Cinecartaz

MIGUEL COSTA

Extremamente alto, incrivelmente longe

Mais um filme sobre os "órfãos do 11 de Setembro". Desta feita somos levados a seguir a "epopeia" de um menino de 11 anos, sobredotado (hipotético portador de síndrome de aspergem), com dificuldades na inter-acção social e com uma série de fobias, que tenta desesperadamente encontrar uma explicação para a morte do seu pai (e companheiro de aventuras) ocorrida no atentado terrorista contra o World Trade Center. Para o efeito irá percorrer, durante meses, os 5 distritos da Big Aple em busca de todos os residentes com o apelido de "Blake", com o objectivo de descobrir se algum destes, por ventura, terá algo novo para lhe contar acerca do seu progenitor (isto como consequência da descoberta de um envelope entre os pertences deste, com uma chave no seu interior, com o apelido em causa escrito no seu exterior).
Este é um filme que nos fala sobre a necessidade constante do ser humano encontrar respostas para tudo aquilo que sucede na sua vida. E, claro, a desilusão que se sente quando compreende(mos) que existem coisas que simplesmente não têm explicação. Todavia, "the life goes one", e através das adversidades poderemos alcançar o extraordinário ganho da descoberta dos "outros" (que poderão estar mm ao nosso lado), bem como aceitar o sentido da "nova vida", (re)construida sobre os "escombros do passado".
"Extremamente Alto, Incrivelmente Perto" teria, portanto, à partida todos os elementos necessários para uma história comovente e incontornável. No entanto, o que poderia ter resultado num filme extraordinário acaba por ser algo (apenas) mediano, com muitos "tiques" para agradar a Hollywood (e quase lamechas, com um "the end" sofrível). Por vezes, ficou mesmo a sensação de estar a assistir a um filme de aventuras inconsequente, em que os "outros" vão aparecendo como meros figurantes (e o filme teria ganho tanto se estes tivessem sido mais "explorados"). Esperava muito mais do realizador de Billy Elliot...

Publicada a 04-03-2012 por MIGUEL COSTA