Cinecartaz

MIGUEL COSTA

ISRAEL em tons de "cinzento"

Estereotipamos (ou, se calhar, até nem se trata de um estereótipo, e é simplesmente a mais pura das realidades) Israel como um país em permanente estado de guerra contra todo o mundo árabe (nomeadamente, a Palestina, o seu grande "calcanhar de Aquiles"). No entanto, através desta pelicula, o realizador quer mostrar ao exterior que neste território também existe um "outro lado", israelitas que lutam contra israelitas, quer pela "utopia" de uma sociedade mais igualitária (que não apresente um fosso tão grande entre ricos e pobres) quer pela não concordância com a politica "securitaria ultra-militarista" que diariamente os "aprisiona", expondo assim a nu que o "mal" nem sempre está fora das fronteiras (posição que já lhe valeu alguns dissabores junto da comunidade judaica ortodoxa, que o apelidou de "judeu renegado").

Tenta, desta forma, passar a visão de que nem tudo é "branco ou preto" e que também existe o "cinzento" (até os policias de elite têm "alma" - apenas estão condicionados por percepções formatadas da realidade, consequência da "lavagem cerebral de que são vitimas"), pelo que não há "bons" nem "maus" (todos são, simultaneamente, "bons e maus").

E é sobretudo esta nova visão temática (que expõe "novos ângulos"), bem como uma certa "ambiguidade" na forma como a "História" nos é contada (uma vez que é um filme politico, sem que o seja verdadeiramente; é um filme de acção (quase) sem acção; é um filme sobre violência com poucas cenas de violência - ela "está lá sempre", mas de forma implícita) que torna esta pelicula muito interessante (dotada de "personalidade"), e não tanto as suas características técnicas (uma vez que a esse nível não tem nada de novo que a distinga das demais).

Publicada a 20-05-2012 por MIGUEL COSTA