Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

A reunião da santissima trindade Quentin Tarantino, Leonardo DiCaprio e Brad Pitt não deu azo ao expectável milagre cinéfilo.
Em "Era Uma Vez ... Em Hollywood" o (grande) Deus (dos filmes retropop com cheirinho a série B) ficou algo aquém, pois apesar dos seus costumeiros ingredientes estarem (quase) todos lá presentes (nomeadamente a magnifica banda sonora "que nunca lembra nem ao diabo" e o inimitável modo de filmar "tão BD" e, em simultâneo, impregnado de glamour - sendo que nesta obra saliento, a título exemplificativo, os excelentes planos captados nos carros clássicos em movimento), falta-lhe o condimento base/"imagem de marca" que no passado o transformou num icone único ... a hilariante hiperviolência kitsch estilizada.
De facto, é preciso esperar mais de duas horas até que o "festival de pancadaria" dê o ar da sua graça. Todavia, faça-lhe justiça, "tardou - e soube a pouco - mas não falhou", na medida em que o climax revela-se efectivamente brutal (o que não invalida que continue a advogar que exagerou nos "preliminares", ainda mais, quando, estes não poucas, roçaram a monotonia, devido ao excessivo "linguajar" irrelevante).

Trata-se de uma obra que a nível estético se constitui como uma "vistosa" homenagem/revisitação à Hollywood dos anos de 1960 (marcada pelo fim da era dourado dos - seus adorados - westerns levada a cabo por "hippies"), mas que peca ao nível do conteúdo (com múltiplos diálogos inteligentes, é certo - que acabam por perder-se no seio de um enredo quase ausente e algo "tolinho"/inconsequente, já que nem sequer se percebe o intuito da junção de um bromance ficticio entre um actor em declinio e o seu respectivo duplo com a detorpada história veridica do assassinato de Sharon Tate, mulher do realizador Polanski, pelo serial killer Charles Manson).

Portanto, "muita parra, pouca uva"! Valha-nos que o "encher de chouriços", acaba por não nos cansar, uma vez que este é efectuado pelos dois bonitinhos (e talentosos) da meca do cinema, que estão simplesmente divinais nos seus respectivos papéis.

Publicada a 22-08-2019 por José Miguel Costa