Cinecartaz

A.N.Q.

O Último de J.C.M.

Depois do brilhante "Branca de Neve", não entendido pela grande maioria do público português — apenas nós, os iluminados do Senhor, pudemos apreciar na totalidade tamanha obra —, João César Monteiro volta a presentear-nos com mais uma notável obra que, de certo, passará, mais uma vez, ao lado do comum dos mortais, vulgo povo. Brilhante a analogia entre a viagem de autocarro, sempre o 100 — o século, o último de João César Monteiro — que se repete todos os dias e o quotidiano daqueles que deixarão passar mais este filme daquele a quem me atrevo a chamar o melhor realizador português. A personagem, Vuvu, espera pelo filho que está preso por duplo homicídio, uma clara referência aos filmes do cinema americanos dos anos 50, representando a vã esperança de que algo mude na sua vida sempre igual. Refugia-se então nos livros, já em mau estado de conservação, contidos na sua vasta mansão. Uma referência, por certo, ao país em que vivemos que, tendo os meios, as capacidades, a cultura, se deixa levar pela inércia e despreza o que tem. E mais não digo desta sumptuosa obra que aconselho vivamente. Cinco estrelas!

Publicada a 30-06-2003 por A.N.Q.