ou Claudia Cardinale. Uma conjugação notável de talentos. <br />(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt")
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