No início do filme somos confrontados com uma "mulher zombie", isolada, que todos desprezam, humilham e maltratam. Apenas nos vamos apercebendo do motivo que levou à adopção de tal conduta comportamental por parte dos diversos intervenientes à medida que o tempo decorre, e através do recurso a inúmeros flashbacks (pelo que poderá ser um filme confuso no inicio, mas com o desenrolar da acção todas as peças do puzzle se encaixarão... e mais não direi acerca do argumento para não quebrar o impacto do "big end" - embora desde logo sejamos "encaminhados" para o desfecho provável).
É um filme emocionalmente forte, psicótico e claustrofóbico (carga essa que é reforçada pelas cores garridas com q é "pintado" e pela excelente prestação dos seus actores) que coloca a nu a "desvinculação" mãe/filho, indo contra todas as normas convencionadas de que o amor maternal é algo de inato. Mas, será que é objectivo da realizadora desconstruir esta tese ou, pelo contrário, reforçá-la (por "esquinas e travessas")?
MIGUEL COSTA