Dois Procuradores
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Sinopse
Ver sessõesNa União Soviética de 1937, durante as terríveis purgas estalinistas, Alexander Kornev, um jovem procurador, recebe uma carta de um prisioneiro político perseguido pela NKVD (Comissariado do Povo para os Assuntos Internos), a polícia secreta. Convicto da corrupção dos agentes e num esforço de lhes fazer frente antes que o homem desapareça dentro do sistema penitenciário do regime, Kornev decide investigar.
Mas, perante a violentíssima campanha de repressão política e da violência realizada por agentes da autoridade, vai ter de percorrer um sem-número de processos burocráticos. E a viagem que faz até Moscovo vai transformar-se numa tremenda luta contra os mecanismos do totalitarismo.
Em competição no Festival de Cinema de Cannes, um drama sobre um período particularmente negro da História da URSS que tem assinatura do aclamado realiazador bielorruso Sergei Loznitsa (“No Nevoeiro”, “A Praça”, “Donbass” ou “Funeral de Estado”), a partir do romance homónimo escrito por Georgy Demidov (1908-1987). Aleksandr Kuznetsov, Aleksandr Filippenko, Anatoliy Beliy, Andris Keišs e Vytautas Kaniušonis assumem os papéis principais. PÚBLICO
Sessões
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Cinema Ideal, Lisboa
19h -
Cinema Ideal, Lisboa
19h
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Cinema Ideal, Lisboa
16h45 -
Cinema Ideal, Lisboa
16h45
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Cinema Ideal, Lisboa
19h -
Cinema Ideal, Lisboa
19h -
Cinema Fernando Lopes, Lisboa
16h45
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Cinema Ideal, Lisboa
19h -
Cinema Ideal, Lisboa
19h
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Cinema Ideal, Lisboa
16h45 -
Cinema Ideal, Lisboa
16h45
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Cinema Ideal, Lisboa
19h -
Cinema Ideal, Lisboa
19h -
Cinema Fernando Lopes, Lisboa
16h45
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Críticas dos leitores
4 estrelas
José Miguel Costa
O filme "Dois Procuradores" (candidato à Palma de Ouro no Festival de Cannes), escrito (tendo por base a obra literária homónima de Georgy Demidov, sobrevivente dos gulags) e realizado pelo ucraniano Sergei Loznitsa, é um drama político de época, dotado de uma notória linguagem documental, que nos transporta até à Rússia de 1937 para uma autêntica descida ao inferno do paranóico totalitarismo ultra-repressivo estalinista, marcado por detenções arbitrárias (inclusivé, de membros do Exército Vermelho e de históricos e intelectuais do Partido Comunista) e execuções de centenas de milhares de "contra-revolucionários".
É nesse contexto que seguimos um jovem procurador, Kornev (interpretado de modo sublime por Aleksandr Kuznetsov, através de manifestações corporais e expressões faciais contidas e silêncios incómodos reveladores da gradual decepção decorrente do confronto entre a pureza do seu idealismo e a dura realidade objectiva), que se desloca a uma prisão de alta segurança para auscultar um preso político, na sequência da recepção de uma mensagem (escrita com sangue do próprio num pedaço de metal) chegada clandestinamente às suas mãos.
Aí chegado, após ultrapassar uma série de obstáculos impostos pelo burocrático sistema corrupto, depara-se com um idoso doente (ex-professor universitário, membro da geração revolucionária bolchevique, acusado, sem julgamento, de trair o regime), vítima de bárbaros actos de tortura. Chocado com um evento desta natureza, que julga não ser do conhecimento das cúpulas do poder, resolve (ingenuamente) deslocar-se, à revelia da sua chefia directa (na qual não confia) e sem marcação prévia de audiência, até Moscovo com o intuito de denunciar os atropelos dos direitos humanos em curso nas prisões ao todo poderoso "Procurador-mor" da nação.
Filmado em formato 4:3 e fazendo uso maioritário de lentos planos estáticos e longos, "obriga-nos" a observar cada detalhe dos minimalistas e sufocantes cenários destituídos de qualquer "cor viva" (que funcionam como "ferramenta dramática" no aterrador labirinto de lógica impenetrável). Tal austeridade estética engrandece esta (sublime) obra obscura destituída de qualquer vislumbre de redenção ou catarse. @jmikecosta
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