Amarcord

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Drama, Comédia 127 min 1973 M/12 15/08/2003 FRA, ITA

Título Original

Amarcord

Sinopse

"Amarcord" é um retrato do dia-a-dia na pequena cidade de Rimini, em Itália, em 1930, do ponto de vista de um adolescente delinquente. Uma mistura entre fantasia e realidade trazida pela mão do mestre Fellini, que se baseou nas próprias recordações, quando era adolescente na era fascista do "Il Duce". Com personagens bizarras, entre professores assustadores, padres pomposos e familiares doidos, Fellini faz um retrato irónico de uma época conturbada, na iminência da II Guerra Mundial, com o jovem herói e protagonista a viver os seus dias de juventude de forma despreocupada com os seus amigos. A ironia começa no título no filme. "Amarcord" quer dizer literalmente "eu lembro-me", o que poderia levar a pensar que se referia ao fascismo. Ao contrário disso, Fellini traz-nos as suas mais felizes recordações da adolescência. "Amarcord", que se tornou num dos filmes mais populares do mestre italiano, foi nomeado para dois Óscares em 1976: melhor realizador e melhor argumento original. Esta foi apenas uma das nove vezes em que um filme de Fellini foi nomeado pela Academia de Hollywood e não recebeu nenhum prémio. Em 1993 (ano da sua morte) galardoaram-no com o Óscar honorário pela sua contribuição para a história do cinema. <p> </p><strong>Mariana Mata</strong> (PUBLICO.PT)

Críticas Ípsilon

Amarcord

Vasco Câmara

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Fellini, sempre vivo

Mário Jorge Torres

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À prova de erosão

Luís Miguel Oliveira

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Ainda se recorda de

Kathleen Gomes

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Críticas dos leitores

Obra genial!

Rufino Pinho

Há filmes que se nos plantam na nossa frente, e quando acabamos de os sentir, a emoção é tanta que nos salta a expressão: este é o melhor filme que vi! Este, ou o é, ou anda lá próximo. Fellini, com amor, saudade e inteligência, neste filme em especial, leva os espectadores, para o mundo intenso, belo e perdido, que recorda: o dos sonhos dele (e nossos!) da infância. Fellini, de uma forma genial, consegue com as palavras, a imagens e o som, contar histórias marcantes (provavelmente umas reais, outras não!) da sua infância. Ao seguir as histórias assim contadas, entramos também naqueles sonhos, com a experiência dos nossos e com idêntica forma de sonhar. Fellini demonstra neste filme que foi um genial criador de filmes.
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Filme?

Miguel Moura

Procurava um filme.... queria algo diferente... um filme com história, com cultura, que me desse algo de novo! "Amarcord"? não conheço... Federico Fellini? não me recordo de ter visto nenhum filme de tão ilustre personalidade... Considerei ser uma boa oportunidade de ver no cinema uma das suas obras! Mas precisava de informação! Cinecartaz: a crítica atribuiu 4 ou 5 estrelas - normalmente encaro isto como um mau sinal, muito sinceramente encaro os ditos críticos como um grupo de pseudo-intelectuais que vivem num mundo onde impera o snobismo cinéfilo. Mas não me assustei! Afinal estamos a falar de Federico Fellini! Fui ver o que o público dizia: 4,5 estrelas! UAU!!! Não tenho memória de um filme onde o público e a crítica estivessem de acordo! Se calhar sou muito novo! Bem, estavam criadas as condições para não poder perder este filme... afinal devia ser mesmo muito bom! Lá fui eu com a minha namorada... Fui pela primeira vez ao King, estou a viver em Lisboa há relativamente pouco tempo. A sala estava bem composta e eu estava confiante de que ia ver um grande filme, mas também expectante porque não sabia bem qual era a história que este ia contar... Avançando rapidamente até ao final do filme >>>> ainda não sei qual era a história que o filme queria contar! Basicamente o filme mostra um ano (entre ínicios de Primavera) da vida de uma pequena vila italiana nos anos 30. Falam de fantasmas da juventude? de recordações da infância? da Itália fascista? Sim, sem dúvida isso estava lá.... mas e depois? Que valor acrescentado podemos retirar de uma série de "sketchs" recheados de um humor algo duvidoso? Talvez a crítica tenha gostado de ver retratado no grande ecrã a pequenês de um povo, o "ser" popular, a sua futilidade... em suma tudo aquilo que eles criticam na nossa sociedade. Posso passar por uma dessas pessoas sem cultura, sem nível, e até talvez sem inteligência ou mesmo perspicácia para entender o filme (no entanto sou feliz). Mas com toda a frontalidade digo que não gostei do filme, e que inclusivé levei uma pequena cotovelada da minha namorada pois acabei por cair nas malhas do sono. Para a próxima é melhor ficar em casa a ver um documentário sobre a inteligência dos polvos no Odisseia. Será que eles dariam bons críticos de cinema?
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Memória e Imaginação

Ricardo Pereira

Se não fosse pelo estilo inconfundível de Federico Fellini, “Amarcord” seria um simples filme sobre lembranças de infância e adolescência no interior da Itália da década de trinta. Esse tipo de filme sempre possui atractivos que fazem o espectador se emocionar com facilidade, lembrar ou conhecer o modo de vida de um povo de tempos atrás. Só que o realizador italiano vai além do mero registo emotivo e apresenta um retrato mais do que nostálgico e, aplicando seu peculiar senso de humor, traz uma Itália fascista de antes da guerra fechada nos seus próprios hábitos e crenças, longe do centro dos acontecimentos, fadada a desaparecer, excepto na memória dos que a viveram. “Amarcord” quer dizer "Eu me recordo" no dialecto de Rimini. Isso significa que que este é o mais memorialístico dos filmes de Fellini, realizador conhecido por estar sempre debruçado sobre as próprias recordações. Desta vez ele vai directo a elas, sem o subterfúgio de qualquer trama. Tudo é secundário, tudo é pífio e ilusório diante do mundo da memória, vasto, seguro, encantador. No entanto (e quando se fala de Fellini há sempre um porém), “Amarcord” nada tem daquele memorialismo narcísico, chato e monótono, no qual o sujeito fica contemplando o próprio umbigo, na suposição de que os acontecimentos particulares de sua vida interessam profundamente ao próximo. Fellini é diferente. Apesar de tratar de temas e épocas e situações bem particulares, fala directamente para cada um de nós. Talvez porque nesse memorialismo haja tanto de verdade como de fantasia, o que o torna mais próximo de quem não partilhou experiências reais, mas partilha, isso sim, do património comum da imaginação humana. Italiano e universal, como convém, “Amarcord” talvez seja o mais amado dos filmes de Fellini. Pode não ser o maior, não ter a densidade de “A Doce Vida” ou a invenção de “Oito e Meio”. Mas é simplesmente adorável. Ganhou o Óscar de melhor produção estrangeira em 1974 e foi exibido no mundo todo. Tornou universalmente conhecidos personagens como a vendedora de cigarros peituda, o pai de família socialista, o cunhado vagabundo, o tio louco, a garota fácil da cidade e tantos outros. Cenas inteiras ficaram na retina dos espectadores, como a visita de Mussolini a Rimini, a passagem do transatlântico Rex, o casamento da Gradisca (Magali Noel) com um carabiniere. Reencontrar essas cenas e esses personagens, na tela grande e com cópia brilhando de nova, é uma das formas de felicidade desta vida. O possível alter ego do realizador no filme é o garoto Titta (Bruno Zanin), cujo pai, Aurélio, empreiteiro, sustenta a família toda, incluindo o cunhado ocioso. O ponto de vista adolescente, faz com que Titta conduza os quadros móveis de que se forma o filme. E o olhar do garoto, que é também o nosso como espectadores, se abre para o mundo a ser descoberto. Mundo da sexualidade, da estupidez política, do ridículo, da graça, da alegria, da morte, da música. E, por falar em música, em “Amarcord” temos um dos pontos altos da parceria entre Fellini e Nino Rota. A trilha sonora não acompanha a trama - ela se entranha no próprio tecido da narrativa. Por exemplo, numa das primeiras cenas, quando a câmara percorre a cidade e apresenta os personagens, o barbeiro pega a flauta e toca um dos temas satíricos de Rota. A música comenta e faz parte do que se vê. Acompanha e delimita as variações de tom, que vão da ironia, passam pela caricatura e chegam ao sentimentalismo. Só que cada uma dessas tonalidades aparece sempre misturada a outra, vacinando-se reciprocamente contra os excessos. Assim, Fellini sabe que a emoção em estado bruto pode ser sentimentalóide, mas não quando misturada a certa dose de ironia. E esta, para não cair na armadilha do sarcasmo, pode vir temperada pela tolerância e pela compaixão. Titta e seus amigos assombram a cidadezinha, dominada pelo patriarcalismo, a Igreja reaccionária, o fascismo, o moralismo, o machismo e todas as mazelas provincianas e arcaicas que procuram limitar a liberdade de corpo e espírito. Em plena idade da descoberta da sexualidade, Titta e seus amigos anarquizam a escola, dominada por professores caquéticos, ao menos na visão adolescente e rebelde que indiscutivelmente guia a câmara felliniana quando os retrata.
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O Que Mais Recordo...

Henrique Lopes

É difícil escolher qual o filme de Fellini que mais amo. Podia ser "Oito e Meio", " A Estrada", "A Doce Vida", "O Navio" ou mesmo "Ensaio de Orquestra", mas de todos o que mais recordo e mais me apetece rever é "Amarcord". Não sei se é o melhor filme de Fellini, nem isso agora importa, só sei que é um dos dez filmes da minha vida (a par de "Aurora", de Murnau; "Luzes da Cidade" de Chaplin; "A Desaparecida", de John Ford; ou de " OQuarto Mandamento" de Wells, entre outros). Fellini no seu zénite criativo, num soberbo mergulho pelas suas recordações e memórias de infância, misturadas genialmente com o burlesco, a sátira e o bizarro. Esplendorosa fotografia em technicolor de Giseppe Rotunno e uma banda sonorora admirável do grande Nino Rota. Agora é rever com enorme prazer cenas como a passagem do navio no oceano do pensamemto, ou quando o "tio louco" (grande interpretação de Ciccio Ingrassia) sobe ao cume de uma árvore e diz que quer uma mulher. Uma obra-prima absoluta do cinema europeu e mundial, galardoado com o Óscar para melhor filme estrangeiro.
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