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Romaria

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Romance, Drama 114 min 2025 M/14 02/04/2026 ESP, ALE

Título Original

Sinopse

Marina ficou órfã de ambos os pais, que morreram de complicações decorrentes da sida, quando era muito pequena. Agora, já com 18 anos, desloca-se até Vigo, na Galiza, para se encontrar com os avós paternos a fim de obter a assinatura necessária para se candidatar a uma bolsa de estudos numa faculdade de Barcelona. Ao ser acolhida por aquela família, que lhe é praticamente desconhecida, Marina divide-se entre a alegria da proximidade e o intensificar da dor pela falta dos progenitores. Entre encontros com os avós, tios, primos e outros parentes, vai descobrindo novas versões do passado familiar. E enquanto tenta reconstruir a história de amor dos pais, vive também o seu primeiro amor.

Estreado no Festival de Cannes, este drama sobre perda e traumas transgeracionais fecha a trilogia assinada por Carla Simón, que se iniciou com "Verão 1993" (2017) e continuou com "Alcarràs" (2022, Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim), cujos argumentos são inspirados na sua própria história de vida num registo autoficcional. As interpretações ficaram a cargo de Llúcia Garcia, Mitch Martín, Tristan Ulloa, Sara Casasnovas, Toño Casais, Miriyam Gallego, Marina Troncoso, José Ángel Egido, Celine Tyll e Janet Novás. PÚBLICO

Críticas Ípsilon

Romaria: a idade maior de Carla Simón

Jorge Mourinha

Com esta história de uma órfã que contacta a família do pai biológico, a cineasta catalã dá o salto para a “maioridade” artística.

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Críticas dos leitores

Romaria

Fernando Oliveira

Quase tudo o que Marina sabe dos seus pais está escrito num diário da sua mãe. Os dois morreram, ela recém-nascida, vítimas do SIDA que ceifou muitas vidas na Espanha dos anos oitenta. Órfã de pai galego e mãe catalã, adoptada e a viver longe da família biológica, Marina a precisar de uma certidão de nascimento para ser bolseira para estudar Cinema descobre que os pais nunca a declararam como filha.

No filme estamos no Verão de 2004 e Marina vai à Galiza procurar os avós e os tios para conseguir esse documento. Depois de “Verão 1993” e “Alcarràs”, filmes muito bonitos, “Romaria” é o terceiro filme de Carla Simón e terá uma história com muitas memórias autobiográficas (também perdeu os pais muito nova, julgo que li que terá usado partes de um diário da sua mãe, Marina quer estudar Cinema), e é outra vez um filme que olha para a família como um desequilíbrio entre a estabilidade, um porto seguro, e a incompreensão, a desconfiança.

O contacto com os tios e os avós, embora amigável, levanta questões, Marina começa a querer saber coisas, há uma diferença entre o que a mãe escreveu nos diários e o que lhe (não) contam. O olhar de Marina não julga, tal como o da realizadora é comedido, mas percebe que como ela agora, os pais também estiveram “de fora” naquela família.

Há a pergunta que nunca é feita no filme (mas que o filme responde): porque não foi ela adoptada pela família do pai? Para Marina a viagem vai servir para compreender que a vida dos pais foi um desejo de liberdade, para isso o filme encena o escrito no diário da mãe conforme Marina o imagina, o filme faz uma viagem ao passado. No filme, Marina e o seu primo Suso tomam os lugares dos pais dela num regresso aos anos oitenta, numa Espanha meia presa à memória do franquismo, a outra metade a descobrir a liberdade e os prazeres da vida. Esta “viagem” traz ao filme uma ambiência quase onírica, um onirismo “artesanal”.

A fotografia de Hélène Louvart é lindíssima, sente-se o Verão, lembra memórias filmadas (Marina leva uma câmara para filmar a viagem, também as cenas com os pais parecem ter sido captadas dessa maneira - será porque, como futura cineasta, ela "vê" o passado como quer filmar?); Llúcia Garcia que interpreta Marina é um estremecimento; gosto muito da realização e da história contada por Carla Simón. Uma história sobre a saudade daquilo que nunca se teve; um filme de fantasmas, portanto. Tudo isto é muito bonito.
(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")

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4 estrelas

José Miguel Costa

Depois dos magníficos “Verão de 1993” (2017) e “Alcaràs” (2022 - Urso de Ouro no Festival Berlim), a realizadora e argumentista espanhola Carla Simón regressa às salas de cinema com o filme “Romaria”, encerrando com chave de ouro uma trilogia assumidamente semiautobiográfica que, fazendo uso de uma delicada narrativa intimista (com o seu quê de abordagem antropológica e sociológica) reflete sobre identidade, memória familiar, herança emocional e reconciliação com o passado. Mais uma vez, coloca-nos (sem recurso a manipulações emocionais excessivas) perante um drama familiar realista e naturalista (dotado de uma linguagem de génese documental, nomeadamente pelo recurso a voz off descritiva), captado com câmara de mão, que uma parte da crítica especilizada cataloga como "a sua obra-prima".

Opinião da qual discordo (preferindo atribuir esse "troféu" à sua segunda longa-metragem), dado que a coqueluche da nova vaga da sétima arte espanhola "borrou a escrita" ao inserir "à papo-seco", perto do final, uma questionável opção estlistica (algo "esotérica") descontextualizada e sem nexo numa História desta natureza.

A ação de Romaria, que decorre em Vigo, cruza os acontecimentos ocorridos em duas linhas temporais distintas, o presente (2004) e o ano de 1984 (ao qual acedemos por via de pequenos flashbacks soltos do diário herdado pela protagonista pertença da sua progenitora - que são revelados através de filmagens feitas com equipamento digital da época, captadas na actualidade pela própria filha, nos locais mencionados no documento em causa, por forma a criar memórias visuais dos pais biológicos que não conheceu).

Acompanhamos, ao longo de 5 dias, a jornada de descoberta familiar de Marina, uma jovem catalã de 18 anos, adoptada à nascença (dado os progenitores não terem sobrevivido à heroína e sida). Sem qualquer contacto anterior com a família paterna é empelida a viajar até ao seu encontro das "origens" com um duplo objectivo: tentar que os avós a reconheçam, no notário, como descendente do seu filho, para poder candidatar-se a uma bolsa de estudo; e obter dados concretos sobre o pai (o que trouxe à tona um passado que Eles preferem esquecer/esconder).

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