Mas que bonita maneira de nos levar pelo mundo "normal", tão familiar, carregado de tragédias pessoais que ninguém nota! Paulatinamente, à medida que a acção se desenrola a acompanhar as deambulações do protagonista (Will Smith, sempre com uma expressão condoída, um desespero interior que só se explica no final), somos conduzidos ao desfecho. Tudo aquilo acaba por ter uma lógica formidável, mesmo que pelo caminho sejamos levados a pensar que é mais para o caótico. Uma das facetas mais interessantes desta fita é o ritmo aparentemente preguiçoso da acção, quando na verdade há uma urgência, uma contagem de cada minuto da vida do protagonista. O seu destino, cuidadosamente guardado para o quase final, é-nos sugerido logo de início apenas para que possamos pressentir a monumentalidade do seu gesto. Costuma dizer-se que o melhor que se pode dar é algo de si próprio — onde o sacrifício se converte em amor, simplesmente. É desse amor que a fita trata, e da ambição de dedicá-lo a sete pessoas que o saibam receber. Tirar partido dos ficheiros financeiros e de saúde dos cidadãos para conseguir encontrá-las é uma subversão genial. É dos filmes que dá vontade de ver e rever.
Só é pena que se enganassem nas contas do livro do Génesis, mas quase ninguém repara, não é?
Nazaré