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A Taberna do Irlandês

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108 min 1964 01/01/2007 EUA

Título Original

Donovan's Reef

Sinopse

Um conto de fadas com o paraíso por cenário e uma bebedeira de amigos por moral. Uma jovem puritana, da aristocracia de Boston, parte para os mares do Sul em busca do pai. A viagem vai mudar toda a sua vida. Um filme da fase final da obra de Ford, a serenidade do olhar e o amor à vida no seu ocaso, o humor esfuziante dos combates entre John Wayne e Lee Marvin e o mais surpreendente Natal que o cinema mostrou. Em filigrana, uma variante sobre A Tempestade de Shakespeare.

Texto: Cinemateca Portuguesa

Críticas dos leitores

A Taberna do Irlandês

Fernando Oliveira

Um filme obviamente menor de John Ford. E isto porque o realizador escolheu forçar dois olhares que o fazem resvalar frequentemente para a caricatura. Mas, provavelmente, é só isso que o filme quer ser: um divertimento, um filme “outonal” de um dos nomes essenciais do Cinema, uma obra quase final.

E quais são esses dois olhares? O primeiro é uma misoginia inconveniente, até grosseira, ou como uma mulher de negócios moderna é “amansada” não apenas pelo amor ao homem rude, mas até com umas palmadas no rabo; o machismo será, talvez, esvaziado porque neste movimento porque a mulher perde a compostura rígida e torna-se muito mais livre, e feliz, passando primeiro por uma sequência de desventuras a sublinhar-lhe o ridículo e o “estatuto” evoluído. Depois há o desenho do bom selvagem, subserviente à superioridade cultural do homem branco: o “postal turístico” como nos são mostradas as actividades nativas, o Governador que “conhece” bem as dançarinas; a princesa que respeita as crenças ancestrais, mas como “toda” a gente acredita num Deus único.

Posto isto, não há como recusar a ideia de que este filme é divertidíssimo, e como nessa ludicidade nos faz esquecer esses dois olhares. Três homens (John Wayne, Lee Marvin, e Jack Warden) que encontraram refúgio, depois de um naufrágio, numa ilha da Polinésia Francesa, durante a II grande Guerra, resolvem continuara a sua vida aí. Dois deles fazem anos no mesmo dia e é tradição ser um dia de bebedeira e pancadaria; o terceiro é um médico respeitado.

A filha deste último (Elizabeth Allen) chega a ilha para provar que o pai terá comportamentos que o impedem de herdar a Companhia de Navegação propriedade da família, só que o pai casou com a falecida princesa da ilha e tem três filhos dela; ele está ausente e Donovan, o personagem interpretado por Wayne, mente e diz que as três crianças são filhos dele. Claro que após as mais descabeladas peripécias tudo acaba bem… e há a guerra dos sexos, que rapidamente toma conta do filme (e se em Hawks a mulher “ganha” sempre o confronto, mesmo quando não parece, Ford utiliza a jocosidade dos personagens masculinos para fazer pender a balança para o lado deles), a relação entre Donovan e Amelia, e a “descoberta” dela da sua nova família.

Tudo isto torna estes personagens tão humanos (há ainda o governador interpretado por Cesar Romero, e uma cantora interpretada por Dorothy Lamour, que já tinha andado com Ford nestes mares em “O furacão”), que torna o filme num bastante feliz. E mais do que esta estória, ou através dela, o filme é acima de tudo um enaltecimento às pequenas coisas felizes do dia-a-dia, o sol, as cores alegres do vestuário, uma queda no mar, um sorriso, as pernas de uma mulher, e a mais bela encenação do Natal da história do Cinema.

Não é de maneira nenhuma um dos grandes filmes de Ford, mas é um filme que nos deixa com um sorriso, e isso é muito bom. (em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.com")

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