Cinecartaz

João

O que todos pensam e não dizem

Sou uma pessoa que costuma fazer muitas introspecções sobre de onde vim, qual o nosso papel no mundo, para onde vamos, etc.
No entanto, quando faço as minhas reflexões sobre estas matérias, tenho a dizer que nunca olho para este filme como uma referência.

Há que tirar o chapéu ao Kubrick porque: fez este filme em 1968; estamos em 2013 e este filme está nas salas de cinema; ninguém fica indiferente ao filme, quer goste, quer não goste.

No entanto, com toda a honestidade do mundo, digo que não quero ver este filme outra vez.
É óbvio que existe muito neste filme que é perfeito: a conjugação de elementos, a música e a imagem.
Embora aprecie tudo isso, para mim, existe sempre um vazio associado aos filmes que não têm enredo ou história. Gosto de estar concentrado, fazer associações e ser surpreendido.
Este filme não me deu nenhum destes 3 elementos.
Talvez a história da formação da terra e do sistema solar não seja propriamente empolgante.
Talvez este comentário seja provinciano e eu não tenha a grandeza para apreciar.
A verdade é que estive aborrecido, sempre à espera que acontecesse alguma coisa e não aconteceu.
Para mim, coisas muito difíceis de compreender são para iluminados, coisas impossíveis de compreender são para pseudo-iluminados.

Embora tudo seja relativo, sempre achei que existe algum elitismo injustificado por parte dos críticos de cinema. Não lhes estou a chamar de irrelevantes, porque não são, mas nalguns casos creio que deveriam ser mais honestos consigo próprios e escrever ou dizer o que vos vem de dentro, antes de começarem a ler outras críticas e a formarem a vossa opinião com base nisso.
Se calhar estou a ensinar a missa ao padre, mas enfim, foi apenas um desabafo.

Quanto ao filme, penso que todos devem ver. Ao menos, para formarem uma opinião.

Do mesmo autor, prefiro: The Shining, Eyes Wide Shut, Barry Lyndon ou Clockwork Orange.

Publicada a 27-11-2013 por João