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A Desaparecida

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Western 120 min 1956 M/6 28/08/2014 EUA

Título Original

The Searchers

Sinopse

"A Desaparecida" é considerado um dos melhores "westerns" de sempre e o seu argumento é precisamente um dos seus pontos fortes. Ethan Edwards (John Wayne) é um homem misterioso e fechado sobre si mesmo que nutre um ódio desmedido pelos índios Comanche desde que estes raptaram as suas duas sobrinhas. Uma delas é encontrada morta e Debbie (Natalie Wood), a outra, desaparece. A partir daí Ethan fica completamente obcecado pela ideia de encontrar Debbie. Dirigido por John Ford, mestre deste género cinematográfico, o filme é tido por muitos como a obra-prima do realizador. Para além disso, a magistral interpretação de Wayne, aliada à beleza dos cenários e à força da banda sonora de Max Steiner, fazem de "A Desaparecida" uma obra a não perder. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

O Oeste raras vezes foi tão selvagem

Jorge Mourinha

Não é o nosso Ford preferido, mas é um dos filmes mais singulares da sua carreira e uma das “charneiras” que abriu caminho à fase “revisionista” do western.

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Críticas dos leitores

A Desaparecida

Fernando Oliveira

Entre uma porta que se abre e uma porta que se fecha; entre uma cena inaugural que de forma espantosa – um nome que é murmurado – logo nos diz que é uma história de um amor proibido que vai assombrar todo o filme, e a cena final quando a porta se fecha e deixa Ethan de fora – ele está condenado a cavalgar “para sempre” em busca de um apaziguamento da alma que se calhar nunca atingirá; acontece um dos mais extraordinários filmes que o Cinema nos mostrou.

Será um western sobre todos os westerns, mas é ao mesmo tempo um western diferente de todos os outros, com uma história comparada à de Ulisses (julgo que o primeiro a escrevê-lo foi Godard, a propósito da cena em Ethan toma a sobrinha nos braços), que marca a passagem de uma visão clássica e romantizada – o western como definidor de uma ideia mitológica da construção da nação americana – para um olhar que usando todos as simbologias do género as transfigura, através de um olhar desencantado e muito triste, num “lugar” selvagem definido pela presença da morte, um “lugar” de pura tragédia, onde o drama substituiu o espírito de aventura e heróico que o definia.

Quando Ethan regressa a casa longos anos após a Guerra da Secessão é um homem que parece indiferente aos sentimentos, percebemos logo o drama íntimo que é o amor proibido que ele e a cunhada sentem. Outra tragédia acontece, a sua família é chacinada pelos Comanches e a suas duas sobrinhas raptadas; Ethan, acompanhado por um jovem mestiço que aprenderá a respeitar acima do seu racismo, inicia aqui uma outra odisseia durante sete anos procurando por entre paisagens e climas inóspitos (que a extraordinária fotografia de Winton C. Hoch tão bem define) a tribo índia para poder resgatar a(s) sobrinha(s) (busca magnificamente sublinhada pela música de Max Steiner).

E aqui Ford transforma um dos mais icónicos actores de westerns, John Wayne, num dos mais tortuosos e ambíguos personagens que o seu Cinema nos deu. Porque na sua obsessão, no seu ódio pelos Comanches, nasce em Ethan um desejo que roça o repulsivo: que a sobrinha esteja morta, antes isso que a integração na tribo.

É uma personagem psicótica, quase odiosa, que Ford mostra, com a sua extraordinária mestria formal, não como símbolo de uma época mitológica, mas como uma personagem definida por uma época tão marcada pelo Mal como ela. Por isso a importância de ter sido Wayne (e este terá sido a sua melhor representação) a interpretá-la. É um momento de mudança que acontece no Cinema clássico americano…

Voltando ao amor proibido contado no inicio do filme: quando Ethan resgata Debbie, e decide não a matar, e a levanta nos braços, quando a olha vê nela, e na sua vida futura, uma recordação do amor que ele e mãe dela sentiam; neste movimento vive a impossibilidade de Ethan ficar. Tudo continua “vivo” enquanto não é esquecido e há memórias demasiado dolorosas para serem alimentadas.

No filme, uma porta abre-se e no fim uma porta fecha-se. Para o Cinema não se terá fechado nenhuma porta, mas definitivamente uma abriu-se. Nunca mais se fechou.

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O eterno Cowboy

Manuel Sousa

Só vi este grande filme umas seis vezes. Tenho de ver mais umas seis para ficar satisfeito. Sem dúvida o melhor filme de John Wayne na categoria de faroeste.
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Os Buscadores

Luís Bará

Quando há uma "A desaparecida" há uns "Os buscadores". <br />Como dizia Orson Welles: três directores? John Ford, John Ford e John Ford.
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