Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

Céline Sciamma arrebatou o Festival de Cannes, e a generalidade da critica especializada, com o enigmático/intimista drama de época (quase exclusivamente feminino), "Retrato da Rapariga em Chamas", devido à alegada sensibilidade/poesia com que abordou a questão da homossexualidade feminina.
Não partilho todo este entusiasmo pelo filme (demasiado) minimalista (a nível temporal e espacial) que jamais se decide entre uma abordagem naturalista ou simbólica (o que não lhe confere constância, já que, neste caso em concreto, a junção de ambas não se coaduna - retirando-lhe, inclusive, alguma "credibilidade").

Pesa-lhe, de igual modo, o ritmo narrativo pouco apelativo da história (com uma base de partida interessante), cuja acção decorre na Bretanha do século XVIII, que nos expôe perante o crescendo de intimidade entre Marianne (Noémie Merlant), contratada (sob o disfarce de dama de companhia) para pintar o retrato de casamento da inconformada jovem Héloïse (a - estranhamente - pouco convicente Adèle Haenel), o único meio do futuro marido conhecer as suas medidas e feições.

Publicada a 15-06-2020 por José Miguel Costa